sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Taco a taco

Expliquem-me como se fosse muito burra
Então a PT voltou a ser do Estado? Mas então o Estado põe e dispõe da PT?

publicado por Ana Margarida Craveiro "31 da armada"



És burra, sim, e muito
Mesmo assim vê lá se percebes:

A medida [transferência do Fundo de Pensões da PT para o domínio do Estado] segue uma recomendação do Tribunal de Contas, adianta o ministério da tutela, e o valor a transferir corresponde a um total de 2,6 mil milhões de euros - de acordo com os dados publicados pela PT relativamente ao exercício de 2009.

Como explicaram ao DN fontes próximas desta negociação, "não há qualquer transferência de défice para o Estado, independente do nível de pensões, porque passam os encargos, mas passa também 100% da massa correspondente aos encargos futuros". Dito de outro modo, a PT garante as insuficiências que venham a ser identificadas à data da transferência, mas daí em diante a responsabilidade passa para o Estado.

Publicado por João Magalhães
http://corporacoes.blogspot.com/

Simplex



By: http://jumento.blogspot.com/

Direito ao contraditòrio...


A penosa caminhada de Manuel Alegre.

Manuel Alegre, em fim de carreira política (que no fundo se resume a trinta e tal anos sentado no Parlamento), candidatou-se à presidência da República, pela segunda vez, acalentando o sonho de ser o Hugo Chávez português, o cavaleiro andante do «socialismo do século XXI», o quebra-bilhas da Europa capitalista.

Mas, para sua desdita, o poeta não tem os pergaminhos de militar de carreira do tenente-coronel venezuelano, nem Francisco Louçã, o seu inventor nesta segunda candidatura, tem força política para o levar ao colo até Belém. Para Manuel Alegre, enquanto candidato à presidência da República, mais pesada que a derrota eleitoral de Janeiro próximo, foi a estrondosa derrota nas eleições legislativas de Setembro de 2009, há precisamente um ano. O ex-deputado socialista apostou tudo na derrota do PS e num significativo crescimento eleitoral do Bloco.

Procurou, ao lado de Louçã, no Teatro da Trindade e na Aula Magna, chamar ao BE os descontes de esquerda com a governação socialista e os órfãos partidários. Não perdeu, então, uma única ocasião para se vilipendiar o partido onde sempre se abrigou, ameaçando dia sim, dia não com a formação de outro partido. O sonho parecia simples e exequível: 1) um PS derrotado, em crise e à beira da implosão; 2) um BE forte, com 17 ou 18%; e Manuela Ferreira Leite a dirigir o governo e a aplicar duras medidas de austeridade. Esta era a base de partida para o projecto «venezuelano»: a vitória nas eleições presidenciais e a constituição de um partido socialista unificado, com o BE, destroços do PS e órfãos e descontentes de todas as matizes.

O PCP viria a reboque, tal como na Venezuela os comunistas andam a reboque do tenente-coronel e do seu «socialismo do século XXI» – uma mistela ideológica, onde a ambição pessoal ocupa um espaço privilegiado. Raramente a realidade acompanha o sonho. A vitória de José Sócrates nas legislativas e o insuficiente resultado eleitoral do BE esburacaram a urdidura. Agora, apenas assistimos a uma penosa caminhada de Manuela Alegre até Janeiro.

Canta o guião como no sonho que inventou, fazendo eco dos discursos de Loução, mas atabalhoado, sem alma, nem jeito, vazio, sem se dar conta da realidade. A vitória do PS há um ano atrás foi a derrota do sonho «presidencialista» e do projecto «socialismo do século XXI»» da dupla Manuel Alegre-Francisco Louçã. José Sócrates percebeu isso desde o primeiro segundo. Por isso, mesmo fazendo-se rogado, deu-lhe tranquilamente o abraço de urso.

(Publicado no Aparelho de Estado)
Por Tomás Vasques
http://hojehaconquilhas.blogs.sapo.pt/

Mercado Regulado ?


O escândalo europeu...


O polémico eurodeputado José Bové, vice-presidente da Comissão de Agricultura do Parlamento Europeu revelou hoje em Bruxelas [conferência de Imprensa] que a actual presidente do Conselho de Administração da Agência Europeia de Segurança Alimentar [European Food Safety Authority], a húngara Diána Bánáti, pertence concomitantemente à direcção do ramo europeu do ILSI [International Life Sciences Institute, sediada em Washington] – uma associação que agrupa as grandes empresas da indústria agro-alimentar como a Kraft Foods ®, Nestlé®, Danone®, etc. link

Diána Bánáti exerce o cargo de presidente do CA da Agência Europeia de Segurança Alimentar desde 2008, tendo sido reconduzida em Julho de 2010, e na declaração de “conflitos de interesses”, perante o Parlamento Europeu, afirmou que tinha pertencido ao comité científico da ILSI, mas nunca teria tido ligações aos lobbys [agro-alimentares].

Desde há muito que o grupo ecologista vem denunciando o modo de funcionamento da European Food Safety Authority. Esta entidade não efectua qualquer estudo científico. Apoia os seus pareceres nos dossiers fornecidos pelas empresas industriais que – como era de esperar concluem sobre a inocuidade, p. exº., dos Organismos Geneticamente Modificados [OGM's] que a Europa vem introduzindo progressivamente...
Nenhuma avaliação é feita acerca da idoneidade das informações industriais [parte interessada no negócio] e não se avaliam os riscos [sanitários] a longo termo…

Diána Bánáti não é um caso isolado. Em Abril passado a directora do departamento de OGM’s da EFSA, Suzy Renckens, foi contratada pela empresa multinacional Syngenta [líder mundial da indústria agroquímica]…

Enfim, uma Agência Europeia dirigida por ilustres personalidades totalmente imersas em escandalosos conflitos de interesses.
José Bové exigiu a imediata demissão de Diána Bánáti da EFSA.

Já em Abril passado, quando do escândalo Renckens, a organização Inf’OGM lançou uma petição pública pedindo a re-avaliação de todas as autorizações de introdução na Europa de OGM’s. link
A presente situação torna o conteúdo desta petição mais do que pertinente, inultrapassável.

De facto, a UE poderá estar a comer gato por lebre! Ou, mais um exemplo de um mercado [alimentar] não regulado.

posted by e-pá!
http://ponteeuropa.blogspot.com/

Degas

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Pedro Barroso

Ricochetes


Aos tiros na OCDE

A OCDE é uma das mais prestigiadas organizações internacionais.
Reúne os países mais desenvolvidos do mundo, dos pontos de vista económico e político.

Os seus relatórios, sobre todas as matérias, são instrumentos de referência para os estudiosos, os homens de negócios e os políticos.
Até pela sua composição, integrando países muito diversos (em dimensão e história, por exemplo), mas todos eles com altos padrões de desenvolvimento, a OCDE é uma das organizações mais neutrais a nível internacional.
Portugal é um dos membros fundadores da OCDE.

Como se explica, então, como este PSD, pela voz de um dos mais conhecidos rostos desta liderança, alegadamente candidato a um posto ministerial de topo, venha desferir um ataque tão descabelado àquela organização e a quem a representa institucionalmente?

A surpresa não é total - pelo menos para quem acompanha blogues e o Twitter - mas que um PSD em desnorte político enverede pela canelada rasteira a organizações internacionais prestigiadas atira o País para um patamar até aqui inimaginável.

Publicado por João Magalhães
http://corporacoes.blogspot.com/

Papel de péssima qualidade

Santos & PEC' adores...



Quantos PEC's ainda nos esperam?

Recuando na história recente do período democrático pós 25 de Abril, já tivemos dias negros como o de hoje, quase sempre ou sempre pela mão de governos PS.

Hoje, foram anunciadas medidas de uma dureza extrema. Afinal não há que temer o FMI, que provavelmente nem exigiria medidas tão duras. Afinal há um FMI nacional.

Mas aqui há um grande problema de fundo muito grave.

O governo actual está descredibilizado, pois já apresentou um PEC1 dizendo que bastava para resolver a questão do défice. Passados poucos meses, apresenta um PEC2 com o apoio do PSD já bastante duro e esse então resolveria os problemas presentes e futuros do País. E hoje, nem passaram 4 meses, de forma dramatizada vem com um PEC3 de dureza extrema.

Pergunta-se: o que falhou para que o PEC2 "tão suficiente" não tenha dado os resultados previstos e exija um outro PEC3?

Sobre isto o governo disse zero. Fez mal porque deixa em aberto o problema da credibilidade interna e externa.

Deixa em aberto que o desempenho do governo aponta para uma grande incapacidade de resposta a estas questões. Deixa em aberto que teve um comportamento laxista não controlando a despesa e fez disparar incertezas nos mercados quanto à capacidade e vontade do governo em montar os instrumentos para cumprir as metas que ele próprio define.

Esse problema está de pé. O governo não está a provar que sabe governar para atingir as metas.

# posted by Joao Abel de Freitas
http://puxapalavra.blogspot.com/

Recados e pressões


Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico...

O pacote que a OCDE veio anunciar a Portugal - independentemente do mérito ou demérito das propostas - é uma intolerável ingerência na política nacional.

As propostas apresentadas em Lisboa pelo secretário-geral da organização Angel Gurría ao Ministro Teixeira dos Santos dificilmente são enquadráveis nos objectivos desta organização internacional: apoiar um crescimento económico duradouro; desenvolver o emprego; elevar o nível de vida; manter a estabilidade financeira; ajudar os outros países a desenvolverem as suas economias e contribuir para o crescimento do comércio mundial.

Na realidade, o País - desde já sujeito ao "visto prévio" de Bruxelas nas questões orçamentais - não pode andar a reboque de soluções que surgem, aos trambolhões, de todo o lado.

A concertação económica e financeira a que estamos organicamente ligados dizem respeito a uma coordenação das políticas no espaço europeu e as medidas devem surgir desse contexto. E mesmo assim é questinável se já não abdicamos de uma fatia da nossa soberania.

A desfaçateza com que Angel Gurría analisou a situação portuguesa só aparece a público porque para além da debilidade financeira e económica que se instalou no País em que vivemos uma preocupante fragilidade política [neste momento em franca evolução].
Ninguém está a ver Angel Gurría dirigir-se nestes termos a outros Países europeus mesmo tendo em conta as discrepâncias das situações financeiras e económicas no seio daUE.

Não podemos sair da crise em que estamos ajoelhados, de cócoras. Precisamos de ajuda, mas não precisamos de intromissões paternalistas, de guias "espitituais", como se estivessemos perdidos no deserto [...do nosso desassossego]. Estamos integrados num amplo espaço político, económico e monetário...e, apesar da "mundialização", as soluções devem ser encontradas aí.

Ao aceitarmos acriticamente as "recomendações" da OCDE, iniciaremos uma deriva política, hipotecaremos [ainda mais] a capacidade de definir as nossas soluções , i. e., ficaremos de mãos atadas, vogando ao sabor das regras da economia livre de mercado um dos princípios fundamentais que informa a OCDE. Princípio que terá agudizado a actual crise e sobre o qual nunca ouvimos qualquer retratação.

Ao conformarmo-nos com esta metodologia o melhor será ficarmos à espera da opinião do FMI, do Banco Mundial, etc.

Sem querer pugnar por soluções nacionalistas, ou enfatizar questões identitárias, julgo ser necessário salvaguardar um mínimo de autonomia.
A análise da situação portuguesa feita pela OCDE - que integramos - poderia ter sido fornecida, oportunamente, ao Governo português através dos canais institucionais ou publicada nos seus Boletins.

A sessão pública foi uma afronta e uma intolerável pressão política [nas vésperas da apresentação do OGE de 2011].

posted by e-pá!
http://ponteeuropa.blogspot.com/

Capangas de maomé


A pena de morte, a religião e Sakineh

A pena de morte é uma crueldade vergonhosa para os países que a aplicam e que faria tremer a mão do juiz que a assina se não juntasse à ausência de sentimentos humanos a amnésia perante os erros judiciários amplamente comprovados.

Esta impiedade que vigora em numerosos Estados dos EUA, com particular relevo para o Texas, é uma afronta para o humanismo que presidiu à fundação do grande país, um insulto a quem fugiu das guerras religiosas com que o cristianismo quis impor a vontade divina domiciliada no Vaticano.

Quanto mais arreigadas estão as crenças mais bárbaras se tornam as condenações. Nas teocracias a crueldade só rivaliza com a discricionariedade das acusações e a ausência de meios de defesa. É o caso do Irão onde as tradições persas se perderam no pesadelo de uma teocracia xiita.

Face à pressão internacional, foi suspensa a lapidação de Sakineh Mohamadi Ashtiani, a que estava sentenciada por adultério, para ser condenada à forca, por cumplicidade na morte do marido. Se a pressão se mantiver poderá vir a ser decapitada por urinar virada para Meca, depois de ter sofrido 99 chicotadas por eventualmente ter pedido água a um guarda, em pleno dia, da escuridão da cela, durante o Ramadão.

O caso de Sakineh tornou-se uma bandeira que esconde os crimes impunes dos sistemas totalitários, mas não devemos deixar de usá-la. Sem a denúncia, por Voltaire, da tortura a que foi submetido Jean Calas ou da farsa do caso Dreyfus, por Emile Zola, teria ficado esquecido o martírio do primeiro e jamais teria sido reabilitado o capitão Dreyfus.

Quando à arbitrariedade do poder totalitário se junta a maldição da fé, a crença de que um deus qualquer abomina o adultério, a carne de porco, o trabalho no sétimo dia ou outra tolice, sofrem-se as maiores abjecções protegidas pela vontade divina.

Como escreveu Steven Weinberg, Nobel da Física: «…com ou sem ela [religião] haveria sempre gente boa a fazer o bem e gente má a fazer o mal, mas é precisa a religião para pôr gente boa a fazer o mal». Ou, como dizia Pascal: «Os homens nunca fazem o mal tão completa e alegremente como quando o fazem por convicção religiosa».

posted by Carlos Esperança
Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Bruxelas (2)

"Não gosto dos ciganos"



PARA A MINHA QUERIDA RAQUEL, companheira de aventuras
Hoje não te quero falar de aventuras, de acampamentos, de caminhadas,
de lagoas, de paisagens, de rios de águas quentes…
Hoje vou falar-te de pessoas, de povos, dos povos que povoaram e povoam o nosso país .

A origem dos povos é um assunto interessante, mas às vezes difícil de entender.
Nós, os Portugueses, quem somos ? De onde viemos? Que outros povos nos criaram?

Portugal e Espanha formam a Península Ibérica . Chama-se assim porque era habitada por um povo de guerreiros chamados Iberos .
Além dos Iberos, em Portugal havia também uma tribo de homens valentes e corajosos chamados os Lusitanos . Estes eram os povos que habitavam o nosso país .

Veio depois um povo de Itália – os Romanos – que nos atacou . Os Lusitanos lutaram ferozmente contra eles mas perderam : o exército romano era mais forte e venceu. Os Romanos ficaram aqui anos e anos … Depois, muitos anos passados, vieram outros povos – os Visigodos e os Celtas . E por cá ficaram …

Todos estes povos trouxeram coisas novas que nos ensinaram.
Os Romanos trouxeram-nos a língua deles, o Latim. O português que nós falamos vem do Latim . Ensinaram-nos a fazer estradas e construir pontes : ainda hoje existem em Portugal muitas pontes e estradas desse tempo .

Os Visigodos construíram aqui lindas igrejas . Já não há muitas para se ver … Os Celtas eram grandes artistas e artesãos : faziam ricas peças em ouro e cantavam e tocavam músicas divinas . Muitos temas de origem celta são cantados ainda hoje pelo nosso povo…

Mais tarde vieram os Árabes. Estes ensinaram-nos muitas coisas.
Plantaram aqui laranjeiras e limoeiros…Ensinaram-nos até a regar as plantas. Fizeram escolas de filosofia e medicina… Eram grandes poetas, cantores e instrumentistas.

O adufe é um instrumento árabe e o fado - que é uma canção só cantada em Portugal é também de origem árabe. Mesmo muitas palavras - como Algarve, azeite - são de origem árabe.

Todos os povos que aqui passaram trouxeram coisas novas, ensinaram-nos novas técnicas, deixaram-nos a sua língua … Aprendemos muito com eles . Mas eles também levaram daqui coisas que aprenderam conosco .

Porém, do que te queria falar, não era destes povos . Quando estudares história, verás como é lindo saber como surgiram estes povos e como são diferentes entre si .

Hoje queria falar-te doutro povo : os Ciganos.
E por quê ? Porque outro dia me disseste uma coisa : “ Não gosto dos ciganos”.
E isso deixou-me triste e a pensar … a pensar que a minha neta não gosta dos ciganos
porque não sabe quem eles são, de onde vieram …

Vou-te contar a história deles …
Sabias que eles também têm uma bandeira ? Aí tens a imagem .
Já vais perceber porque é que o símbolo principal é uma roda .
E têm uma língua própria : o romani, embora muitos já não a falem .

Os Ciganos vieram da Índia . Como muitos outros povos, vieram à procura de novas oportunidades, de novas relações, de novas culturas… Houve muitos que foram perseguidos e por isso fugiram do seu país.

Por volta do séc. XI, saíram da Índia e começaram a viajar para o Ocidente.
Chegaram ao Irão, Palestina , Turquia e no séc. XII já tinham chegado à Europa.
Terão chegado a Portugal e Espanha no fim do séc. XV.

Estes povos são chamados povos “nómadas”. O que é isto ?
São povos que não têm casa fixa, como nós. Como não têm casa, estão sempre a
viajar e assim passam de país para país … Viajam, como muitos ainda hoje fazem, em carroças, puxadas por cavalos… Percebes agora porque o símbolo da bandeira é uma roda …

Nelas trazem tudo o que têm : panelas, roupas, os filhos… Nem sempre estas viagens corriam bem, nem sempre eram bem recebidos pelos outros povos…

Em muitos países foram mesmo perseguidos, mortos e expulsos… Diziam estes povos que os Ciganos roubavam e vendiam o que roubavam.
Também os acusavam de rogar pragas e ler a sina… De facto, os Ciganos dedicavam-se a comprar e vender cavalos, faziam cestos de vime e artigos de latoaria …

São povos muito pobres, viviam a mendigar, não iam à escola…
Os Ciganos mais velhos não sabem ler nem escrever. Mas as coisas estão a mudar…

Muitos Ciganos hoje já não andam de terra em terra, como antes… Como têm muito jeito para o comércio, os Ciganos andam de feira em feira a vender tecidos e sapatos … Já não andam de carroça. Hoje andam em carrinhas e muitos têm já casas onde morar.
Por isso, começaram a ver que era importante mandar os filhos para a escola.
Lá aprendem coisas novas e brincam com meninos não-ciganos… Mesmo assim, os pais ainda não deixam as meninas ciganas ir à escola…

Os Ciganos são um povo com muitas qualidades. São bons artistas : cantam e dançam muito bem . Os meninos aprendem a cantar e dançar desde pequenos… Têm muito jeito, como já te disse, para o comércio. Às vezes, como todos os comerciantes, também enganam as pessoas… São um povo muito unido e solidário : quando um deles está doente, vai a família toda visitá-lo e esperam à porta do hospital que ele fique curado… São amigos das pessoas que gostam deles… e têm um grande respeito pelas pes-
soas mais velhas da família.

É verdade que às vezes são um pouco agressivos e zangam-se; é verdade que às vezes não tomam banho e cheiram mal… Ainda não têm hábitos de limpeza, como nós…
Há ainda hoje muitos Portugueses que não tomam banho com frequência. Nem por isso deixamos de gostar deles .

Estou a terminar .
Gostaria que a partir de agora pensasses : a todos os povos podemos ensinar e com todos podemos muito aprender . SE SOMOS DIFERENTES, SOMOS MELHORES .

Texto de Abílio Machado
(enviado por um Amigo)

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Dependência psd

Paula Rego

Bruxelas (1)


Austeridade: o exemplo de Bruxelas...

Estamos sob um severo escrutínio da Comissão Europeia, estamos sob o camartelo da Srª. Angel Merkel, estamos obrigados a submeter a "visto prévio" próximos orçamentos, estamos rigorosamente vigiados...

Mas a austeridade - no "espaço europeu" - não é um produto universal [muito menos equitativo]. Vejamos:

"D'anciens commissaires européens continuent de toucher des indemnités destinées à les aider à retrouver un emploi après la fin de leur mandat, alors même qu'ils ont déjà une autre activité salariée, rapporte le Financial Times Deutschland jeudi.

Au total, "dix-sept anciens responsables touchent encore des indemnités d'au moins 96 000 euros par an, bien qu'ils aient depuis longtemps un emploi de lobbyiste ou de politique"... le monde

As malhas que Bruxelas tece...

posted by e-pá!
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Toma e embrulha (3)


Resposta ao Deputado Francisco Assis
[Publicado por AG]

Respondi esta noite ao Deputado Francisco Assis, por quem tenho sinceramente muita estima e admiração, reforçadas desde que ambos integramos a delegação socialista portuguesa ao PE (2004-2009).
Aqui reproduzo a minha carta, por julgar que o que debatemos é útil ao esclarecimento político no PS e no país.


"Meu caro Francisco Assis,

Agradeço o seu email de ontem e tomo nota da sua reacção "directa e frontal", como sublinha e como eu aprecio. Reajo também, assim, aos dois erros que me aponta:

1. O de ordem factual:
Diz o Francisco que a decisão sobre o voto do Grupo Parlamentar do PS na passada 6a.feira foi tomada por si. Não duvido, não só porque o diz, mas por ser de esperar que o chefe do Grupo determine orientações de voto.
Como chega o chefe à decisão e como a consensualiza ou impõe, essas são outras questões, uma a montante, outra a juzante. E à questão a montante me referi eu, ao aludir a "ordens de cima".
Pode o Francisco garantir-me que não recebeu, antes de tomar a decisão de instruir a bancada como instruiu, nenhuma orientação de "instâncias governamentais" a recomendar-lhe que determinasse aquele mesmo sentido de voto?

2. Sobre o "direito de avaliar as decisões políticas a partir de um escrutíneo subjectivo de eventuais motivações subjacentes às mesmas".

O Francisco diz que eu o não tenho. Eu acho que tenho - faz parte do exercício da cidadania e até das minhas mais elementares responsabilidades, como deputada eleita. Então uma deputada, uma militante, uma cidadã, não tem o direito de buscar e compreender as motivações subjacentes (individuais ou colectivas) às decisões políticas tomadas pelo seu Partido? Não só tem o direito, como o dever.

E chocando tanto as motivações, como as decisões resultantes, julgo ter o direito, e o dever, de criticar. Em privado, no foro partidário, as mais das vezes, se for a tempo. Em público, quando as decisões políticas e respectivas motivações têm particular gravidade e inegável impacto público. E tiveram ambos, neste caso concreto, desde logo porque 15 deputados socialistas não puderam, em consciência, seguir as indicações de voto do PS e outros fizeram constar como se sentiam desconfortáveis. Tiveram gravidade e impacto, também, porque o posicionamento do PS na AR mostra descoordenação com o PS no Parlamento Europeu e contradiz a orientação do Grupo Político que o PS ali integra.

Mais relevante, ainda, é para mim a essência da posição tomada pelo PS: considero perigoso e contrário ao património do PS e aos interesses de Portugal que a bancada socialista se tenha dissociado de uma condenação na AR do Governo do Presidente Sarkozy (ou qualquer outro) por promover a expulsão colectiva de cidadãos europeus com base na etnia.

Não aceito o argumento da dignidade institucional do Parlamento: se se justificasse, a "real politik" caberia porventura ao Governo, não ao Parlamento. E qualquer jogada de "real politik" tem de conhecer limites morais e éticos.

Aqui teremos, também, perspectivas diferentes: o Francisco considera que "a confusão entre a decisão política e a proclamação moral" constitui lamentável erro e "empobrece a política e não protege a moral". Eu, pelo meu lado, não sei fazer política sem me determinar por considerações morais e éticas. A minha consciência política também é moral e ética. Na minha óptica, imperativos morais e éticos devem prevalecer sobre alianças políticas tácticas, sobretudo quando se opta entre protestar ou guardar silêncio perante um grave precedente de desrespeito pelo direito europeu que envolve violação dos direitos humanos. Essa vertigem da separação entre moral/ética e a política está a cavar, entendo eu, um cada vez maior fosso entre os cidadãos e os partidos políticos.

O Francisco Assis faz-me notar que actuou de acordo com a sua consciência. Tenho muita pena, é o que posso dizer. Tal não afecta, porém, a muita estima e admiração que tenho por si.
Aceite as cordiais saudações socialistas da Ana Gomes.

http://causa-nossa.blogspot.com/

Claro que vieram de cima (2)


Carta do Deputado Francisco Assis
[Publicado por AG]


Recebi ontem à noite do meu camarada Deputado Francisco Assis uma carta sobre o meu post "Socialismo, mas pouco...". Da mesma, esta manhã, já o DN transcrevia excertos. Aqui fica, pois, na íntegra:

Minha Cara Ana Gomes,

Li, há pouco, declarações suas a propósito de uma votação ocorrida na Assembleia da República, na passada 6ª feira, que merecem a minha reacção. Directa e frontal. Como é minha característica e julgo ser sua expectativa.
A Ana Gomes, como qualquer outro cidadão ou cidadã, tem todo o direito de criticar publicamente as orientações de voto do Grupo Parlamentar do PS na Assembleia da República.

O exercício de funções políticas não pode originar qualquer tipo de restrição à liberdade de expressão de quem quer que seja. E não vejo mal nenhum em que as divergências se assumam publicamente. Isso é, aliás, prática corrente num grande partido pluralista e democrático, como é o PS.

Julgo, porém, que o exercício de funções políticas obriga a uma preocupação adicional de rigor e seriedade. Isso faz parte do núcleo das nossas responsabilidades especiais.

E a Ana Gomes não respeitou essas obrigações. Cometeu dois erros que não posso deixar passar em claro.

Um de ordem factual: não é verdade que os deputados do PS tenham votado de acordo com orientações “vindas de cima”, para usar a sua expressão. A decisão foi tomada por mim e devidamente explicitada pela Deputada Maria de Belém Roseira. Tomei-a, na convicção de que a Assembleia da República não deveria aprovar aquele voto em concreto. Ao tomá-la agi de acordo com a minha consciência e entendendo que estava a preservar a dignidade institucional do Parlamento português, sem que daí se pudesse inferir qualquer apoio no Grupo Parlamentar do PS à política prosseguida pelo Presidente francês.

O segundo erro é igualmente grave. A Ana Gomes não tem o direito de avaliar as decisões políticas a partir de um escrutínio subjectivo de eventuais motivações subjacentes às mesmas. Quem lhe atribui o poder de determinar quem age segundo a sua consciência ou aviltando repelentemente a mesma? Que estranho demiurgo fez tal escolha? Com que legitimidade? Em função de que critérios?
A confusão entre a decisão política e a proclamação moral constitui um dos mais lamentáveis erros do nosso tempo. Com gravíssimas consequências. Empobrece a política e não protege a moral.

Minha Cara Ana Gomes aqui fica o meu reparo, que não diminui em nada a estima que lhe dedico e que, como sabe, é muita.

Francisco Assis

http://causa-nossa.blogspot.com/

Renovação tecnológica



Portugal Tecnológico
24 Setembro2010 | 12:03
Leonel Moura - leonel.moura@mail.telepac.pt

Está na moda criticar um tal "deslumbramento tecnológico" que estaria na base do discurso e de muitas iniciativas do atual governo e de alguns setores da nossa vida empresarial e coletiva.
Da distribuição de computadores nas escolas à generalização da Internet na administração pública, tudo serve para lançar alertas contra os malefícios deste alegado súbito fascínio pelo tecnológico.

Para começar, não é certo que exista realmente qualquer tipo de deslumbramento. Viver no nosso próprio tempo não é uma fantasia, mas um imperativo civilizacional. Eventualmente toma-se por deslumbre a adesão imediata a tanta novidade, ou, a insistência na necessidade de mais e mais inovação. Acontece que uma das características das novas tecnologias é precisamente a sua incessante mutação. Ou seja, trata-se de um tipo de conhecimento que só se realiza plenamente através da sua própria superação. Vide, por exemplo, os telemóveis que com uma velocidade vertiginosa passaram de telefone a computador e de computador a interface com múltiplas redes globais.

Por outro lado, estamos perante uma tecnologia que a cada passo abre caminho para um mundo inexplorado de novas possibilidades. Estar atualizado é, por isso, uma condição essencial para se conseguir produzir algo de significativo, ou pelo menos, se fazer parte da conversa. Não se trata de deslumbramento mas de sagacidade e inteligência.

É claro que muita gente se dá mal com esta nova condição tecnológica. Conservadores na política, sobretudo e estupidamente os de esquerda; intelectuais parados no tempo; gente da cultura decadente; meros reacionários de todo o tipo. Contudo, é duvidoso que o asco tecnológico que tanto alimentam possa dar qualquer contributo positivo. Uma reflexão séria sobre as novas tecnologias e os seus efeitos nas vidas e na sociedade só pode ser feita a partir do entendimento pleno dessas mesmas tecnologias. Não é o caso da maioria dos críticos.

Sucede que entretanto os cães ladram e a caravana passa. A Feira do Portugal Tecnológico, que se encontra atualmente na FIL, em Lisboa, é bem reveladora do muito que se tem conseguido fazer, não com deslumbramento, mas com ambição, empenho e conhecimento. O salto é impressionante. Em poucos anos Portugal, de país dependente das ideias dos outros, passou a ser capaz de se colocar na vanguarda da inovação tecnológica em muitas áreas.

Muitas das ideias, invenções e produtos apresentados nesta Feira são inovações em qualquer parte do mundo. A maioria tem, por isso mesmo, vocação global. São, aliás, processos que envolvem empresas, universidades, investigadores e, amiúde, indivíduos e grupos simplesmente com uma boa ideia. Não só portugueses mas em cooperação com parceiros de todo o planeta, pois não há outra forma de realmente inovar. O caldo heterogéneo e combinatório é essencial para a evolução tecnológica atual. Nesse sentido, estas tecnologias são um contributo decisivo para quebrar o isolamento e contrariar a visão nacionalista e fechada que desde Salazar continua a afetar alguma mentalidade local, à esquerda e à direita.

Mas é no plano económico que os efeitos positivos são mais evidentes. A crise que Portugal atravessa, sendo financeira, é sobretudo de modelo de desenvolvimento. A insistência nos velhos mecanismos produtivos já provou que gera mais falências do que riqueza. As dores de adaptação são intensas, mas incontornáveis. Muito do nosso tecido produtivo está obsoleto. Muitas das nossas empresas e atividades são francamente anacrónicas. Só a renovação tecnológica permitirá dar o salto.

Enfim, não se trata de ficar deslumbrado com as novas tecnologias, mas de perceber que elas representam uma oportunidade única de modernização do país e sua participação ativa no curso das coisas do mundo. Quanto mais tempo se gasta em hesitações e resistências mais se perde em talento, criatividade e ímpeto civilizacional. Que não nos faltam. Basta visitar a Feira do Portugal Tecnológico.

sábado, 25 de setembro de 2010

Sinais


http://noticias.sapo.pt/cartoon/