quinta-feira, 24 de março de 2011

PS... à vista


Assim vai o PS...

Crise política? qual crise?
Crise europeia? E isso o que é, a Europa?
E para que servem deputados europeus? para decorar cartazes nas eleições europeias, está visto!

Porque para serem regularmente consultados sobre para onde vai ou não vai a Europa, sobre o que Portugal faz, não faz ou devia fazer na Europa, sobre como vamos de crise financeira, e como saimos desta crise política em concreto, deputados europeus não servem para nada, deve achar este PS.

E por isso eles não são sequer, por sistema, convocados para reuniões da Comissão Política. Incluindo esta, extraordinária, que a esta hora está em curso em Lisboa.
Ou será que a este PS, que se esmera em encenações de abertura nas "Novas Fronteiras", bastam as sensibilidades dos eurodeputados já alinhados como membros da Comissão Política e do Secretariado Nacional?

Pois esta direcção do PS dispensará bem ouvir-me, como deputada europeia, numa crise nacional de gravidade sem precedentes e implicações para a Europa e para o papel de Portugal na Europa.

Mas eu é que não dispenso dizer à direcção do PS o que tenho a dizer. Nos órgãos próprios. Ou fora deles.

Publicado por AG
http://causa-nossa.blogspot.com/

Nada é impossivel !


Préstimo

Aquilo que até agora se julgava impossível, afinal verificou-se.

Comunistas e bloquistas resolveram dar o seu prestimoso contributo à direita para derrubar o Governo, sabendo que o resultado mais provável é entregar o poder à direita (PSD+CDS), a executar um programa político imposto pelo FMI.

No seu ódio de estimação ao PS a esquerda radical acaba bengala da direita. Que lhes faça bom proveito!

Publicado por Vital Moreira
http://causa-nossa.blogspot.com/

Quem faz a revolução ?



Mélenchon: " Há que vergar o tirano antes que ele vergue a revolução"



Em entrevista ao Libération, Jean-Luc Mélenchon, eurodeputado do GUE/NGL, candidato presidencial francês e copresidente do Parti de Gauche, que com os comunistas franceses faz parte da Frente de Esquerda, responde a perguntas sobre a Líbia. Alguns excertos:

Porque apoia os ataques aéreos na Líbia?

A primeira questão que temos de nos colocar é a seguinte: há um processo revolucionário no Magreb e no Médio Oriente? Sim. Quem faz a revolução? O povo. É pois decisivo que a vaga revolucionária não seja quebrada na Líbia. Bastaria que Kadhafi ganhasse para que a mensagem passasse a ser: "aquele que bater durante mais tempo e com mais força no seu povo durante uma revolução, ganhou". Ora isto seria um sinal desastroso, uma vitória da contra-revolução! A minha posição é constante: sou partidário de uma ordem internacional garantida pelas Nações Unidas.

Mas conhecemo-lo bastante mais crítico contra as intervenções militares… porque votou favoravelmente, por exemplo, a resolução no Parlamento Europeu?

Esta resolução, apresentada pelos socialistas, os verdes, uma parte da direita e assinada pelo presidente do meu grupo [GUE/NGL], Lothar Bisky, membro do partido alemão Die Linke, pedia à Comissão Europeia que estar pronta caso houvesse uma decisão da ONU. Votei sim por essa razão. Aprovo a ideia de que há que vergar o tirano para o impedir de vergar a revolução.

No seu campo nem toda a gente é favorável a esta intervenção. Os comunistas em particular têm denunciado o risco de uma escalada…

Claro que há o risco de um escalda, mas antes disso temos o risco de um massacre! Aprovo então o mandato da ONU, mas não mais do que isso. Sou contra uma intervenção em terra. Não estamos em guerra contra a Lìbia. Peço-lhe que compreenda: a última palavra não pode pertencer à força contra a revolução! E quais são as alternativas? Não é com comunicados que se pode abater um ato ou destruir um tanque! Se a Frente de Esquerda governasse a França, teríamos ficado a ver a revolução líbia estrebuchar como os nossos antecessores ficaram a ver os revolucionários espanhóis morrer? Não. Interviríamos directamente? Não. Teríamos ido à ONU pedir um mandato. Exatamente o que foi feito.

A sua posição não é coincidente com a sua oposição à Guerra do Golfo, em 1991, às intervenções no Kosovo e no Afeganistão…

Há uma diferença fundamental! Todas essas guerras se fizeram através de uma decisão unilateral da NATO. No caso presente, pelo contrário, a intervenção faz-se com mandato da ONU. Ora isso é decisivo: não há ordem internacional sem passar pela ONU.

No caso da Líbia, concorda com o direito de ingerência…

Não. O direito de ingerência não existe e eu espero que nunca venha a existir. O que conta, para mim, é a referência ao dever de protecção da sua população por parte de um governo. Kadhafi dispara sobre a sua população. Em nome do dever de protecção, a ONU pede para intervir

por Daniel Oliveira
http://arrastao.org/

Palavras para quê ?


"São artistas portugueses, e lavam a dentuça com pasta medicinal Tonto"

Enfim... casaram-se !


Com uma unanimidade de voto até agora desconhecida, nunca os arautos do "progresso" estiveram tão pròximos.
Eu não quero ser o padrinho deste mòrbido casamento!



Os quatro partidos da oposição(sem melancias), para além de nunca terem aceite discutir sobre a possibilidade de alternativas politicas com um governo minoritàrio, decidiram chumbar o unico projeto que era forçoso apresentar em bruxelas.

O famigerado PEC4, pode muito bem ser um mau projeto mas, tinha o mérito e a coragem de escolher um percurso econòmico que evitasse o pior.

Neste momento, a finança estrangeira, assim como o fmi agradecem. Alguém vai ter de pagar, e como de costume jà sabemos quem vai ser.

Qual foi o partido da oposição que defendeu alternativas para evitar a intervenção externa ? Alguém, com um palmo de testa e minimamente honesto, poderà explicar ?

Socrates cometeu erros, a trabalhar. A oposição comete o erro de não trabalhar.
Que venham as eleições, o voto serà soberano !

Veremos se esta aliança entre o fmi e a oposição vai ser melhor para Portugal e os portugueses.

Provavelmente teremos os verdes a dizerem que "é terra queimada mas da boa", e os encarnados a dizerem que é biològica.

Gostava que Sòcrates não se candidatasse a secretàrio do PS nem a 1° ministro, mas... as coisas da politica nem sempre são como eu gostaria que fossem.

Boa sorte para os que estão na mò de baixo, o mexilhão, e champagne para a oposição/ fmi.

segunda-feira, 21 de março de 2011

A menina dança ?...

Parque roubado ao mar.

AGU Blogosphere | The Landslide Blog | Liquefaction from the Sendai earthquake - a remarkable video

São figo$ senhor, são figo$...

BPN PAGOU A FIGO E A SCOLARI ATRAVÉS DE SACO AZUL

«O ex-futebolista Figo e o ex-seleccionador nacional de futebol Scolari receberam centenas de milhares de euros da SLN, que detinha o BPN, através da offshore Jared, que funcionava como saco azul do grupo dirigido por Oliveira Costa, disse uma testemunha no julgamento.

Ouvido hoje como testemunha de acusação, o inspector tributário Paulo Jorge Silva, que participou na investigação, exibiu um documento apreendido durante uma busca em que Luís Figo e Luís Filipe Scolari aparecem numa vasta listagem de pagamentos feitos pelo grupo SLN (Sociedade Lusa de Negócios) através da offshore Jared Finance, que servia de saco azul para «fazer pagamentos por fora», conforme relatou o responsável das Finanças.

A tabela de pagamentos feitos através da conta da Jared no Banco Insular de Cabo Verde permite observar que Scolari recebeu quase 800 mil euros relativos à utilização da sua imagem pelo BPN, enquanto Luís Figo recebeu duas tranches - uma de quase 125 mil euros pela cedência de direitos de imagem e outra superior a 261 mil euros relativa ao contrato de imagem Figo-Real Madrid.

De acordo com o inspector das Finanças, estes pagamentos foram feitos através de contas que Figo e Scolari detinham em offshores, havendo o interesse de ambas as partes em não declarar as quantias recebidas. » [Sol]

Parecer:
Se fosse só o BPN...

O interessante desta notícia é o facto de se ficar a saber que o Figo também tinha a sua off-shore para possibilitar os pagamentos "por fora". Aliás, tal como sucede com muito boa gente da praça Figo tinha uma off-shore para os recebimentos tal como também tem uma fundação que dá muito jeito para as despesas.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento à DGCI.»

http://jumento.blogspot.com/

sábado, 19 de março de 2011

sexta-feira, 18 de março de 2011

Kadafi na corda bamba...


Conselho de Segurança da ONU aprovou medidas de exclusão aérea na Líbia...

Esta resolução vai determinar que, dentro de poucas horas, uma coligação de forças mandatada pela ONU começará a atacar preventivamente as defesas aéreas líbias, tentando evitar a queda de Benghazi para as forças de Kadafi.

O prolongamento da "guerra civil" [ou o início de uma "guerra tribal"] parece inevitável. Como provável pode vir a ser a hipótese de uma eventual escalada bélica das forças de intervenção internacionais neste País...
O velho aforismo sobre os conflitos armados aplica-se aqui: sabe-se quando começa uma guerra, ninguém sabe como (nem quando) termina…

Pelo que, a par de um conflito militar eminente, é imperioso que a ONU desenvolva, desde já, intensos esforços diplomáticos que possam travar as constantes e exponenciais perdas de vidas na população civil ... e controlar o impressionante e gigantesco drama humanitário que, ao longo de 1 mês, se foi instalando e avolumando, na Líbia e nos países limítrofes.

Nas próximas horas o Mediterrâneo vai viver momentos de grande tensão [e confusão] política e militar...

posted by e-pá!
http://ponteeuropa.blogspot.com/

quarta-feira, 16 de março de 2011

"A Bola"

50 anos de vergonha

50 anos depois do início das guerras coloniais, alguns dados para avivar a memória

Entre 1961 e 1974, Portugal, onde vigorava um regime ditatorial, levou a cabo guerras coloniais em três frentes de combate. Segundo números oficiais, ao chegar-se a 1974 - ano em que foram mobilizados 150 mil efectivos militares para o esforço de guerra em África -, já havia treze anos que a guerra durava em Angola, onze anos na Guiné e dez em Moçambique. Vejam-se alguns dados para memória presente e futura:

- A guerra sorveu entre 7 a 10% da população portuguesa e mais de 90% da juventude masculina. Ainda em termos de gastos humanos, durante os treze anos de guerra, morreriam mais de 8 mil homens e ficariam feridos ou incapacitados cerca de 100 mil portugueses.

- Segundo dados do Estado-Maior General das Forças Armadas (EMGFA), morreram de várias causas 8.831 militares portugueses, dos quais 4.027 em combate, respectivamente 23% do contingente "metropolitano" e 77% dos soldados recrutados nas próprias colónias

- Das quase nove mil baixas das Forças armadas portuguesas, que representavam 1 % do número total de combatentes nos três teatros de guerra, 3.455 ocorreram em Angola, 3.136 em Moçambique e 2.240 na Guiné.

- A quase totalidade dos mortos – mais especificamente 8.290 dos 8.831 - pertenciam ao Exército, 346 eram elementos da Força Aérea e 195, da Marinha de Guerra.

- Ao número de combatentes mortos, deve-se acrescentar as vítimas mortais de civis brancos e negros, tanto entre os guerrilheiros dos movimentos de libertação como entre a população civil. Mais de mil civis portugueses foram mortos, mais de metade dos quais nos massacres perpetrados pela UPA, em 1961, em Angola, enquanto o número mínimo de mortos africanos terá totalizado os cem mil.

- Por outro lado, as guerras coloniais provocaram ferimentos e deficiências físicas em cerca de vinte mil militares portugueses, dos quais 5.120 com grau superior a 60 por cento. Entre os africanos, não existe contabilização, mas pode-se aventar a hipótese quase certa de que o número foi muito superior.

- Relativamente aos que foram psicologicamente afectados pela guerra, embora o número seja contestado, os psiquiatras Afonso de Albuquerque e Fani Lopes contabilizaram 140.000.

- Além disso, as guerras em Angola, na Guiné e em Moçambique sorveram avultados meios financeiros, calculando-se que, durante os treze anos, uma média de 33% do Orçamento do Estado tivessem sido canalizados para a «defesa» e que, nos anos 60, foram mesmo ultrapassados os 40%.

No final de 1964, Portugal já mantinha nos quadros de guerra em África 85 mil militares, respectivamente cerca de 52 mil, em Angola, 18 mil, em Moçambique e 15 mil na Guiné. Em 15 de Outubro de desse ano, o DL n.º 45 308 considerou puníveis, como em tempo de guerra, os crimes previstos na legislação penal militar praticados nas «províncias ultramarinas», enquanto nelas decorressem operações militares ou de polícia destinadas a combater determinadas perturbações ou ameaças.

Os jovens portugueses eram obrigados a cumprir o serviço militar, que durava entre dois a quatro anos, incluindo a recruta e uma comissão de serviço de cerca de dois numa colónia africana em guerra. Alguns deles não compareceram à inspecção ou tornaram-se refractários ou desertores, saindo clandestinamente do país, a caminho do exílio.

- Uma informação da delegação de Coimbra da PIDE/DGS deu conta que, em 1971, muitos «mancebos» de todas as classes sociais não tinham levantado as guias de marcha para se apresentarem nas unidades de incorporação.

- Por seu turno, o próprio EMGFA afirmou, em Maio desse ano, que 25% do total de recenseados faltavam ao cumprimento do serviço militar.

- Segundo números oficiais divulgados em Maio de 1974 teria havido, durante os treze anos de guerra, entre cerca de 110 a 170.000 jovens faltosos ao serviço militar, refractários e desertores.

by: Irene Pimentel
http://jugular.blogs.sapo.pt/

“Salve-se quem puder”

É precisa uma pedrada no charco.

A crise do país é profunda. Financeira, económica, política, social, cultural.

Há uma crise financeira, porque não produzimos à medida do que gastamos. Bem sei que há hoje muita gente a passar mal, mas há anos que vejo a quantidade de roupas, brinquedos, electrónica de entretenimento, acessórios de embelezamento, et cetera, em aquisição glutona por quem não tem sequer dinheiro para comer bem ou educar-se e educar os seus filhos.

E que se endivida para comprar porcarias ou para pagar bens e serviços que, sendo valiosos em si mesmos, não devem tomar o lugar das primeiras necessidades. Por trás dessa crise financeira há, em parte, uma crise económica, até certo ponto devida ao domínio do financeiro sobre o económico, mas também devida a agentes económicos irresponsáveis do ponto de vista social: todos achamos que a culpa é do outro.

Entre os “empresários”, ainda dominam largamente os “patrões”, que se estão nas tintas para o interesse do país, para os direitos e a qualidade de vida dos trabalhadores que lhes dão a vida a ganhar. Ao nível do país, a qualificação média dos empregadores continua a ser inferior à qualificação média dos empregados, mas isso está legitimado por um discurso social que valoriza mais comprar uma playstation do que concluir uma formação profissional e académica sólida.

Entre os assalariados, é grande a massa dos que pensam que aquilo que a empresa lhes deve pagar não tem nada a ver com aquilo que eles produzem. A vozearia dos que pedem subsídios ou isenções para qualquer empresa, sem demonstração de que essa empresa é económica e socialmente responsável, junta-se amiúde à vozearia dos que clamam por intensa fiscalização a quaisquer dez euros que o Estado dê a uma família carenciada.

Há uma crise política, porque vivemos num permanente jogo de sombras. Uma certa esquerda, que sempre foi anti-europeia, tem agora imensas ideias acerca de como a Europa nos deve ajudar. Uma certa direita clama contra a austeridade, ao mesmo tempo que vai lançando quase-programas de governo que implicam mais austeridade e mais salve-se quem puder e mais cada um por si.

Há umas vozes que, clamando contra os mercados sem especificar como nos podemos livrar deles, vendem a ilusão de que podemos simplesmente deixar de pagar as nossas dívidas - faltando-lhes, contudo, a coragem para explicar como viveríamos só com o que produzimos actualmente (deveriam dizer que, só com o dinheiro que é nosso, teríamos de voltar para o campo e produzir a nossa própria alimentação).

Há uma crise social, porque o “passa culpas” é generalizado. Só um exemplo: quantas famílias vêem os seus filhos abandonar precocemente a escola, ou arrastar percursos escolares de insucesso arrasador, e acusam o resto do mundo pelo facto, não se questionando um segundo acerca do que deveriam fazer melhor para desenhar as coisas de outro modo? A sociedade da desresponsabilização – alimentada pelo apontar do dedo “aos políticos” como os primeiros ou únicos culpados – é uma sociedade infantilizada, por isso incapaz de tomar em mãos o seu próprio caminho.

É uma sociedade que espera um pai, um messias… ou um ditador. Uma sociedade doente, portanto. Há uma crise social, porque a sociedade está mobilizada para criticar, mas não para resolver. Há centenas de milhares que saem à rua (com toda a legitimidade) para criticar a avassaladora precariedade que inunda a sociedade portuguesa, precariedade que é um verdadeiro atentado à liberdade e dignidade individual, mas a maioria dos manifestantes acham que o governo é o principal, único, grande responsável por isso.

Não lhe passa pela cabeça que deveriam exigir às associações patronais e aos sindicatos que se deixem de rodriguinhos e concluam verdadeiros acordos sociais para organizar o mercado de trabalho de outra maneira, com mais produtividade e mais segurança, com mais justiça e melhores resultados económicos. Uma “geração” que não percebe que isso passa por uma luta social mais micro, e menos contra os alvos políticos fáceis e mediáticos, não é uma geração rasca nem à rasca: é uma “geração” atomizada, onde a solidariedade e o combate deixaram de ser concretos e se ficam pela vozearia e pela rua (sem que, de algum modo, eu lhes queira negar o direito à rua).

Os sindicatos e o patronato funcionam como uma espécie de partidos políticos disfarçados, que falam do que lhes não cabe na mesma linguagem dos políticos, e as gerações aflitas nem se apercebem de que isso lhes retira o verdadeiro plano da luta social e económica que deveria valer a pena. A luta social, transformada numa luta a favor ou contra o governo, convém às oposições incapazes de falar verdade, mas manieta a própria luta social, retirando-lhe horizontes e possibilidades.

Há uma crise cultural, porque se tornaram hegemónicos os discursos simplistas, os discursos que separam os diagnósticos das propostas alternativas. A união das forças políticas e mediáticas faz-se em torno do “isto está péssimo” – e esse é o discurso que ganha festivais da canção tal como ganha um coro de oposições no parlamento, tal como ganha as conversas de café ou os bitaites de intelectuais encartados.

Que, depois, essa união seja impossível de traduzir em programas, em caminhos, em alternativas, parece não afligir ninguém. Quando esse deveria ser o ponto central da aflição: o não estar a emergir uma via de saída alternativa, mas apenas discursos com pressupostos contraditórios, incapazes de produzir outra governação, é o abrigo da demagogia irresponsável. Essa não é já uma questão política.

Em política desenham-se caminhos diferentes e os cidadãos escolhem que caminho seguir. Estamos a um nível mais profundo de degradação: a ética do debate apodreceu. O assumir da responsabilidade pelas próprias propostas, o colocar no espaço público os dados da discussão para ela poder acontecer – são factores prévios ao próprio exercício político, que estão ausentes.

Face a isto, é preciso um sobressalto. O governo está a tentar a porta estreita: obter dos parceiros europeus a possibilidade de uma ajuda que nos retire das mãos do homem do fraque (ou do dono do “prego”) e nos dê algum tempo. As receitas da Grécia e da Irlanda não estão a resolver problema nenhum, pelo que a esperança de Passos Coelho (que venha uma intervenção externa para o PSD poder governar com o programa do FMI) é fútil.

Sócrates, que continua com a atitude do combatente – fazer tudo o que pode para contrariar a maré – tem de saber que, do ponto de vista estrutural, nada pode estar substancialmente melhor nos próximos dez anos. E, certamente, o PS não pode aspirar a ficar no governo até “isto mudar”: o PS já está no governo há tempo demais, se contarmos desde 1995 e descontarmos a dinastia Barroso-Santana.

E, em boa verdade, o governo do PS está a ser manietado pela direita europeia, dominante nos governos da UE, na Comissão Europeia, no BCE e sei lá onde mais - direita europeia essa que está a impor as suas políticas de destruição do Estado Social aos países aflitos em troca de uma eventual possível futura ajuda.

Está, pois, na hora, de obrigar cada um a assumir as suas responsabilidades. Não vale a pena conversar com o PSD, porque o PSD não existe. Existe Passos Coelho, que quer qualquer coisa que evite a descida de Rui Rio à capital, e cujo principal exercício político é disfarçar. Disfarçar as políticas que quer tentar, resumidas no “salve-se quem puder”.

Existe Rui Rio e os que querem um PSD “credível” para tomar conta da intendência, mas que ainda não acabaram de ultimar o plano de assalto ao palácio de inverno. E existe o chefe da oposição, que reside oficialmente em Belém.

Assim sendo, Sócrates, como PM e SG do PS, deve ir a Belém e dizer a Cavaco Silva: “o senhor Presidente acha que os portugueses não podem fazer mais sacrifícios; os seus aliados nas instituições europeias passam os dias a exigir-me que peça mais sacrifícios aos portugueses; os seus aliados nos partidos portugueses concordam consigo que isto vai lá sem mais sacrifícios – e eu não estou a ver como; o senhor Presidente teve a sua manifestação da maioria silenciosa, que ajudou a convocar no seu discurso de tomada de posse, na sua habitual abrangência política alimentada pela crítica sem alternativa, porque a alternativa é onde a porca torce o rabo; portanto, senhor Presidente, eu vou-me embora, o PS vai para a oposição, que já se esforçou o suficiente, e o senhor Presidente assuma as consequências do seu activismo e arranje uma solução”.

É preciso saber sair a tempo. Sócrates não quer deixar a sua obra por mãos alheias, compreendo – mas o julgamento de Sócrates não terá lugar agora, mas daqui a dez anos, quando as estatísticas mostrarem o que mudou radicalmente por consequência da sua governação.

E o grande sobressalto de que o país precisa é ser confrontado com as responsabilidades próprias dos cobardes que falam para não serem entendidos. O chefe de orquestra, que está em Belém, que trate do concerto.

Única objecção razoável: o país não suporta uma crise política. A minha resposta: crise ou mudança, como lhe queiram chamar, terá sempre de acontecer antes de o país voltar a entrar nos eixos; assim sendo, que não tarde. O país precisa de uma pedrada no charco do faz de conta. Sócrates pode ser o autor de mais esse serviço ao país, habituado como está a fazer os lances decisivos.

Publicado por Porfirio Silva
http://maquinaespeculativa.blogspot.com/2011/03/e-precisa-uma-pedrada-no-charco.html

FOLON

Sapiência...

TRISTE EUROPA

«Não somos, ao contrário do que alguns pensam e dizem, um país pequeno, sem recursos e condenado à decadência. Temos uma história gloriosa, com altos e baixos, é certo, mas que nos demonstra o contrário. Em alguns períodos não temos sabido governar-nos. É verdade. Mas é útil, para o futuro, aprender a distinguir o trigo do joio, os honestos dos pecadores e não nos deixarmos cair no derrotismo masoquista, em que alguns se comprazem. Criticar é fácil e protestar, mais ainda. É legítimo, aliás, em democracia, criticar e protestar, desde que o façam pacificamente. Mas agir, desinteressada e conscientemente, é melhor, desde que seja em função de uma alternativa, coerente, eficaz e estruturada, tendo uma visão do futuro, inserida num mundo em mudança. É o caminho para podermos sair do atoleiro em que nos encontramos.

É preciso informar completamente os portugueses da situação em que estamos, para os poder mobilizar. O que não tem sido feito suficientemente pelos responsáveis. O Presidente da República, no seu discurso de posse, insistiu neste ponto. Mas omitiu que a crise portuguesa actual foi causada e continua a ser, altamente influenciada, pela crise internacional e, em especial, pela europeia. Ora isso constituiu uma falha inaceitável, mesmo que não tenha sido voluntária.

O primeiro-ministro tem-se esforçado, na resolução da crise, com um zelo patriótico e uma energia pessoal absolutamente excepcionais. Mas cometeu erros graves: não tem informado, pedagogicamente, os portugueses, quanto às medidas tomadas e à situação real do País. Nos últimos dias, negociou o PEC IV sem informar o Presidente da República, o Parlamento e os Parceiros Sociais.

Foram esquecimentos imperdoáveis ou actos inúteis, que irão custar-lhe caro. Avisou tão só o líder da Oposição, após a reunião de Bruxelas, pelo telefone. A resposta pública foi-lhe dada no discurso que Passos Coelho proferiu, em Viana do Castelo, muito didáctico, e foi negativa: "Não conte com o PSD para aceitar as novas medidas (negociadas/impostas?) pelos líderes da Zona Euro, reunidos no dia 11 de Março, em Bruxelas." Assim se abre, ao que parece, uma crise política, a juntar às outras que a precederam: financeira, económica (estamos a entrar em recessão), social, ambiental e de valores.

E agora? Ao invés do que parece, tudo ainda pode acontecer. Porque os Partidos da Oposição - todos - não querem ir para o Governo, nem assumir responsabilidades, numa situação que não é agradável para ninguém. O Presidente da República, perante o impasse criado, vai dissolver o Parlamento e provocar eleições? Para cairmos, no pior momento, numa campanha eleitoral, como a última presidencial, com as culpas atiradas uns aos outros, sem tratarmos dos problemas nacionais? E para quê? Para chegarmos, talvez, a resultados, mais ou menos, idênticos? Mas se o não fizer, deixa que o Governo - e o PS, o que é mais grave - fiquem a fritar em lume brando? Com que vantagem para o futuro?

As informações (poucas) que me chegaram da reunião de Bruxelas indicam que houve pela parte da União dos Estados da Zona Euro um pequeno passo em frente, incluindo, obviamente, a Senhora Merkel. Mesmo implicando as questões laborais, dadas as pressões dos Sindicatos europeus. Sócrates, entre os seus pares, foi dos que mais combateram quanto ao alargamento das competências do futuro Fundo Europeu. Foi importante e positivo. Mas tudo ficou em carteira, adiado, para debater ainda na próxima reunião dos dias 24 e 25 do corrente mês.

Zapatero escreveu uma carta de aceitação prévia e, ao que me disseram - vale o que vale -, ficou bastante calado na reunião. Quando o que seria importante era que os dois Estados ibéricos exigissem uma política europeia convergente e falassem no mesmo sentido. Dar-lhes-ia, em termos europeus, uma importância redobrada. Temos connosco a Comunidade Ibero-Americana e a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Não é pequena coisa, em termos europeus.

Veremos o que se passará nas duas próximas semanas, que serão decisivas para a União Europeia e, seguramente, também, para Portugal. (...)» [DN]

Autor: Mário Soares.
By: http://jumento.blogspot.com/

A ser verdade !? ... PQoP !!!


Excelente Justiça!!!

Li na imprensa escrita que o Ministério da Justiça pagou à mulher do Ministro da Justiça Alberto Martins, a módica quantia de 72 mil euros.

Porque razão a procuradora Maria Correia Fernandes, mulher do Ministro, recebeu esta subvenção?

Por ter acumulado serviço em dois serviços do Ministério Público.

Que se faça justiça à senhora, já que estamos no Ministério da dita. Mas a acreditar na imprensa parece que a dita justiça consistirá em a dita verba retornar aos cofres do Ministério.

Mas interessa uma visão comparativa.

Já pensaram no vencimento de um director geral (3º grau na hierarquia): no topo o Ministro, a seguir o Secretário de Estado e depois o DG.

Por ano agora um Director Geral com despesas de representação (770€/mês) aufere 63 mil euros (14 meses)

mais comentários para quê?

Apenas mais uma observação. de certeza que a senhora Procuradora trabalhava 15 horas/dia para merecer tanta verba.

# posted by Joao Abel de Freitas
http://puxapalavra.blogspot.com/

terça-feira, 15 de março de 2011

deus é o maior ...


Deus e Catástrofes

Tradução "livre" de um artigo de A. C. Grayling, publicado no site da Richard Dawkins Foundation.




É com tristeza que todos pensamos nas centenas de milhares de pessoas cujas vidas foram horrivelmente perdidas ou afectadas pelo terramoto e pelo tsunami do Japão, e que marcaram a negro os anais deste ano de 2011, e que vieram logo a seguir ao terramoto que atingiu Christchurch na Nova Zelândia.

Estes acontecimentos, que estão certamente ligados do ponto de vista tectónico, lembram-nos das vastas forças da natureza que, se são normais para o próprio planeta, são já prejudiciais para a vida humana, especialmente para aqueles que vivem perigosamente perto do quebra-cabeças que são as falhas da superfície terrestre.

Alguém me disse que na igreja da sua terra iria haver orações especiais pelas pessoas no Japão. Este comportamento bem-intencionado e fundamentalmente simpático mostra, no entanto, quão absurdas, no sentido literal do termo, são as práticas e as crenças religiosas.
Quando vi na televisão uma reportagem de pessoas a dirigirem-se para a igreja em Christchurch após o trágico terramoto, foram estes pensamentos que me assaltaram.

Não seria simpático da minha parte pensar que aqueles que foram à igreja o foram para dar graças por eles próprios terem escapado pessoalmente; não lhes quero imputar egoísmo e alívio pessoal no meio de um desastre no qual tantas pessoas arbitrária e subitamente perderam as suas vidas por causa de um “acto de Deus”.
Mas se essas pessoas foram rezar para que o seu deus olhe pelas almas daqueles que morreram, por que pensariam elas que esse deus o faria, uma vez que foi ele próprio quem causou, ou permitiu, que os seus corpos fossem súbita e violentamente esmagados ou afogados?

De facto, estariam elas a suplicar e a louvar uma divindade que idealizou um mundo onde existem tantas arbitrárias e súbitas mortes?
Um ser omnisciente conheceria bem todas as implicações daquilo que faz, e por isso saberia também que iria proporcionar estes acontecimentos e todas estas suas horríveis consequências.
Estariam elas a louvar o causador do seu sofrimento, pelo seu sofrimento, e também a suplicar a sua ajuda para escapar àquilo que ele próprio tinha planeado?

Talvez elas pensem que o seu deus não é o responsável pelo terramoto. Mas se elas acreditam que o seu deus idealizou um mundo no qual estas coisas acontecem, mas depois deixou esse mundo sozinho e não intervém mesmo quando ele se torna letal para as suas criaturas, então essas pessoas estão implicitamente a questionar a moralidade do seu carácter.

E se ele não é suficientemente poderoso para fazer alguma coisa sobre a criminosa indiferença do mundo para com os seres humanos, então em que sentido é ele deus?
Pelo contrário, ele parece ser um espírito impotente, para quem é inútil rezar e que é indigno de ser louvado.

Porque se ele não é capaz de impedir um terramoto ou salvar as suas vítimas, então não está qualificado para criar um mundo.
Mas se ele é poderoso o suficiente para ambas as coisas, mas ainda assim cria um mundo perigoso que inflige arbitrariamente sofrimentos violentos e agonizantes a criaturas racionais, então ele é perverso.

De qualquer modo, o que pensam as pessoas que acreditam em tal ser, e vão à igreja para o louvar e adorar?
Como, perante acontecimentos que a bondade e a preocupação humana consideram trágicos e que exigem ajuda – ajuda que são os próprios seres humanas que proporcionam aos seus semelhantes: nunca aparecem anjos vindos do céu para ajudar – podem as pessoas acreditar em tal incoerente ficção, como é a ideia desta divindade?

É este um enigma sem fim.

# posted by Luis Grave Rodrigues
http://rprecision.blogspot.com/

Censos 2011


Associação Ateísta Portuguesa (AAP)


C O M U N I C A DO – Censos 2011


A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) observa, há muito, a falta de rigor e o exagero com que as diversas religiões manipulam o número dos seus crentes, em especial a Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR), para propaganda e obtenção de privilégios.

Seria inócuo o abuso dos números se não fossem usados para pressões sobre os Governos e a obtenção de benefícios indevidos, que roçam a imoralidade na nomeação discricionária de professores de Religião, em benefícios fiscais, na captura do ensino, saúde e assistência, em condições de privilégio face a outros grupos de cidadãos, num excesso que compromete a laicidade a que o Estado está constitucionalmente obrigado.

Aproximando-se o censo de 2011, e sendo esta operação a única que permite a contagem oficial do número de crentes de cada religião, para fins meramente estatísticos, como é justo, a AAP apela a todos os ateus, cépticos, agnósticos e livres-pensadores para que assinalem a sua condição de cidadãos «sem religião». Evita-se assim que as religiões exagerem o número de crentes que reivindicam, incluindo os que, por tradição familiar ou coacção social, foram baptizados e inscritos numa religião em que não acreditam.

No questionário individual, a pergunta 36 [Resposta Facultativa (Decreto-Lei n.º 226/2009 de 14 de Setembro)] pede para se indicar a religião, destinando a casa n.º 8 para assinalar «Sem Religião». Para defesa da verdade e correcção da falsidade dos números, a AAP reitera o seu pedido para que todos, crentes ou não, respondam com honestidade à referida pergunta.

A Associação Ateísta Portuguesa solicita a divulgação deste comunicado à Comunicação Social e pede a todos os portugueses o empenhamento cívico no censo de 2011.

Associação Ateísta Portuguesa – Odivelas, 14 de Março de 2011

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GOLF A 6% !?

http://economia.publico.pt/Noticia/governo-baixa-iva-aplicado-ao-golfe-para-seis-por-cento_1484711


Há coisas do arco-da-velha …

Este incentivo é, socialmente, um desastre.
Nomeadamente para um Governo que pretendia taxar, no OE de 2011 [com IVA a 23%], o “leite achocolatado”…

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domingo, 13 de março de 2011

Luta ou movimento ?

Menina dos Olhos Tristes

D. Quixote - 0 / PEc - 4


O PEC 4 ou o "quixotismo" luso na UE …

Teixeira dos Santos, Ministro das Finanças, anunciou, durante a manhã, perante um clima de grande instabilidade política e social, mais um PEC. Bem, não foi propriamente um PEC, mas um PE. Ninguém vislumbra o mínimo estímulo ao crescimento económico, portanto, o “C” está a mais. A única coisa a crescer são as duras medidas de austeridade, o galopante desemprego, o aprofundamento das desigualdades sociais… link

Não vamos enfatizar, nem dissecar, as consequências políticas e sociais, de âmbito doméstico que, mais um programa de medidas de austeridade, necessariamente, levantará.
Na realidade, trata-se de mais um pacote com novas medidas cuja finalidade é impressionar a Comissão Europeia, o Conselho Europeu e o BCE. E, paralelamente, “sossegar” os mercados.

Estas medidas [de hoje] conseguiram arrancar felicitações de Durão Barroso, de Angela Merkel e de Jean-Claude Trichet. Mas estas loas já não impressionam os “mercados”. Logo após este anúncio os juros das obrigações portugueses, a 5 anos, subiram para a taxa recorde de 8%! link
De facto, os mercados já não se acalmam com declarações. Só “sossegarão”, i. e., abrandarão a voracidade da especulação se, na próxima segunda-feira, o BCE aparecer a comprar obrigações portuguesas, nos ditos mercados. Esta a titânica luta do Governo português em Bruxelas.

Só que o Conselho Europeu está interessado em aprovar um novo Pacto, desta vez, para a Competitividade. O que traduzindo por miúdos representam mais medidas restritivas, como p. exº., moderação salarial, indexação da idade da reforma à esperança média de vida e desenvolvimento de uma base fiscal para as empresas, etc.
Perante um clima de tantas incertezas o que já foi decidido? Naturalmente, o pacto de competitividade como anunciou, há poucas horas, o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy. link

Aliás, Merkel, a par dos elogios das recentes medidas portuguesas de austeridade a que chamou pomposamente de “grandes reformas” (!), de corajosas, não perdeu a ocasião para ser bem explícita em relação à flexibilização do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) e quanto ao serviço da dívida. Afirmou: “… cada País é responsável pelas suas próprias dívidas”. link / link Este facto significa que a chanceler vetou os “eurobonds”… provavelmente a nossa mais eficaz porta de saída [da crise]. link

É cada vez mais prevalente a sensação de que o Governo português enveredou por caminhos quixotescos. Que esgrime as suas forças contra moinhos de vento. Com uma substancial diferença: D. Quixote de La Mancha ia montado no seu dócil Rocinante e o Governo chega a Bruxelas cavalgando o infortúnio do povo português...

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sexta-feira, 11 de março de 2011

FOLON

Câmara Corporativa: Os 14 pecados mortais do discurso de Cavaco

Câmara Corporativa: Os 14 pecados mortais do discurso de Cavaco: "Os pecados mortais são 7. Mas, no discurso de ontem, Cavaco Silva cometeu 7x2 pecados: 1.º Foi um discurso de facção, sectário, parcial e ..."

Enquanto Há Força

Sumo de casca...

Nem todos os bens transacionáveis são recomendáveis


Preço do sumo de laranja cai para mínimos de três semanas.

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"sobressalto cívico" ?...

"UNS VÃO BEM, OUTROS MAL !"



(titulo de David Ribeiro)

Abstenção versus abstenção


Não é hoje nada cómodo, para ninguém, ser Governo

Mario Soares no DN: «(...)Todos os partidos, à excepção do PS, atacam o Governo furiosamente e, com frequência, usando termos pouco próprios.

Mas não o querem atirar abaixo e substituí-lo. O que é muito significativo.
Porquê? Porque não têm alternativa?

É em parte verdade. Mas, sobretudo, porque não é hoje nada cómodo, para ninguém, ser Governo, dadas as tremendas dificuldades a que Portugal está sujeito.
E é muito cómodo e fácil - reconheça-se - ser oposição e dizer mal dos membros do Governo...
(...)»

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quarta-feira, 9 de março de 2011

Os Golpes

Espanto pitosga

A LUTA CONTINUA DE GEL E MEGAFONE

«A arma do povo é o televoto. Para o maior dos portugueses, elegeu Salazar; para os maiores do cançonetismo, os Homens da Luta. É um conservador este povo de valor acrescentado: se não são botas são boinas, é para aí que lhes foge o chinelo do voto. Mas foge-lhes só a eles? O povo votante deste Festival da Canção esteve ao nível das escolhas de tantos júris anteriores: o gel do Jel vale o mesmo que gelatinosas canções outrora vencedoras, o espanto fingido na cara pitosga do Falâncio é igual ao fingimento geral de outras divas que "nos" representaram.

E, no entanto, este 47.º Festival foi especial. O duo disparatado que o ganhou vai dar o seu próximo recital na manifestação do dia 12 - aquela contra todos os partidos e todos os políticos, mas que já teve apoio expresso de alguns partidos e alguns políticos.

Jel e Falâncio vão com aquele enxoval que os cunhou (como a carapinha loura ao Abel Xavier): a boina e as calças à boca de sino, o "pá" e o "camarada", mais a procissão que agora os acompanha, a ceifeira, o operário da Lisnave, o furriel de camuflado... Os saudosos do Verão Quente de 75 deveriam aborrecer-se, porque gozados pelo duo idiota, mas, ao que parece, estão encantados.

Estes Homens da Luta são instrumento de uma tenebrosa vontade conspirativa? Antes fosse. Estes Homens da Luta são só a expressão vazia (mas vasta) de quem pensa, mesmo, que isto vai lá de megafone.» [DN] Autor:Ferreira Fernandes.

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Medos e tretas...



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Và de retro...



Padres e demónios

É paradoxal serem os crentes infectados com demónios e os ateus imunes aos espíritos malignos.


A população demoníaca tem-se reduzido ao longo dos anos com o avanço da ciência, quiçá porque os espíritos das trevas se anteciparam no planeamento familiar ou, para arreliarem o Papa, porque foram pioneiros no uso da pílula e do preservativo.

Mais raros, mas não extintos, os espíritos malignos existem. Os livros sagrados dedicam várias páginas a esses agitadores de almas pias. O exorcismo é a terapêutica exclusiva aprovada pelo Vaticano, desde que o alvará para o seu exercício seja de um padre católico e, em casos difíceis, só com licença episcopal.

Em Portugal há um velho especialista, com 72 anos, a tirar espíritos de corpos sofridos, padre Humberto Gama, que se dedica aos difíceis combates com o demo, das 7 às 22 horas, aliviando a carteira e as possessões demoníacas a cerca de 20 possessos diários. Com consultório em Fátima e Mirandela já foi proibido de dizer missa e teve vários dissabores um dos quais com um marido que discordou do sítio por onde extraiu os espíritos da amantíssima esposa, na convicção de que o tamanho e a quantidade não precisavam de tão larga e recôndita reentrância. Mas o que sabe um leigo de espíritos?! O padre Gama alegou que têm de sair por algum lado e disse-o convicto à TVI onde fez exorcismos em directo antes de actuar na RTP-1.

Agora, em Figueiró dos Vinhos, o padre José Rosa Gomes recebe na igreja, todas as semanas, centenas de fiéis a quem purifica e resolve os problemas. As mulheres, mais atreitas ao maligno, encontram nas mãos do sacerdote a benzina que desencarde a alma e nas orações o demonífugo que as liberta das apoquentações do demo, desmaiando ao som de cânticos enquanto o mafarrico emigra para outras bandas.

O reverendo Rosa Gomes exorciza das 21H30 à 01H00 da manhã durante a cerimónia da «Adoração do Santíssimo Sacramento», à quarta-feira na igreja de Figueiró e à sexta na do Beco. Vêm camionetas de vários pontos do país cheias de crentes para serem exorcizados. Depois dos desmaios as endemoninhadas acordam havendo quem precise de horas e orações suplementares à porta fechada mas todos ficam com a alma a luzir como prata depois de esfregada com solarina.

O bispo de Coimbra, Albino Cleto, manifestando algum receio, já aconselhou cautela com algumas situações de ordem médica e prefere designar por «orações de cura» a liturgia do exorcismo. De resto, o «grande exorcismo» só pode ser praticado por padres previamente autorizados pelo bispo da diocese e, talvez, só se justifique para demónios resistentes aos pequenos e médios exorcismos.

Em Figueiró dos Vinhos, onde o povo andava arredado da missa desde que o bispo de Coimbra despediu um padre estimado pelo povo, não por ter uma filha mas por assumir a paternidade, a fé voltou e conquista novos crentes.

Os cânticos do padre indiano James Manjajackal entoam na igreja enquanto o colega Rosa Gomes reza para afastar o demo. A oração e a cantoria têm um efeito sinérgico e não há demónios que suportem o barulho e a ameaça da cruz. Preferem emigrar.

Fonte: DN de 07-03-2011, pág. 16, por Sónia Simões
Etiquetas: exorcismo

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terça-feira, 8 de março de 2011

Festival

segunda-feira, 7 de março de 2011

Festival, de Mao a Piao !


homens?? Luta?! isto?!.

confidencia muito confidente e absolutamente confidencial

1 eu não gosto destes tipos dos "homens na luta".

2 há qqr coisa de falso e de critico por teatralidade rústico-excessiva.

3 não gosto da caricatura q fazem da canção de intervenção - lutou-se mº pela Liberdade para dar esta imagem de uma geração q fez coisas belissimas!

4 não gosto do retrato redutor e aparvalhado q fazem da figura do Zeca. Estive c ele centenas de vezes em palco e merecia melhor memoria publica! é um insulto!

5 não gosto da melodia nem dos refrões de mata e esfola nem do consequente ridículo com q pretendem insinuar e criticar

6 estão ao nível do crónico candidato Vieira isto é ideias - zero, promoção fácil - 1

7 são um insulto a quem pela canção lutou com armas muito corajosas contra a ditadura a minha geração teve coragem e qualidade - isto é lixo!

8 ficam a meio caminho entre o tentar ter graça, o insulto de rua, a peixeirada, a manif de tontinhos e a equivoca comedização da esquerda.

9 são suspeitos. não têm génese conhecida, nem discurso coerente. tudo o q dizem destina-se a tentar fazer rir, não parece serio. Inconsciente, pifio, infantiloide, nescio, post moderno da treta.

10 são musicalmente e poeticamente uma merda


se têm o PCP por trás...chiça! ... q saudades das canções de Ary, Tordo etc

se têm apenas os desejos editoriais de vendas por trás, estamos todos a acreditar num embuste ...

se têm ideias próprias gostava mº de as ouvir num discurso explicativo dos objectivos q pretendem, o q pensam dos grandes problemas da sociedade Portuguesa. etc

se nos vão representar com "aquilo" como canção de Portugal é + uma enorme humilhação cultural, a somar à financeira e politica q Sócrates e amigos nos condenaram

não gosto sobretudo pq parece ser uma coisa q, espremida e investigada de certeza nao é o q pretende ser...

mas enfim se for mentira isto tudo ... nem sei quem foi q disse.

por Pedro Barroso a Domingo, 6 de Março de 2011 às 17:25. ( FaceBook )

domingo, 6 de março de 2011

festival à rasca - taça 2011

Sagrado qb



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Assim não !!!


Parlamento Europeu: uma inacreditável infâmia...

Os políticos continuam a dar tiros nos pés…

Hoje o Parlamento Europeu – com os votos dos conservadores e dos socialistas – aprovou um aumento de 1500 euros destinados aos “assistentes parlamentares”. Deste modo, o orçamento mensal por deputado (europeu) fica a rondar os 20.000 euros. Ou, se fizermos as contas, verificamos que esta votação traduz-se num acréscimo da despesa orçamental do PE da ordem dos 26,4 milhões de euros… link

Trata-se de um Parlamento que, repetidas vezes, tem decidido recomendar aos Estados membros reduções nas despesas, restrições orçamentais, austeridade, …

É obvio que o Parlamento Europeu, perante os cidadãos (europeus), ao prosseguir neste inacreditável corte com a realidade em tempos de crise, caminha alegremente para o suicídio. Não é possível construir a UE desprestigiando as suas Instituições, nomeadamente, aquelas que possuem uma legitimidade democrática representativa.

Quando ocorrerem as próximas eleições europeias certamente que, por essa Europa fora, ganhará a abstenção. Nessa altura, não vale invocar os deveres de cidadania. Ninguém estará disposto a “dar para este peditório”.

Vergonhoso. Ou, melhor, infame!

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sexta-feira, 4 de março de 2011

quarta-feira, 2 de março de 2011

Barões ou tubarões ?


Não são os barões

A regionalização e os seus inimigos
A Regionalização, que os deputados constituintes aprovaram e numerosos pretextos serviram para adiar, torna-se cada vez mais urgente e indispensável. Bastam as alterações demográficas para aumentar o anacronismo da divisão administrava que herdámos da ditadura, agravada por concelhos e freguesias criados ao sabor dos interesses eleitorais.

Parece existir uma estranha conspiração urdida para evitar a racionalização administrativa que há muito devia ter tido lugar com as cinco regiões-plano que servem de matriz coerente. Desde os desmandos e provocações dos governos das Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores onde os abusos autóctones criaram receios no país, até às lutas internas no PS e no PSD, passando pelo desamor do actual inquilino de Belém e o recente desinteresse do PM, tudo se conjuga para adiar para as calendas gregas a Regionalização, enquanto permanecem 18 distritos com parca utilidade.

O peso do aparelho do Estado português e a dimensão faraónica dos órgãos autonómicos não podem servir de exemplo às novas regiões mas não faltam modelos e técnicos que adeqúem as necessidades administrativas e as possibilidades financeiras.

Exagero existe em concelhos com menos de 5 mil habitantes na presença de um presidente da Câmara, dois vereadores em dedicação exclusiva, assessores e, se necessário, em empresas municipais para satisfazerem clientelas. Excesso subsiste nos 308 concelhos e mais de 4200 freguesias em que o país se divide para satisfazer bairrismos exacerbados ou criar empregos desnecessários. Disparate verifica-se nas Assembleias Municipais que ultrapassam a centena de membros e incluem os Presidentes da Junta cujas funções executivas os deviam privar da presença em tal órgão. Vereadores e assessores existem em número exagerado.

Há políticos municipais e municípios a mais. Há Juntas de Freguesia sem qualquer justificação, há os distritos cuja existência se destina a propaganda política, à colocação de funcionários e à emissão de passaportes. Há empresas municipais desnecessárias. E faltam as 5 Regiões Administrativas.

Até a comunicação social arranja títulos enganosos (ver a imagem do post) que leva as pessoas a pensarem que são os barões partidários que pretendem a regionalização, eventualmente contra os interesses nacionais, quando é justamente o contrário.

Ponte Europa / Sorumbático
posted by Carlos Esperança

domingo, 20 de fevereiro de 2011

EXCELENTE

A ver até ao fim


@ de mão amiga.

Saloiadas

ESPERTEZA SALOIA

«Segundo Raul Proença o termo "esperteza saloia" tem origem na "sistemática atitude de desconfiança" dos assim denominados habitantes dos arrabaldes de Lisboa. Conta um juiz que era hábito, em caso de conflito, o saloio consultar dois advogados, apresentando a um a sua versão e, ao outro, a do opositor, de forma a avaliar melhor as suas hipóteses.

No entanto, o pouco apreço dos alfacinhas pelos saloios, o escárnio teatral e a imagem do camponês simplório cultivador de hortas, foram tornando a expressão numa denotação depreciativa dirigida àqueles que se julgam mais espertos do que os outros. A esperteza saloia resultando assim invariavelmente no oposto do desejado. Ou seja, na revelação da tramóia, da mentira ou da dissimulação e na ridicularização do seu autor.

A moção de censura do BE é um caso típico desta esperteza saloia. Louçã e seus apaniguados terão imaginado conseguir o pleno, dando um golpe em simultâneo contra o PC, o PS e a direita e marcando a agenda política durante um mês, ou seja, aparecendo todos os dias nas televisões. Acontece que a operação foi tão inoportuna e vil que em poucos dias o feitiço se virou contra o feiticeiro.

Já não bastava a humilhação da estrondosa derrota de Alegre, agora o BE deu mesmo um descomunal trambolhão. Há mesmo quem já o compare com o PRD que se esfumou no mesmo tipo de peripécias inconsequentes. Em resultado, nunca se viu tanto bloquista aflito desdobrando-se em textos, entrevistas e múltiplas explicações que não explicam nada.

Demasiado habituados à benevolência dos "media", onde a espuma e os dichotes enraivecidos de Louçã dão sempre um bom boneco, os bloquistas ainda estão convencidos que conseguem dar a volta por cima. Mas é improvável.

Este tipo de política, golpista, calculista, desonesta e sobretudo sem qualquer sentido ou utilidade prática, não é deste tempo. Já ninguém tem paciência para estas cenas torpes.

Raymond Chandler, com o seu estilo económico e sempre direto ao assunto, tem uma frase notável para descrever uma personagem que não me canso de citar. "Passou toda a vida a tentar subir da sarjeta até ao passeio. Nunca lá chegou". É que não se pode chegar ao passeio com os hábitos da sarjeta. E o Bloco, que um dia imaginou que poderia ser o partido renovador da esquerda, tem resvalado cada vez mais para a sarjeta da história onde, efetivamente, nasceu.

À época a coisa pareceu uma inovação, ainda que do género quimérico. Marxistas, estalinistas, trotskistas (tendência mandelista, o que quer que isso queira dizer), maoistas, ex-MRPP, ex-PC, sindicalistas, ambientalistas, grupos de género, anti-racistas, juntaram-se numa incrível tropa-fandanga com o objetivo de disputar terreno ao decadente PC e abalar o PS. Mas burro velho não aprende línguas. Esta gente formou-se no pior do esquerdismo e sua cultura dos pequenos chefes e ainda mais das parcas e anacrónicas ideias.

Adoradores do estado, do centralismo, do nacionalismo, das hierarquias, com horror à evolução social, cultural e tecnológica e sobretudo tementes da liberdade individual, depressa transformaram a amálgama oportunista num partido retrógrado com o seu amado líder, a sua opacidade e uma notória falta de democracia interna. O processo de decisão sobre a moção de censura foi em tudo similar ao que habitualmente se passa no PC. Os chefes decidem e os militantes obedecem e aderem, mesmo quando acham que a coisa é um disparate, o que no caso se apresenta como uma evidência para toda a gente.

"Salvam-se" as poucas vozes dissonantes, repartidas entre os pobre-coitados dos ditos moderados e os trogloditas, verdadeiros fósseis vivos que se reclamam do velho trotskismo e do maoismo. Nestas faunas as nomenclaturas são sempre muito confusas, acrescente-se.

Enfim, este episódio patético vem mostrar que, apesar do novo nome, estamos perante uma velha esquerda, belicosa, intempestiva e sem outra visão que não seja a das supostas grandes glórias do passado as quais, bem vistas as coisas, nunca passaram de enormes tragédias coletivas invariavelmente manchadas de ódio, sangue e derrota. Nos dias que correm, tal como outrora, continuam a cumprir o papel de testas-de-ferro da direita. Que ninguém se iluda. » [Jornal de Negócios]

Autor: Leonel Moura.(Jornal de Negocios)
Via: http://jumento.blogspot.com/

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Mister GaGa

Saúde mental


A saúde mental dos portugueses

Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas
esquecendo que a sociedade é feita de pessoas.

Recentemente, ficámos a saber, através do primeiro estudo epidemiológico nacional de Saúde Mental, que Portugal é o país da Europa com a maior prevalência de doenças mentais na população.

No último ano, um em cada cinco portugueses sofreu de uma doença psiquiátrica (23%) e quase metade (43%) já teve uma destas perturbações durante a vida.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque assisto com impotência a uma sociedade perturbada e doente em que violência,urdida nos jogos e na televisão, faz parte da ração diária das crianças e adolescentes. Neste redil de insanidade, vejo jovens infantilizados incapazes de construírem um projecto de vida, escravos dos seus insaciáveis desejos e adulados por pais que satisfazem todos os seus caprichos, expiando uma culpa muitas vezes imaginária.

Na escola, estes jovens adquiriram um estatuto de semideus, pois todos terão de fazer um esforço sobrenatural para lhes imprimirem a vontade de adquirir conhecimentos, ainda que estes não o desejem. É natural que assim seja, dado que a actual sociedade os inebria de direitos, criando-lhes a ilusão absurda de que podem ser mestres de si próprios.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque, nos últimos quinze anos, o divórcio quintuplicou, alcançando 60 divórcios por cada 100 casamentos (dados de 2008). As crises conjugais são também um reflexo das crises sociais. Se não houver vínculos estáveis entre seres humanos não existe uma sociedade forte, capaz de criar empresas sólidas e fomentar a prosperidade.

Enquanto o legislador se entretém maquinalmente a produzir leis que entronizam o divórcio sem culpa, deparo-me com mulheres compungidas, reféns do estado de alma dos ex-cônjuges para lhes garantirem o pagamento da miserável pensão de alimentos.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque se torna cada vez mais difícil, para quem tem filhos, conciliar o trabalho e a família.

Nas empresas, os directores insanos consideram que a presença prolongada no trabalho é sinónimo de maior compromisso e produtividade. Portanto é fácil perceber que, para quem perde cerca de três horas nas deslocações diárias entre o trabalho, a escola e a casa, seja difícil ter tempo para os filhos.

Recordo o rosto de uma mãe marejado de lágrimas e com o coração dilacerado por andar tão cansada que quase se tornou impossível brincar com o seu filho de três anos.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque a taxa de desemprego em Portugal afecta mais de meio milhão de cidadãos. Tenho presenciado muitos casos de homens e mulheres que, humilhados pela falta de trabalho, se sentem rendidos e impotentes perante a maldição da pobreza. Observo as suas mãos, calejadas pelo trabalho manual, tornadas inúteis, segurando um papel encardido da Segurança Social.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque é difícil aceitar que alguém sobreviva dignamente com pouco mais de 600 euros por mês, enquanto outros, sem mérito e trabalho, se dedicam impunemente à actividade da pilhagem do erário público.

Fito com assombro e complacência os olhos de revolta daqueles que estão cansados de escutar repetidamente que é necessário fazer mais sacrifícios quando já há muito foram dizimados pela praga da miséria.

Finalmente, interessa-me a saúde mental de alguns portugueses com responsabilidades governativas porque se dedicam obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas. Entretanto, com a sua displicência e inépcia, construíram um mecanismo oleado que vai inexoravelmente triturando as mentes sãs de um povo, criando condições sociais que favorecem uma decadência
neuronal colectiva, multiplicando, deste modo, as doenças mentais.

E hesito em prescrever antidepressivos e ansiolíticos a quem tem o estômago vazio e a cabeça cheia de promessas de uma justiça que se há-de concretizar; e luto contra o demónio do desespero, mas sinto uma inquietação culposa diante destes rostos que me visitam diariamente.

Transcrição do artigo do médico psiquiatra Pedro Afonso, Público, 2010-06-21

By @ de mão amiga.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

I como, Icar


Bispos desafiam Governo a provar

Uma vez mais, os senhores clérigos da ICAR portuguesa, vêm fazer desafios ao poder político constituído como se tratassem de pares numa discussão.

Querendo sempre levar a água ao seu moinho no seu jogo de interesses do proselitismo agora põem em causa questões relacionadas com o ensino e entram abertamente na disputa de certos estabelecimentos de ensino privado e cooperativo com o governo.

Continuo , sempre, a não achar piada nenhuma a este permanente interferir por parte da ICAR nos assuntos do estado português.

Claro que, dirão, que lhes é legítima, como cidadãos, a interferência.
Será, com certeza, tão legítima quanto eu poder desafiar a ICAR, enquanto Ateu, a provar a existência de Deus...

Mais importante será o meu desafio porque da sua resposta depende a credibilidade de uma organização que se baseia na tal "existência".
Da impossibilidade ou não da prova ficará dependente a legitimidade, sequer, da ICAR desfiar alguém.

Publicada por Miguel Gomes Coelho
http://srbolinha.blogspot.com/

Està na hora de mudar

Pardalelos, piscos & caniches

O PS NO «CENTRO DO CENTRO» E A AUTO-REPRODUÇÃO DAS OLIGARQUIAS PARTIDÁRIAS

1

NA SUA CRÓNICA semanal publicada no DN em 1 de Fevereiro, Mário Soares considera ter chegado o momento para o PS «fazer uma reflexão aprofundada», com o objectivo de «dar um novo impulso à sua participação na vida política (independentemente do Governo), com mais idealismo socialista e menos apparatchiks, mais debate político e menos marketing, mais culto pelos valores éticos e menos boys que só pensam em ganhar dinheiro e promover-se».

A primeira reacção oficial da direcção do PS não se fez esperar, por via do inevitável José Lello, membro do seu secretariado nacional, que se apressou a desvalorizar as opiniões do principal fundador do partido: «O PS só tem uma única preocupação: governar o País e defender o País. É esse o nosso objectivo ideológico e é nisso que devemos concentrar-nos. Tudo o resto é secundário».

Antes de mais, duas observações de pura forma: «governar o País e defender o País», são duas preocupações e não «uma única»; e qualquer delas não é um «objectivo ideológico», mas sim político. José Lello tem de cuidar da gramática e recorrer mais vezes ao dicionário, porque a língua portuguesa é muito traiçoeira.

Depois, há que dizer que José Lello é assim uma espécie de «reflexo pavloviano» da oligarquia partidária que dirige o PS. Quando alguém bate com demasiada estridência no portão da sua quinta, Lello reage e ataca sem pensar, atirando-se cegamente às pernas de quem ele julga ser um intruso, e fica radiante quando lhe rasga as calças.

Para Lello e outros apparatchicks, que, como ele, vivem à sombra do «aparelho» do partido, Mário Soares já é considerado um «intruso», tal como Manuel Alegre ou Manuel Maria Carrilho, para só referir mais dois exemplos de fresca data.

Como todo o apparatchick que se preza, Lello é totalmente incapaz de formular um discurso político que seja interessante e mobilizador. Além de não se lhe conhecer qualquer ideia original, recusa-se terminantemente a reflectir sobre o que quer que seja.

2

JOSÉ LELLO é um «case study», que nos permite compreender melhor como é que os partidos continuam a funcionar em circuito fechado. Citando Robert Michels, um dos maiores autores clássicos especializados no estudo dos partidos políticos em democracia, José Lello faz parte «de um exército de dirigentes intermédios ou inferiores profissionalizados – os chamados bosses e wirepullers (literalmente: «os que manobram os fios», isto é, os «intriguistas») –, sem qualquer aprofundamento teórico a guiar a sua acção, mas sob as ordens de um dirigente superior com talento estratégico».

A obra fundamental de Robert Michels – «Para uma sociologia dos partidos políticos na democracia moderna. Investigação sobre as tendências oligárquicas dos agrupamentos políticos» – foi publicada pela primeira vez em 1910, mas só em 2001 foi traduzida e editada em português (1).

Cem anos passados, a sua actualidade continua a ser impressionante. Michels apresenta-nos inúmeros exemplos sobre o modo como a direcção das grandes máquinas políticas é progressivamente açambarcada por uma classe profissional que vai afastando paulatinamente os militantes.

Graças ao conhecimento das questões essenciais e à sua experiência política, essa classe profissional acaba por se tornar indispensável. A sua «ciência» dos mecanismos internos (o chamado «aparelho») e a habilidade para utilizar as regras do jogo (que conhece e manipula como ninguém) preservam-na de ser derrubada por súbitas inversões de maioria.

Essa classe profissional adquire, assim, uma inamovibilidade quase absoluta: a sua renovação praticamente só se opera pelo efeito da idade e, mesmo assim, essa substituição de gerações é cuidadosamente controlada e circunscrita. Os dirigentes partidários demonstram, aliás, especial mestria no trabalho de dissolução das oposições virtuais, quer absorvendo os seus líderes, quer empurrando-os para fora do partido.

Em suma: qualquer possibilidade de rejuvenescimento ou renovação global está condenada à partida. A democracia, que é participação de todos na direcção, deixa assim de ser exercida no interior dos partidos.

Foi a esses poderosos mecanismos de preservação e auto-reprodução da classe profissional que domina os partidos políticos, que Robert Michels chamou a «lei de bronze» ou «lei férrea da oligarquia partidária».

Diz ele que «as correntes democráticas, ao longo da história, fazem lembrar a rebentação contínua das ondas. Quebram sempre no momento em que se enrolam e se abatem com fragor. Mas renascem sempre». O que sucede é que, muitos daqueles que erguem as vozes contra os «privilégios oligárquicos», também «acabam por se dissolver na classe dominante», depois de «um período de participação cinzenta na dominação».

Por isso mesmo, remata Robert Michels, «não tem fim este drama que ferozmente se desenrola entre o incansável idealismo dos mais jovens e a incurável sede de poder dos mais velhos. Há sempre novas ondas a rugir no mesmo ponto de rebentação. E é essa a marca mais profunda e mais característica da história dos partidos políticos».


3

NO INTERIOR dos partidos que alternam no poder, ou seja, no governo, há igualmente o problema, referido por Mário Soares na sua crónica, dos «boys que só pensam em ganhar dinheiro e promover-se».

É um problema cruciante nas democracias modernas, consequência daquilo a que Donatella Della Porta, professora de Administração Local na Universidade de Florença, considera ser uma «quebra progressiva da tensão ideológica, que deixou um vazio ao nível dos princípios éticos» (2).

Essa «quebra dos estímulos ideológicos» abriu caminho a indivíduos mais sensíveis a motivações materiais, ou seja, à defesa dos seus interesses pessoais. E, de facto, a falta de pessoal qualificado capaz de desempenhar funções de direcção política e de gestão da «coisa» pública, passou a ser compensada pela «oferta» de uma nova classe de «oportunistas» atraídos por aquilo que a política lhes pode oferecer, tanto ao nível local como ao nível nacional, para multiplicarem os seus proventos pessoais.

É evidente que a «quebra da tensão ideológica» diminui bastante a capacidade dos partidos para formularem programas e políticas públicas consistentes e coerentes, em benefício da generalidade dos cidadãos. Clientelismo, nepotismo e patrimonialismo condicionam inevitavelmente a visão e os objectivos daqueles que detêm os poderes de decisão.

Assistimos, então, àquilo que se designa por «gestão clientelar» das ofertas de emprego na administração pública e nas empresas públicas, das nomeações políticas efectuadas pelos partidos, das adjudicações de obras e serviços públicos, e do favorecimento de certas empresas privadas.

«As práticas clientelares e de governo paralelo», como também são designadas, «transformaram os próprios partidos». Enfraqueceram a sua capacidade para canalizar, traduzir e corresponder às necessidades daqueles que representam – os representados – e, em contrapartida, «reforçaram a sua tendência para proporcionar vantagens aos seus representantes».

Toda esta intrincada teia de interesses e conivências – caracterizada pela emergência de indivíduos que a especulação enriqueceu rapidamente, pela arrogância dos novos poderosos e a corrupção das elites, pelo aumento significativo das necessidades financeiras dos partidos políticos e pelo total desprezo votado à moral do serviço público – torna muito difícil imaginar «um novo impulso» democrático, uma grande transformação política e uma verdadeira renovação ideológica dos partidos que alternam no poder.


4

NO MAIS recente livro que publicaram sobre «O Poder Presidencial em Portugal» (3), André Freire e António Costa Pinto salientam um aspecto bastante interessante e significativo, que tem muito a ver com a «quebra da tensão ideológica» de que tenho vindo a falar.

No balanço que fazem do primeiro mandato do actual Presidente da República, referem que Cavaco só utilizou «o veto político face a diplomas da Assembleia da República». Por outro lado, «as divergências políticas de Cavaco Silva face à maioria parlamentar (expressas através dos vetos) foram apenas nas áreas socioculturais e morais (estilos de vida, ‘novos temas’: paridade, divórcio, uniões de facto) e nas questões institucionais (Estatuto Político Administrativo dos Açores, etc.), deixando de fora os temas sócioeconómicos (que estão no âmago da divisão entre esquerda e direita)».

E, mais adiante, insistem: «Pelo menos tanto quanto é possível inferir do exercício dos poderes de veto», Cavaco Silva «não terá divergido muito da maioria das orientações da maioria parlamentar (PS) em questões socioeconómicas (o âmago da divisão esquerda-direita)».

Os autores atribuem este comportamento do actual Presidente a dois factores: primeiro, a «uma significativa inflexão do PS para o centro do centro»; segundo, a «um certo centrismo ideológico do Presidente Cavaco em questões socioeconómicas».
Ora, o «centro do centro» é aquilo a que um grande constitucionalista e especialista no estudo dos partidos políticos, Maurice Duverger, chamou o «juste milieu». E é hoje evidente que ele tinha razão ao afirmar, há mais de 40 anos, que «o centrismo favorece a direita».

Vejamos o que ele escreveu no livro «La democratie sans le peuple» (4), publicado em 1967: «O centrismo favorece a direita. Aparentemente, as coligações do ‘juste milieu’ são dominadas ora pelo centro-direita, ora pelo centro-esquerda, seguindo uma oscilação de fraca amplitude. (…). Estas aparências mascaram uma realidade completamente diferente. Por trás da ilusão de um movimento pendular, o centro-direita domina quase sempre. (…). Em vez de implicar uma transformação lenta mas regular da ordem existente, a conjunção dos centros desemboca no imobilismo, ou seja, no triunfo da direita».

No mesmo livro, Duverger também comenta a tendência para «uma esquerdização do vocabulário político», nos seguintes termos: «O centro quer chamar-se esquerda, a direita quer chamar-se centro, e ninguém quer chamar-se direita». Em Portugal, actualmente, o PS, o PPD-PSD e o CDS-PP são ilustrações perfeitas do que Duverger quis dizer.

5

O «CENTRO DO CENTRO» («juste milieu») é o território propício a todas as renúncias ideológicas e a todas as abdicações políticas, sempre em nome dos superiores interesses do Estado ou da Nação, consoante a carapaça em que cada partido político quer enfiar-se.

Mas é grande o prejuízo para a democracia, que é sustentada por quatro pilares resultantes da articulação entre duas tradições diferentes: por um lado, os pilares da liberdade individual e do pluralismo, nos quais assenta a tradição liberal; por outro lado, os pilares da soberania popular e da igualdade, nos quais assenta a tradição democrática.

Liberalismo e democracia são valores diferentes e, como nos explica Chantal Mouffe, politóloga e professora da Universidade de Westminster, «a história das democracias liberais caracterizou-se pela luta, por vezes violenta, entre forças sociais cujo objectivo era estabelecer a supremacia de uma tradição sobre outra» (5).

Hoje, porém, a moldura ideológica dominante assenta, por um lado, no «mercado livre» e, por outro, nos «direitos humanos». E «o que é mais espantoso é que a referência à soberania popular – que constitui a coluna vertebral do ideal de democracia – foi praticamente eliminada da definição actual de democracia liberal». A soberania popular é considerada, por estes dias, como «uma ideia obsoleta» e «um obstáculo à implementação dos direitos humanos».
S
ob a bandeira da «modernização» – empunhada na década de 1990 por Tony Blair («New Labour») e Gerhard Schröder («Novo Centro») – os partidos socialistas, social-democratas e trabalhistas europeus passaram a identificar-se quase exclusivamente com as classes médias e deixaram de representar os interesses das classes mais populares, cujas reivindicações foram consideradas «arcaicas» ou «retrógradas».

Não deverá, por isso, surpreender-nos a crescente alienação de um número cada vez maior de grupos que se sentem excluídos do exercício efectivo da cidadania pelas «elites iluminadas». Chantal Mouffe salienta que é a incapacidade dos partidos políticos democráticos para «proporem formas distintas de identificação em torno de alternativas possíveis que cria o terreno propício ao florescimento do populismo de direita».

É ilusório pensar que vivemos em sociedades pós-políticas, das quais foram erradicados todos os antagonismos políticos. Não é concebível uma política consensual mais além da esquerda e da direita. Nem sequer existem soluções imparciais na política. A «hegemonia neoliberal» deu lugar a um défice democrático que é urgente colmatar, e a desigualdades económicas, políticas e sociais crescentes, que é preciso questionar e combater.

É indispensável reactivar a noção de soberania popular como pilar essencial da democracia. Sem ela, não é possível recuperar a confiança nas instituições europeias, combater as desigualdades sociais gritantes geradas pela gravíssima crise económico-financeira, e recuperar o prestígio perdido pelos partidos políticos democráticos.

A noção de soberania popular traz implícita a ideia de participação alargada dos cidadãos na vida política e de intervenção na «coisa» pública. Sem essa participação activa, não será possível proceder a uma renovação ideológica dos partidos socialistas, social-democratas e trabalhistas.

As oligarquias partidárias instaladas no centro do centro praticam um pragmatismo sem princípios totalmente avesso à renovação. O «idealismo» inquieta-as, um «novo impulso» arrepia-as. Se as assustarem muito, soltam apparatchiks como José Lello e mandam à fava o debate político.

Lisboa, 13/Fevereiro/2011
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(1) «Para uma sociologia dos partidos políticos na democracia moderna», Robert Michels, tradução de José M. Justo (ANTÍGONA, Lisboa, 2001)

(2) «Les cercles vicieux de la corruption», Donatella Della Porta in «Démocratie et corruption en Europe» (Éditions La Découverte, Paris, 1995)

(3) «O poder presidencial em Portugal», André Freire e António Costa Pinto (D. Quixote, Lisboa, 2010)

(4) «La Démocratie sans le peuple», Maurice Duverger (Éditions du Seuil, Paris, 1967)

(5) «El ‘fin de la política’ y el populismo de derecha», Chantal Mouffe (Claves de razón prática, nº 199, Madrid, Janeiro/Fevereiro de 2010)
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Afixado por Alfredo Barroso
http://tracogrosso.blogspot.com

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Mudem de rumo...

Diz que se trata de um hino ...

A canção "Que Parva que Sou", dos Deolinda, fala de problemas que existem.

Alguns tentam elevá-la a bandeira de uma revolta, outros tentam desvalorizar o objecto, outros até fazem hermenêuticas rebuscadas da letra para lhe encontrarem portas por onde possa entrar algum antídoto.

Parece que foi o caso de Maria de Lurdes Rodrigues, o que, a ser verdade, não lhe fica bem. Outros, para quem a arte é um tijolo, "reescrevem" a canção para se colarem com banalidades ao êxito que o seu saber-fazer não sabe. Queria aqui deixar umas breves notas sobre o episódio.

Primeiro, a canção é de intervenção, de protesto. E muito bem, porque fala de realidades obscenas que existem neste nosso país. Não é um rigoroso tratado de sociologia, mas também não era para ser.

Segundo, ainda bem que há quem proteste e denuncie. Também por aí passa a arte, também a música. Em todo o mundo. Isto aqui não é o Irão, ainda bem.

Terceiro, é errado tentar ignorar, muito menos menos menosprezar, estes sinais de descontentamento e revolta. Antes de ouvir a rua é melhor ouvir a música. Ser surdo é uma grave deficiência política, sempre. E costuma dar mau resultado.

Quarto, tentar arrebanhar partidariamente ou sectariamente uma canção de protesto é muito canhestro. Há quem nunca resista à tentação de tentar encerrar o social dentro do político-partidário, o que é pena.

Quinto, se a canção dos Deolinda acelerar a consciência do cancro que é a precariedade, e estimular organizações responsáveis a fazerem propostas viáveis e corajosas para a combater, a intervenção da canção valeu a pena. Não terá valido a pena se for apenas ocasião para o teatro das carpideiras do costume, que são bons a batar palmas nos coliseus mas muito primários a montar a tenda no quintal que não lhes pertence.

Finalmente: ouçam música, pensem se ela vos der que pensar, mexam-se se ela vos der genica para isso - mas, por favor, se forem deputados ou políticos activos, não tentem reconduzir tudo à retórica habitual. Nem contra, nem a favor, nem a assobiar para o lado. É que se arriscam a fazer figura de quem, ouvindo "A formiga no carreiro", diz que se trata de um hino da união zoófila.

Porfírio Silva
http://maquinaespeculativa.blogspot.com/

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Desopilar o fígado

Rooney from putjka on Vimeo.

Moções & Emoções...


O Bloco de Esquerda [BE] anunciou no último debate parlamentar – depois de desafiar José Sócrates a apresentar uma moção de confiança na AR – que, no dia 10 de Março, apresentaria uma moção de censura ao Governo. E explicou porque datou esta moção. O PR toma posse a 9 de Março passando, a partir desse dia, a exercer a plenitude das suas competências constitucionais.

Isto significa que o BE pretende credibilizar a sua moção carregando-a com todas as consequências políticas, i. e., provocar a queda do Governo e Eleições Legislativas antecipadas.
Este anúncio caiu de supetão na AR. Desencadeou uma imediata reacção do 1º. Ministro, na própria AR, resposta que começou com sorrisos nos lábios para acabar com um tom de alguma altercação.

Todavia, este arremedo político tem, por detrás, alguma história. Na verdade, há cerca de uma semana, o PCP, pela voz do seu secretário-geral, Jerónimo de Sousa, tinha aventado a hipótese de apresentar uma moção de censura ou, então votar favoravelmente qualquer moção de censura, mesmo vinda da Direita. Passados alguns dias, na Madeira, faria um recuo a esta posição e a sugestão, publicamente enunciada, seria encaminhada para o Comité Central.

A hipótese de esta posição ser interpretada como um bónus à Direita e, mais importante ainda, ficar dependente da sua agenda política [da Direita], levaria o PCP a deixar em banho-maria o despoletar de uma crise política. O PCP, por outro lado, não tem por hábito correr atrás de foguetes, devendo estes processos ser longamente planeados e amadurecidos. Quando optasse por apresentar uma moção de censura, esta deveria surgir em momento próprio e uma vez criado o clima propício.

E, a agenda dos comunistas passaria, obrigatoriamente, pela criação de condições objectivas que afastassem o espectro de ser penalizado por uma atitude voluntariosa que acabaria por favorecer o Centro-Direita. Assim, o PCP, a apresentar uma moção de censura, fazia-o antes de Outubro – quando é previsível em tempos de decisões orçamentais a Direita avançar – mas sempre depois do 1º de Maio, altura em que prevê que a crispação social e a contestação política atinjam um ponto alto.

Toda esta dialéctica política e o evidente enredo táctico do PCP, perturbou o BE e levou-o a, apressadamente [para não dizer precipitadamente], avançar com o anúncio da referida moção para daqui a 1 mês [logo após a posse do PR]. Esta situação tem sido interpretada como uma competição no espectro político à esquerda do PS e caracterizada como uma disputa em busca de protagonismo político.

Mas foi pior do que isso: o BE acabou, com alguma ligeireza, por concertar-se com uma obscura agenda de poder que mistura as aspirações do Centro-Direita com a reeleição de Cavaco Silva.

A moção a apresentar pelo BE não deve ser – como foi – classificada como “irresponsável”. Na realidade ela não deixa de ser coerente com a carga ideológica e doutrinária e a praxis desta formação política. Embora represente um incómodo em relação às soluções encontradas [definidas pelo PS/PSD mas assumidas isoladamente pelo PS] para enfrentar a crise, a oposição às medidas de tomadas [austeridade, contenção orçamental e estagnação do investimento público] é legítima.

Existem, em relação à actual crise, leituras díspares e, consequentemente, liberdade de pensar outras propostas, tomar posições políticas de repúdio ao modelo actual. As políticas engendradas para responder à crise sendo, em larga medida, concertadas no seio da UE, são vistas pelo BE como uma deriva neoliberal, dada a preponderância de Governos conservadores nos Estados europeus, bem como das estruturas partidárias transnacionais como, p. exº., o Partido Popular Europeu que domina o Parlamento Europeu e a Comissão Europeia.

É neste quadro que deve ser avaliada a posição do BE que, de certo modo, é uma reacção primária a um novo pacote de medidas ditas “estruturantes” [a proposta Merkel/Sarkosy no último Conselho Europeu], como moeda de troca para o reforço dos Fundos de resgate europeus [Fundo de Estabilização Europeu].

Claro que a situação do País é grave em termos económicos e financeiros e a iniciativa do BE será – pelos "situacionistas" – considerada como inoportuna. Em política, uma coisa é a oportunidade e outra será a responsabilidade.

O regime democrático sai lesado na sua capacidade de gerar soluções [na sua “democraticidade”] quando o confronto de posições, de ideias, ou simples enunciado de políticas alternativas é, de imediato, apodado de “calamitosa irresponsabilidade”.

Em suma, a política é feita por homens e mulheres, enfim, seres humanos com convicções, emoções, certezas, dúvidas, rejeições, adopções, etc..
É neste sentido que, o anúncio do voto de censura pelo BE não deve ser considerado uma irresponsabilidade [mormente para os preponentes].

Pode ser, para os visados ou, transpondo para o âmbito nacional, para o País, politicamente inoportuno. Mas mal de um País que não suporta este tipo de confrontos que são a essência do regime, em nome de uma imagem a exportar para a Europa ou para o Mundo. De facto, ninguém sabe onde residem os mercados e em que terreno atacam os especuladores.

Feita esta longa ressalva, o voto de censura agendado pelo BE veio revelar outros factos menos visíveis. E um deles, que tem sido pouco referido, foi a notória incapacidade do PSD em reagir a um novo facto político, não agendado, imprevisto. Surpreendido - como muitos outros - enquistou-se e entrou em súbita hibernação caucionando esta posição no dilatado tempo que mediará entre o anúncio e a apresentação formal do voto de censura. Anuncia que vai estudar os termos concretos da moção, refugia-se em formalismos.

As razões do voto de censura não diferem da prática política do BE, ao longo do último decénio. Mas para ganhar tempo finge não perceber. Entretanto, na ribalta política, agitam-se as vozes de barões, escudeiros e peões de brega, oscilando entre um aproveitamento da situação criada pelo BE ou na sua rejeição em nome princípios éticos, de distanciamentos partidários, do “interesse nacional”, etc.

De facto, a moção pode não ser só inoportuna para o País, será também para a agenda de tomada do Poder, desenhada pelos estrategas do PSD. Veio cedo demais. Foi extemporânea. Embora desfrutem de boas projecções nas sondagens não estão preparados para assumir responsabilidades e consequências da governação. A táctica do momento é endossar o ónus para o PS. É, ainda, cómodo ficar na Oposição.

De resto, a moção de censura não terá resultados práticos para o Governo ou para o País, além de provocar o reacendimento do debate político e partidário. Os dirigentes políticos sabem isto, o PR idem e, os mercados, também. Dramatizar é que pode prejudicar os portugueses.

Toda a gente sabe que o PSD vai enveredar pelo corriqueiro: “não me comprometam...”. E, pomposamente, em nome do interesse nacional, da estabilidade, da responsabilidade, vai abster-se. Tem sido assim desde que Passos Coelho dirige o partido. A regra é abster-se em questões fulcrais e politicamente delicadas e, no momento, vir para a praça pública cantar loas que foi o grande facilitador para, no dia seguinte, branquear prévios compromissos, pedir desculpas ou, simplesmente, pôr-se de fora.

Até quando? Com certeza que até à discussão do OE de 2012. Essa é a sua agenda política há muito denunciada. Na verdade, o suspense dura há mais de um mês. Persiste desde as eleições para a presidência da República.

posted by e-pá!
http://ponteeuropa.blogspot.com/

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Quem Me Leva Os Meus Fantasmas

Politica de gaiola

Se a sinistra/diestra, ganhar a aposta da moção, no meio da desgraça, talvez se consiga desinfectar o poleiro de piscos e pardalelos(espécie de pardal rosa)

A senhora que se segue...

Consta que o departamento feminino do PS, começou as provas de corta-mato para a pròxima maratona.

Ninguém é perfeito

Afinal não votarei em Sócrates - declaração de voto

Afinal, pensando bem, ainda não será desta que proporei, e nem sequer votarei, em José Sócrates.

Continuarei a votar (consciente e orgulhosamente) no Partido Socialista, como sempre votei, mas continuarei a não ser eleitor de Sócrates. E como só há uma altura para não votar em Sócrates, que é quando ele se candidata a Secretário-Geral do PS, lá terá de ser.

No entanto espero que Sócrates tenha, se não 100% dos delegados no Congresso, pelo menos 99%. Espero que a sua lista seja mega-hiper-extra maioritária, coisa a rondar a unanimidade, mesmo que os delegados se apresentem em dezenas de listas diferentes e contraditórias nas mesmas estruturas.

E antes que me desafiem a candidatar-me a Secretário-Geral (coisa vulgar cada vez que alguém do PS diz que não é apoiante de Sócrates) informo desde já que não serei candidato.

LNT
http://barbearialnt.blogspot.com/