quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Foi castigo
MEMÓRIAS DE UM ADVOGADO
DIREITO POR LINHAS TORTAS
O meu cliente era bom homem, simplório, mas muito cioso do que era seu e dos seus interesses. Tinha havia muitos anos uma pendência com um cunhado, por causa de um terreno comum sobre cuja divisão não conseguiam entender-se, e ele atribuía toda a culpa dessa falta de entendimento ao tal cunhado que, segundo ele, era um malandro, aldrabão e ganancioso.
Baldadas todas as tentativas de acordo amigável, mesmo através de mim e do advogado do cunhado, tornou-se inevitável recorrer a tribunal com uma ação de divisão de coisa comum. Quase no final desse processo, porém, acabou por ser possível, graças à intervenção conciliatória do juiz, chegar a um acordo razoável. Nessa transação ficou estipulado, como é costume, que as custas seriam suportadas a meias por ambas as partes.
Aconteceu no entanto que, por engano do secretário judicial, na conta final do processo foram postas todas as custas a cargo do cunhado do meu cliente. É claro que o advogado deste apresentou reclamação da conta, que tinha todas as condições para ser atendida; porém, tendo este meu colega o seu escritório em comarca diferente daquela em que tinha corrido o processo, a sua secretária, por engano, entregou a reclamação no tribunal dessa outra comarca; e o funcionário que a recebeu não se apercebeu de que ela era dirigida a outro tribunal.
Entretanto, esgotou-se o prazo para a reclamação, pelo que, devido a toda esta sucessão de enganos, o tal cunhado acabou por ter de pagar a totalidade das custas.
O meu colega, sentindo-se indirectamente responsável pelo erro da sua secretária, pediu-me que intercedesse junto do meu cliente para que este, embora sem a isso ser legalmente obrigado, honrasse o compromisso acordado e reembolsasse o cunhado de metade das custas.
Por consideração pelo colega e por achar justa a sua pretensão, convoquei o meu cliente e expliquei-lhe o que tinha acontecido: as custas, conforme o acordado, deveriam ter sido pagas a meias, mas o cunhado tinha tido que as pagar na íntegra devido a uma anómala série de enganos (do secretário judicial, da secretária do meu colega e do funcionário que recebeu a reclamação). E perguntei-lhe se ele, apesar de ninguém a isso o poder obrigar, estaria disposto a cumprir o acordado.
O meu cliente, num primeiro momento, ficou embatucado; era evidente que não tinha vontade de pagar, mas também não queria passar por desonesto. De repente, porém, o seu semblante iluminou-se, os olhos sorriram-lhe e ele sentenciou: “Foi Nosso Senhor que o castigou!”.
E assim, graças a esta invocação da Divina Providência, conseguiu eximir-se airosamente ao cumprimento da palavra dada. Quem éramos nós para contrariar a vontade de Nosso Senhor?
posted by ahp
http://ponteeuropa.blogspot.com/
DIREITO POR LINHAS TORTAS
O meu cliente era bom homem, simplório, mas muito cioso do que era seu e dos seus interesses. Tinha havia muitos anos uma pendência com um cunhado, por causa de um terreno comum sobre cuja divisão não conseguiam entender-se, e ele atribuía toda a culpa dessa falta de entendimento ao tal cunhado que, segundo ele, era um malandro, aldrabão e ganancioso.
Baldadas todas as tentativas de acordo amigável, mesmo através de mim e do advogado do cunhado, tornou-se inevitável recorrer a tribunal com uma ação de divisão de coisa comum. Quase no final desse processo, porém, acabou por ser possível, graças à intervenção conciliatória do juiz, chegar a um acordo razoável. Nessa transação ficou estipulado, como é costume, que as custas seriam suportadas a meias por ambas as partes.
Aconteceu no entanto que, por engano do secretário judicial, na conta final do processo foram postas todas as custas a cargo do cunhado do meu cliente. É claro que o advogado deste apresentou reclamação da conta, que tinha todas as condições para ser atendida; porém, tendo este meu colega o seu escritório em comarca diferente daquela em que tinha corrido o processo, a sua secretária, por engano, entregou a reclamação no tribunal dessa outra comarca; e o funcionário que a recebeu não se apercebeu de que ela era dirigida a outro tribunal.
Entretanto, esgotou-se o prazo para a reclamação, pelo que, devido a toda esta sucessão de enganos, o tal cunhado acabou por ter de pagar a totalidade das custas.
O meu colega, sentindo-se indirectamente responsável pelo erro da sua secretária, pediu-me que intercedesse junto do meu cliente para que este, embora sem a isso ser legalmente obrigado, honrasse o compromisso acordado e reembolsasse o cunhado de metade das custas.
Por consideração pelo colega e por achar justa a sua pretensão, convoquei o meu cliente e expliquei-lhe o que tinha acontecido: as custas, conforme o acordado, deveriam ter sido pagas a meias, mas o cunhado tinha tido que as pagar na íntegra devido a uma anómala série de enganos (do secretário judicial, da secretária do meu colega e do funcionário que recebeu a reclamação). E perguntei-lhe se ele, apesar de ninguém a isso o poder obrigar, estaria disposto a cumprir o acordado.
O meu cliente, num primeiro momento, ficou embatucado; era evidente que não tinha vontade de pagar, mas também não queria passar por desonesto. De repente, porém, o seu semblante iluminou-se, os olhos sorriram-lhe e ele sentenciou: “Foi Nosso Senhor que o castigou!”.
E assim, graças a esta invocação da Divina Providência, conseguiu eximir-se airosamente ao cumprimento da palavra dada. Quem éramos nós para contrariar a vontade de Nosso Senhor?
posted by ahp
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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Seria bom.
Na minha próxima vida, quero viver de trás para a frente.
Começar morto, para despachar logo o assunto.
Depois, acordar num lar de idosos e ir-me sentindo melhor a cada dia que passa.
Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a reforma e começar a trabalhar, recebendo logo um relógio de ouro no primeiro dia.
Trabalhar 40 anos, cada vez mais desenvolto e saudável, até ser jovem o suficiente para entrar na faculdade, embebedar-me diariamente e ser bastante promíscuo.
E depois, estar pronto para o secundário e para o primário, antes de me tornar criança e só brincar, sem responsabilidades. Aí torno-me um bébé inocente até nascer.
Por fim, passo nove meses flutuando num “spa” de luxo, com aquecimento central, serviço de quarto à disposição e com um espaço maior por cada dia que passa, e depois – “Voilà!” – desapareço num orgasmo.
Woody Allen
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Contas com Jorge e...

Serviço Nacional de Religião.
Comunicado da Associação Ateísta
À comunicação social:
A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) vem por este meio alertar para as intenções expressas pela Ministra da Saúde, Ana Jorge, no Encontro Nacional da Pastoral da Saúde que decorre em Fátima.
Defende a Sra. Ministra que compete ao Estado garantir a “assistência espiritual” aos doentes atendidos em casa pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS).
A AAP opõe-se a tal medida pela ingerência estatal em matérias do foro privado, pelo encargo adicional ao SNS, e por ferir o bom senso, um recurso especialmente precioso em tempos difíceis como os que vivemos.
A assistência religiosa, também denominada espiritual por quem assume a existência de espíritos, é um direito individual que a AAP reconhece e defende. Mas é parte integrante da vida das pessoas, e não uma técnica terapêutica.
Nenhum médico vai receitar duas doses de Budismo para a garganta inflamada ou uma semana de Cientologia para tratar uma entorse. A quantidade e tipo de religião que cada um toma, se alguma quiser, não é função nem do tratamento nem da doença. Resulta apenas das suas preferências pessoais.
Além disso, qualquer religião que o seja vê no sacerdócio uma vocação e não um serviço remunerado. A assistência religiosa faz parte da relação pessoal entre o crente e a sua comunidade religiosa, e é nesse contexto que deve ser prestada.
Assim, a Sra. Ministra propõe a solução errada para um problema que nem sequer existe, pois nada impede que os doentes recebam apoio religioso em suas casas.
Afinal, muitas religiões vão a casa das pessoas mesmo quando ninguém lhes pede que o façam. Com certeza também irão a casa ou ao hospital consolar os crentes que o queiram sem que o Estado tenha de pagar a deslocação e o serviço.
É também falsa a afirmação da Sra. Ministra que a assistência religiosa não interfere na assistência médica. É falsa porque os recursos são escassos. Quando um número crescente de portugueses não consegue sequer comprar os medicamentos de que precisa, é óbvio que os ordenados dos sacerdotes nos custam em saúde.
Isto tanto para o plano de pagar do erário os serviços religiosos porta-a-porta, como para os sacerdotes que, em hospitais por todo o país, já hoje subtraem o seu ordenado a um orçamento que nem para medicamentos chega.
Finalmente, a religião é um assunto pessoal. Não é à burocracia ministerial que compete decidir que religiões são subsidiadas, quanto cada uma recebe, em que zonas há subsídios para esta ou aquela e assim por diante.
A AAP condena este novo plano da Ministra da Saúde, bem como a situação lamentável das capelanias hospitalares, por fingir resolver um problema que não existe, pela intromissão indevida do Estado numa matéria tão pessoal e pelo desperdício inaceitável de recursos escassos.
Associação Ateísta Portuguesa – Odivelas, 27 de Novembro de 2010
posted by Carlos Esperança
domingo, 28 de novembro de 2010
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Amen...
Que Merda é esta senhora ministra !?
Ministra da Saúde quer assistência religiosa em casa dos doentes
Aplicação da regulamentação sobre o acompanhamento espiritual ainda está por fazer em parte da rede hospitalar do SNS
A ministra da Saúde, Ana Jorge, afirmou esta Terça-feira que é preciso garantir a assistência espiritual nos tratamentos de saúde prestados em casa dos doentes, caso seja essa a sua vontade.
O aumento do envelhecimento da população e das doenças crónicas têm conduzido a “uma aposta” nos cuidados domiciliários, que devem incluir a dimensão religiosa, afirmou a responsável na abertura no 23.º Encontro Nacional da Pastoral da Saúde.
A proposta é convergente com uma das prioridades defendidas pelo coordenador da Comissão Nacional da Pastoral da Saúde, Mons. Vítor Feytor Pinto.
Em declarações à Agência ECCLESIA, o sacerdote afirmou ser preciso “passar da ideia de que toda a Pastoral da Saúde se realiza, em termos de espiritualidade, nos hospitais, para uma concepção de que o trabalho realizado no domicílio é muito mais importante e deve ser realizado pelos cuidados paroquiais”.
Mons. Feytor Pinto lamentou as dificuldades sentidas pelas comunidades paroquiais para estruturar um acompanhamento mais próximo dos doentes, dado que durante muito tempo a sua Pastoral da Saúde concentrava-se “em dar os sacramentos na parte final da vida”.
Ana Jorge referiu-se igualmente à necessidade de alargar a assistência espiritual e religiosa a toda a rede hospitalar do Serviço Nacional de Saúde, um objectivo já previsto na lei mas ainda por concretizar, apesar dos “inegáveis” progressos alcançados.
Na sua intervenção, a ministra aplaudiu os esforços realizados na humanização dos cuidados de saúde e na valorização da espiritualidade no processo terapêutico: “Portugal tem, também nesta matéria, motivos de orgulho pela abordagem que tem feito a esta questão”.
Depois de reiterar que a “assistência espiritual e religiosa em nada enfraquece a dimensão científica da terapêutica”, não havendo entre essas dimensões “qualquer incompatibilidade”, Ana Jorge realçou que “olhar para o doente e não apenas para a doença é um imperativo dos serviços de saúde”.
O Encontro Nacional da Pastoral da Saúde, dedicado ao tema “Espiritualidade em saúde: novos desafios”, decorre em Fátima até Sexta-feira.
Nacional | Rui Martins | 2010-11-24 | 13:30:00 | 2708 Caracteres | Pastoral da saúde
http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?&id=82832
Abdurdos
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Onde ?
A partir de agora vai ser mais facil.
Obrigado ao Amigo que me enviou esta dica por émail
http://www.vpike.com/
PS: também funciona com TLM.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Investimento da treta
Quem te manda sapateiro, copiar o discurso de Ramos Horta ?
SÓCRATES DIZ QUE COMPRA DA DÍVIDA IRLANDESA É UM INVESTIMENTO
«José Sócrates falava aos jornalistas no Parque das Nações, depois de interrogado sobre os custos financeiros que Portugal terá de suportar por a Irlanda ter decidido agora recorrer ao fundo de estabilização da União Europeia.
Na resposta, o primeiro-ministro aproveitou para contrapor que a operação que será realizada com Dublin "não se tratará de qualquer ajuda":"Não há ajuda à Irlanda, nem houve ajuda à Grécia, porque isto é um investimento, porque o fundo europeu compra dívida desses países. Ora, quando se compra dívida, está a fazer-se um investimento nos países, que pagam juros", justificou.» [DN]
Parecer:
Pois é, Portugal compra dinheiro para depois o vender à Irlanda.
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Sócrates quanto vai ganhar Portugal com este investimento.»
http://jumento.blogspot.com/
terça-feira, 23 de novembro de 2010
domingo, 21 de novembro de 2010
esterco no cérebro, provoca cegueira !
serà que os antifascistas de ontem querem um manholas?
Palavras em Rangum
A televisão trouxe a notícia da libertação de Aung San Suu Kyi, e é claro que fiquei satisfeito. Sou em princípio a favor de todas as libertações, mas talvez desta ainda mais do que é costume.
Não por Suu Kyi ser Prémio Nobel da Paz e Prémio Sakarov: na verdade são galardões que pela sua própria história me inspiram alguma desconfiança e dispenso-me de explicar porquê.
Mas acontece que Suu Kyi é mulher e que para mais tem aquele arzinho fisicamente frágil que nos dá cuidados quando a imaginamos presa. É certo que na sua própria residência, que é capaz de ser mais confortável que a minha.
Mas imagino que deve ser terrível para uma mulher, para mais senhora de boa disponibilidade financeira, não poder sair de casa para ir às compras no hipermercado mais próximo.
Não sei, é claro, se há algum hipermercado nas proximidades da residência de Aung San Suu Kyi, mas é praticamente certo que o haverá em tempo próximo, quando a democracia por ela desejada chegar enfim a Mianmar, pois é também para isso, para a abundante instalação de hipermercados, que a democracia serve, também para isso foi reinventada. Nem sequer sei se a excelente senhora vive em Rangum, capital do seu país, ou pelo menos nos seus imediatos arredores.
O que julgo saber, pelo que em tempos foi noticiado, é que residirá à beira de um lago, pois um cidadão norte-americano o terá atravessado a nado para visitá-la em sua casa e lá se demorar um ou dois dias. Parece uma estória de filme romântico, mas foi o que então foi divulgado com fundamento ou não.
Também pode lembrar enredo de filme de espionagem, não sei. Mas sei ou julgo saber que os norte-americanos são danadinhos para qualquer destas práticas, romantismo, espionagem e natação, pelo que me inclino a acreditar na proeza então divulgada.
Virá aliás a propósito lembrar que Suu Kyi tem muitos e antigos vínculos culturais e sentimentais com o mundo anglo-saxónico: casou com um inglês de quem infelizmente enviuvou, estudou Política em Oxford, trabalhou durante largo tempo nos Estados Unidos. Compreende-se que toda essa experiência lhe tenha ensinado a democracia tal como é entendida no Ocidente Atlântico, contribuído decisivamente para a sua militância e até para a atribuição dos Sakarov e Nobel exibidos pela sua biografia.
Com inicial minúscula
Entretanto, fui particularmente sensível a uma declaração de Aung San Suu Kyi que a televisão reportou: disse ela que «democracia é a liberdade de expressão». Sábias palavras, decerto, ainda que não totalizando todas as condições para uma situação democrática.
De qualquer modo, aconteceu que as palavras proferidas por Suu Kyi em Rangum ou arredores tiveram o condão de me levar a pensar no meu País, na liberdade de expressão e na democracia. A pensar de uma certa maneira: com escassa dose de reconforto, até com uma concreta e amarga desconfiança, a de que não vivo em democracia.
Porque, como bem já se terá adivinhado, não acredito que haja no meu País uma verdadeira e factual liberdade de expressão. É certo que foi extinta há anos a Comissão de Censura, ou de Exame Prévio: bem me lembro desse dia distante, por sinal estávamos na mesma rua, eu e os senhores censores, quando isso aconteceu. Na mesma rua, mas quase simbolicamente em passeios opostos. Não há, pois, Censura com inicial maiúscula. Mas há muitas censuras com inicial minúscula que são tanto ou mais eficazes que a extinta, e sei bem delas.
Sei como é difícil ser jornalista sem comungar do entendimento de democracia tido, presumivelmente, por excelentes senhoras como Aung San Suu Kyi e óptimos cavalheiros como os que a patrocinam. Sei como poderes económicos e/ou políticos podem fazer encerrar um jornal mediante o mero mas eficaz boicote na área publicitária.
Sei como um partido político que é alvo quotidiano de imposturas, distorções e calúnias, é de facto impedido de se defender eficazmente nos mesmos lugares onde é agredido.
Sei como candidatos a trabalhar em certas redacções são sujeitos a uma espécie de prévia inspecção ideológica que será determinante para a sua eventual admissão. Sei isso e mais alguma coisa.
E, sabendo-o enquanto lembro as palavras de Suu Kyi, quase começo a desejar que um dia destes, agora que a senhora está livre, passe por cá. Para nos ajudar a aceder à democracia com o requisito por ela própria definido.
escriba: Correia da Fonseca
http://www.avante.pt/pt/1929/argumentos/111318/
Começa assim...
Deixa cà fazer um último post
f.
começou com a proibição da manifestação contra o presidente da china, a pretexto de existir já outra manifestação autorizada (de sinal contrário) para o momento e zona; agora é a interdição de entrada em portugal de cidadãos europeus apenas por terem 'roupa preta' (!!!!!!) ou 'tarjas e tshirts anti-nato'.
oiço no noticiário da sic que um autocarro cheio de finlandeses foi impedido de entrar no país 'por tencionarem vir manifestar-se contra a nato'. devo estar muito mal informada sobre as leis e assim, porque não conhecia esta cena do estado de sítio sem declaração do estado de sítio.
julgava, inclusive, que o direito à livre circulação dos cidadãos europeus era assim a modos que um direito -- daqueles que criam deveres às autoridades no sentido de os respeitarem; e julgava que o direito à manifestação estava consagrado na nossa constituição.
não sabia que o direito à manifestação era só para portugueses, que o uso de roupa preta tinha sido ilegalizado (ooops, estou toda de preto, não chamem a polícia) e que, basicamente, aquela coisa que costumamos dizer -- está tudo doido -- era mesmo para levar a sério.
ah, e pormenor: tenho para mim, até porque é público, que as cenas mesmo a sério, daquelas tipo atocha, twin towers e metro de londres, não costumam ser feitas por malta que viaja de autocarro em grupo com tshirts e chega no dia anterior aos acontecimentos.
um pouco de jornalismo também dava jeito. quando uma jornalista pergunta por que raio não podem entrar os finlandeses e alguém responde 'porque tinham tshirts', talvez não fosse descabido perguntar 'e isso infringe que norma legal, pode-me explicar?'
http://jugular.blogs.sapo.pt/
f.
começou com a proibição da manifestação contra o presidente da china, a pretexto de existir já outra manifestação autorizada (de sinal contrário) para o momento e zona; agora é a interdição de entrada em portugal de cidadãos europeus apenas por terem 'roupa preta' (!!!!!!) ou 'tarjas e tshirts anti-nato'.
oiço no noticiário da sic que um autocarro cheio de finlandeses foi impedido de entrar no país 'por tencionarem vir manifestar-se contra a nato'. devo estar muito mal informada sobre as leis e assim, porque não conhecia esta cena do estado de sítio sem declaração do estado de sítio.
julgava, inclusive, que o direito à livre circulação dos cidadãos europeus era assim a modos que um direito -- daqueles que criam deveres às autoridades no sentido de os respeitarem; e julgava que o direito à manifestação estava consagrado na nossa constituição.
não sabia que o direito à manifestação era só para portugueses, que o uso de roupa preta tinha sido ilegalizado (ooops, estou toda de preto, não chamem a polícia) e que, basicamente, aquela coisa que costumamos dizer -- está tudo doido -- era mesmo para levar a sério.
ah, e pormenor: tenho para mim, até porque é público, que as cenas mesmo a sério, daquelas tipo atocha, twin towers e metro de londres, não costumam ser feitas por malta que viaja de autocarro em grupo com tshirts e chega no dia anterior aos acontecimentos.
um pouco de jornalismo também dava jeito. quando uma jornalista pergunta por que raio não podem entrar os finlandeses e alguém responde 'porque tinham tshirts', talvez não fosse descabido perguntar 'e isso infringe que norma legal, pode-me explicar?'
http://jugular.blogs.sapo.pt/
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
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