quinta-feira, 8 de julho de 2010
pt, vivo e...

OUTRAS PTs, OUTRAS ACÇÕES DOURADAS, OUTROS NACIONALISMOS
A propósito desta procissão que ainda vai no adro que é a estória das acções douradas do Estado na PT, e o seu uso no caso da Vivo, parece interessante ir olhando para outras regiões do complexo puzzle que está tecido, designadamente em termos de União Europeia. Por ora, damos aqui alguma informação acerca da chamada "Lei Volkswagen", um imbróglio que está longe de concluído, e que servirá provavelmente para futuras reflexões sobre a matéria.
A “Lei Volkswagen”, promulgada em 1960 e revista várias vezes, foi a via encontrada pela Alemanha para “enquadrar” a privatização da construtora automóvel. Era aí montado um esquema com vários elementos para proteger a germanidade da empresa. A saber: o Estado Federado da Baixa Saxónia fica com 20% das acções (a República Federal também teve acções, mas vendeu-as entretanto); há um tecto nos direitos de voto dos accionistas: independentemente do número de acções, nenhum accionista pode exercer mais do que 20% dos direitos de voto; qualquer decisão tem de recolher mais de 80% dos votos (contrariamente aos 75% exigidos no caso geral de empresas com uma protecção pública), o que, no contexto destas normas, garante uma espécie de direito de veto das acções detidas pelos poderes públicos; tanto o Estado Federado como a República Federal têm direito a dois lugares no conselho de administração.
Em 2005, a Comissão Europeia colocou a Alemanha no Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias, acusando-a de que este esquema atentava contra a liberdade de movimento de capitais e contra a liberdade de estabelecimento. Em Outubro de 2007, o Tribunal deu razão à Comissão na questão do movimento de capitais (mas não na questão da liberdade de estabelecimento).
O Tribunal, ao tomar a sua decisão, realça o facto de a dita lei ser considerada uma “medida nacional” por ela ser da exclusiva competência do Estado e só o Estado a poder modificar. E considera que o resultado do esquema, no seu conjunto – mesmo que composto por medidas que individualmente seriam aceitáveis – é limitar injustificadamente a liberdade de circulação de capitais. Especificamente, o Tribunal analisa as justificações apresentadas pela Alemanha: proteger os trabalhadores, proteger os accionistas minoritários, proteger o emprego criado pela actividade da empresa – e conclui que a Alemanha não conseguiu explicar a necessidade daquele esquema para proteger aqueles interesses que até seriam legítimos.
Depois de notificada, a Alemanha modificou a Lei Volkswagen, em Dezembro de 2008. Fê-lo, contudo, de forma que a Comissão Europeia considera insuficiente, designadamente por manter a “minoria de bloqueio” de 20% das acções. A Alemanha argumenta que o Tribunal só condenou a conjugação desse elemento com o tecto de votos limitado a 20%. A Comissão exige o desmantelamento de todos os elementos identificados pelo Tribunal e os serviços da Comissão têm considerado que há base para voltar a ir a Tribunal demandar a Alemanha – só que a Comissão propriamente dita (o colégio de Comissários) ainda não terá decidido o que fazer.
Posto isto, acho oportuno fazer notar algumas lições que este caso nos pode ajudar a extrair.
Noto que não há notícia de qualquer actor público na Alemanha – partidos, sindicatos, associações empresariais, opinião publicada – ter dirigido qualquer crítica ao governo da senhora Merkel por causa da interpretação restritiva que faz do acórdão do Tribunal Europeu.
Noto a ligeireza com que alguns por aí dizem que o "proteccionismo" de Portugal no caso PT lança a desonra sobre o nome do país nos mercados internacionais - quando, nos mercados, a grande desonra é ser tomado por parvo. Não me consta que a Alemanha tenha sido desonrada por casos como este.
Noto que os Estados podem arranjar maneiras de retardar a aplicação de decisões do Tribunal Europeu, ou mesmo de modular essa aplicação por via da interpretação das mesmas - e constato que, por cá, alguns pensam, e anseiam, que o céu nos caia em cima já a 8 de Julho no caso de uma decisão desfavorável. E noto, do mesmo passo, que não se está a dar suficiente peso ao valor da litigação como parte da defesa dos nossos interesses: talvez a Telefónica, se perceber a determinação portuguesa em lhe fazer perder a oportunidade do negócio por via do arrastamento da litigação, se convença a passar da estratégia da agressão para a estratégia da negociação. A não ser que os aliados da Telefónica estejam precisamente na direita portuguesa.
Noto que as razões invocadas para o "proteccionismo" da Lei Volkswagen - proteger os trabalhadores, proteger os accionistas minoritários, proteger o emprego criado pela actividade da empresa - devem parecer estranhas aos capitalistas lusos, que certamente não imaginam que um Estado europeu invoque tais "ninharias" para se dar a tanto trabalho.
(Para referência: o processo da Comissão contra a Alemanha por causa da Lei Volkswagen tem o número C-112/05.)
Publicado por Porfirio Silva On 7.7.10
http://maquinaespeculativa.blogspot.com/
Leituras
Carlos Brito (Moçambique, 1933) foi durante mais de três décadas um dos mais destacados dirigentes comunistas. Saiu do PCP e, passado um período de nojo, publicou Álvaro Cunhal, Sete Fôlegos do Combatente (Edições – Nelson de Matos) – um testemunho memorialista sobre as suas relações com o líder dos comunistas portugueses.
O autor usa, ao longo de quase 400 páginas, uma memória selectiva que lhe permite circular em dois sentido (ou dois fôlegos). Quando utiliza um dos sentidos, não analisa os factos passados a partir da visão actual.
Por exemplo, quando escreve que em «1999, após o seu regresso de facto ao comando do Partido, impondo a férrea obediência da ortodoxia conservadora à Direcção vigente» ou quando se indigna com a intervenção de Cunhal no XII Congresso, em 1988, acusando os «camaradas que contestavam ou criticavam» de estarem «inseridos na campanha anti-PCP», Carlos Brito não quis projectar estas apreciações para trás, até 1966, quando se encontrou com Cunhal num café da Place de Clichy, em Paris.
Isso incomoda-o porque teria de concluir que o líder dos comunistas sempre impôs, desde que fugiu de Peniche, «a férrea obediência da ortodoxia conservadora à Direcção» e sempre acusou os «que contestavam» de agentes anti-partido. E que ele, Carlos Brito, durante três décadas, foi um homem de mão de Cunhal na aplicação dessa visão «ideológica». Quando utiliza o outro sentido, analisa os factos passados, incluindo os fôlegos de Cunhal, a partir da sua visão actual, e não com a que tinha na altura, e que o levou a estar sempre de acordo com o camarada secretário-geral.
Por exemplo, «A sublimação do factor militar (…) é que explica que Álvaro Cunhal tenha sido surpreendido pelo 25 de Abril» ou que nesta «altura ainda não tinha percebido o Movimento das Forças Armadas». Os exemplos multiplicam-se, às dezenas, em toda a narrativa e seria fastidioso enumerá-los.
Esta duplicidade de critérios transforma o testemunho de Carlos Brito num ajuste de contas com Álvaro Cunhal e, sobretudo, com Carlos Costa e a actual direcção do PCP. Nem podia ser de outro modo: são as memórias do Autor.
Por Tomás Vasques
http://hojehaconquilhas.blogs.sapo.pt/
O que dizem
Justiça social domina discurso de dois antigos líderes
Soares pede debate no PS e apela a união ibérica contra a "ortodoxia" neoliberal
Ferro Rodrigues e João Proença criticaram a forma como o Governo explica medidas de austeridade. O desemprego vai aumentar mas o Executivo prefere "mensagens cor-de-rosa".
O tema - "O socialismo democrático e a crise económica e social" - motivou diversas abordagens e foi consensual a tese de que a crise só poderá encontrar soluções num contexto europeu. Mas os oradores convidados para o primeiro dia das jornadas parlamentares do PS, na Assembleia da República, não limitaram os seus discursos às origens históricas da crise e às fórmulas para a debelar. Mário Soares e Ferro Rodrigues, dois antigos líderes do PS, e João Proença, secretário-geral da UGT, não fugiram à temática proposta. Mas articularam-na com a vida interna do partido, a conjuntura política e os métodos comunicativos do Governo.
Soares foi, de longe, quem mais se manifestou preocupado com as consequências sociais da crise económica e financeira, nomeadamente o aumento do desemprego e da pobreza.
Citando abundantemente o economista Paul Krugman, o fundador do PS atentou que as medidas impostas por Bruxelas podem vir a representar um aumento inédito do desemprego na Europa. "O próprio modelo social europeu voltou a ser posto em causa, com o pretexto de sempre: ser financeiramente insustentável.
Isto é, o que conta para os economicistas não são as pessoas, que julgam dever sujeitar-se à selecção natural - ou seja, os mais pobres morrem, é o chamado darwinismo social - porque o que verdadeiramente lhes interessa são os lucros e o dinheiro", disse.
Foi neste momento que Soares, defensor do federalismo europeu, exortou o Governo a secundar as decisões de Espanha e a ter "coragem" para "bater o pé aos líderes europeus" que perfilham uma "ortodoxia financeira obsoleta". Portugal e Espanha deviam "defender e fazer avançar o projecto europeu, não só no sentido de ultrapassar a crise", mas também "como um agente de primeiro plano na cena internacional".
Apesar de Ferro frisar, como Soares, que os "grandes responsáveis" pelo "monstro" da crise são a ausência de regulação e a especulação, o embaixador na OCDE admitiu que Portugal não tem outra escolha se não "seguir as orientações europeias dominantes: consolidação orçamental credível e rápida, primado das exportações face à procura e paragem do endividamento externo".
Mas o ex-líder socialista notou que os planos de austeridade não devem escamotear a equidade social. E alertou: "As medidas que têm sido tomadas eram inevitáveis e com o número de desempregados que temos era imprescindível multiplicar os cuidados com a equidade social." Querendo dissipar quaisquer ilusões, afirmou: "A verdade é para se dizer: nos próximos anos o crescimento dos salários e a queda do desemprego não estarão no primeiro plano das políticas económicas."
Mensagem "não passa"
Esta crítica velada ao discurso do Governo foi partilhada por João Proença, que foi ainda mais explícito. Sobretudo nas críticas à forma como o Governo comunica com o país. Sobre a reacção do Executivo perante a evolução do desemprego, Proença afirmou: "Embora considere correcta a actuação do Governo, acho que há uma mensagem que não passa. Passa mais a mensagem pessimista de dizer às pessoas que hoje estamos mal do que uma mensagem cor-de-rosa de que hoje está tudo bem. (...) É evidente que o desemprego vai continuar a aumentar. O que devemos dizer é que, para este Governo, o desemprego é a questão central."
Mas não foi apenas Proença a deixar avisos ao Governo. Também Ferro Rodrigues apontou que apenas a "informação completa" sobre a crise poderá "combater o populismo e a demagogia". E Mário Soares optou por atentar no PS. Sublinhando que a oposição não representa uma alternativa exortou os deputados a "insuflarem alma, princípios éticos, ideologia e confiança" no partido onde, admitiu, falta debate interno.
Propostas em directo
O presidente da câmara de Lisboa foi às jornadas parlamentares do PS com um rol de propostas. Ao Executivo, António Costa pediu alterações à lei eleitoral autárquica. Aproveitando o clima de entendimento com "a nova direcção do PSD", o PS "deve protagonizar um grande processo de reforma, quer do Estado para os municípios, quer dos municípios para as freguesias, quer do Estado para efectivas autoridades metropolitanas, quer do ponto de vista regional, onde é preciso pôr ordem nos serviços desconcentrados da administração do Estado e dar-lhes legitimidade democrática".
Costa não adiantou mais detalhes, notando apenas que os chamados governos autárquicos devem ser "iguais aos governos das regiões autónomas". A revisão do regime de rendas apoiadas também foi apontado: a renda deve ser fixada de acordo com o rendimento líquido per capita do agregado familiar e não segundo o rendimento bruto das famílias.
Por Maria José Oliveira
http://www.publico.pt
quarta-feira, 7 de julho de 2010
RTP i
Documentário sobre a vida de Tito de Morais a passar na RTPi (Internacional), hoje, dia 07 de Julho de 2010, às 23:00 horas.
Uma referência indelével da esquerda portuguesaExílio. Prisão. Perseguição. Clandestinidade. Tortura. Conspiração. Luta. Privação. Sacrifício. Conquista. Construção. Renúncia. Convicção.
Manuel Tito de Morais – 1910-1999 Irene Flunser Pimentel, Mário Soares, António Guterres, Almeida Santos, Jaime Gama, Manuel Alegre, António Capucho, Carlos Brito, Adriano Moreira, Pedro Pezarat Correia, entre outros, testemunham sobre Manuel Tito de Morais e sobre uma época de quase meio século de ditadura e a sua transição para a Democracia.
“Antes Quebrar que Torcer”, um documentário biográfico sobre o político Manuel Tito de Morais.
Estivadores
A EXTREMA-ESQUERDA É O CARREGADOR DO ANDOR DA DIREITA
«As forças políticas à esquerda do PS "são hoje carregadores do andor onde vai a direita política portuguesa", considerou Augusto Santos Silva, falando esta manhã nas jornadas parlamentares do seu partido, que decorrem na Assembleia da República. "Não devemos ter nenhuma dúvida sobre isso", insistiu.
Mas para o dirigente socialista, o combate à direita é que deve ser a prioridade do PS, pois "é melhor tratar do andor do que dos ajudantes que o carregam". Da dupla demarcação que os socialistas devem fazer, à esquerda e à direita, a segunda é que é "decisiva". "É aí que devemos insistir o essencial do nosso combate político", frisou Santos Silva, pois a "agenda da direita portuguesa é superar o Estado Providência" e instituir o "Estado mínimo".» [Expresso]
Parecer:
Santos Silva tem razão e o pior é que durante quatro anos todos viram Manuel Alegre a carregar o andor.
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Manuel Alegre se ficou com muitos calos na mão.»
http://jumento.blogspot.com/
http://clix.expresso.pt/santos-silva-acusa-esquerda-de-carregar-o-andor-da-direita=f592270
«As forças políticas à esquerda do PS "são hoje carregadores do andor onde vai a direita política portuguesa", considerou Augusto Santos Silva, falando esta manhã nas jornadas parlamentares do seu partido, que decorrem na Assembleia da República. "Não devemos ter nenhuma dúvida sobre isso", insistiu.
Mas para o dirigente socialista, o combate à direita é que deve ser a prioridade do PS, pois "é melhor tratar do andor do que dos ajudantes que o carregam". Da dupla demarcação que os socialistas devem fazer, à esquerda e à direita, a segunda é que é "decisiva". "É aí que devemos insistir o essencial do nosso combate político", frisou Santos Silva, pois a "agenda da direita portuguesa é superar o Estado Providência" e instituir o "Estado mínimo".» [Expresso]
Parecer:
Santos Silva tem razão e o pior é que durante quatro anos todos viram Manuel Alegre a carregar o andor.
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Manuel Alegre se ficou com muitos calos na mão.»
http://jumento.blogspot.com/
http://clix.expresso.pt/santos-silva-acusa-esquerda-de-carregar-o-andor-da-direita=f592270
terça-feira, 6 de julho de 2010
Maria de Lurdes Rodrigues
Homenagem
A anterior ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, publicou um livro sobre as virtudes da escola pública.
Com toda a legitimidade o faz. Ninguém como ela à frente do Ministério da Educação contribuiu mais para dar sentido ao ensino público, reordenando a rede escolar, melhorando as condições físicas e tecnológicas das escolas do ensino básico e secundário, alargando o horário do ensino básico, combatendo o abandono e o insucesso escolar, reforçando a acção social escolar, introduzindo a avaliação das escolas e dos professores, conferindo mais autonomia e responsabilidade às escolas, universalizando o ensino pré-escolar e o ensino secundário, apostando no ensino profissional.
Enfrentando com coragem e determinação todas as resistências corporativas e oposições políticas, Maria de Lurdes Rodrigues foi simplesmente a melhor dos ministros da Educação desde o 25 de Abril.
Publicado por Vital Moreira
http://causa-nossa.blogspot.com/
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Palermice assumida
à excepção do socialista José Lello, que se absteve, tendo os deputados do PSD eleitos pelas regiões autónomas apresentado declaração de voto, assim como o deputado socialista eleito pela Região Autónoma dos Açores Ricardo Rodrigues e o deputado eleito pela emigração Paulo Pisco.
Nota de rodazé: solidariedade de rato pitosga.
http://zezenxl.blogspot.com/2010/07/palermices.html#comments
domingo, 4 de julho de 2010
Cruzes, canhoto
Crucifixos regressam ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos
A presença de crucifixos nas escolas públicas italianas está de volta ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.
Os juízes de Estrasburgo estão a analisar um recurso interposto pelo governo italiano, depois do Tribunal ter deliberado, em Novembro, que os crucifixos na sala de aula violam a liberdade de pensamento, de consciência e de religião.
Na sequência da decisão, o executivo teve de pagar uma multa de cinco mil euros à mãe que fez queixa em Estrasburgo e lutou durante oito anos pela exclusão dos símbolos religiosos das escolas públicas.
Nas escolas, as opiniões dividem-se. Uma professora defende que “a Itália é um país de católicos, por isso, é legítimo manter crucifixos nas escolas”. Já uma estudante pensa que “na sala de aula não se deve ensinar religião, mas cultura, porque há crianças de outras religiões”.
A decisão definitiva do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem vai aplicar-se à Itália, mas poderá levar a uma revisão da jurisprudência de países membros do Conselho da Europa sobre o uso de símbolos religiosos nas escolas.
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Ponto final
Voto tuga (3)
Aproximar os eleitos dos eleitores
“Os emigrantes elegem apenas quatro dos 230 deputados. Mais de trinta por cento da população, representada por menos de dois por cento do Parlamento. Em muitos países bem mais ricos e desenvolvidos, os emigrantes votam, elegem e derrubam governos. Por cá, o sistema apenas consente que eles integrem… a claque do futebol.” Paulo Morais
Há 167 mil eleitores residentes inscritos nos círculos da emigração. Como bem diz Ricardo Alves, a eleição de quatro deputados pela emigração corresponde a um deputado por 41 mil inscritos, o mesmo que em Portugal.
Mas destes, votam apenas 25 mil (o mesmo que em Portugal elege apenas um deputado, e não quatro). Paulo Morais queria que elegessem um terço dos deputados. Ou seja, 77. Teríamos então um deputado por 2.170 inscritos e, mais interessante ainda, um deputado por 324 votantes.
Assim, pelo menos entre os emigrantes, ninguém se queixaria de falta de proximidade entre eleitos e eleitores. Podiam até ser todos amigos.
O mal de viver com a mania das grandezas quanto à ligação de cinco milhões de portugueses (um exagero evidente) à realidade nacional e de confundir ligação às origens com cidadania dá em disparates destes.
Por Daniel Oliveira
http://arrastao.org/
“Os emigrantes elegem apenas quatro dos 230 deputados. Mais de trinta por cento da população, representada por menos de dois por cento do Parlamento. Em muitos países bem mais ricos e desenvolvidos, os emigrantes votam, elegem e derrubam governos. Por cá, o sistema apenas consente que eles integrem… a claque do futebol.” Paulo Morais
Há 167 mil eleitores residentes inscritos nos círculos da emigração. Como bem diz Ricardo Alves, a eleição de quatro deputados pela emigração corresponde a um deputado por 41 mil inscritos, o mesmo que em Portugal.
Mas destes, votam apenas 25 mil (o mesmo que em Portugal elege apenas um deputado, e não quatro). Paulo Morais queria que elegessem um terço dos deputados. Ou seja, 77. Teríamos então um deputado por 2.170 inscritos e, mais interessante ainda, um deputado por 324 votantes.
Assim, pelo menos entre os emigrantes, ninguém se queixaria de falta de proximidade entre eleitos e eleitores. Podiam até ser todos amigos.
O mal de viver com a mania das grandezas quanto à ligação de cinco milhões de portugueses (um exagero evidente) à realidade nacional e de confundir ligação às origens com cidadania dá em disparates destes.
Por Daniel Oliveira
http://arrastao.org/
Voto tuga (2)
Portugueses de bancada
Quando logo entrar em campo para o jogo com Espanha, a equipa portuguesa terá no estádio um apoio significativo e talvez decisivo: uma torcida constituída por muitos milhares de emigrantes portugueses.
~
Esse apoio será mais uma evidência de quanto os cinco milhões de portugueses e luso-descendentes dispersos pelo mundo continuam ligados ao nosso país… apesar de o país tanto os maltratar. A rede diplomática e consular, ora os ignora, ora os despreza. A sua representação política é mínima, chega a ser humilhante.
Os emigrantes elegem apenas quatro dos 230 deputados. Mais de trinta por cento da população, representada por menos de dois por cento do Parlamento.
Em muitos países bem mais ricos e desenvolvidos, os emigrantes votam, elegem e derrubam governos. Por cá, o sistema apenas consente que eles integrem… a claque do futebol.
Posted by PauloMorais
http://blasfemias.net/2010/06/29/portugueses-de-bancada/
Quando logo entrar em campo para o jogo com Espanha, a equipa portuguesa terá no estádio um apoio significativo e talvez decisivo: uma torcida constituída por muitos milhares de emigrantes portugueses.
~
Esse apoio será mais uma evidência de quanto os cinco milhões de portugueses e luso-descendentes dispersos pelo mundo continuam ligados ao nosso país… apesar de o país tanto os maltratar. A rede diplomática e consular, ora os ignora, ora os despreza. A sua representação política é mínima, chega a ser humilhante.
Os emigrantes elegem apenas quatro dos 230 deputados. Mais de trinta por cento da população, representada por menos de dois por cento do Parlamento.
Em muitos países bem mais ricos e desenvolvidos, os emigrantes votam, elegem e derrubam governos. Por cá, o sistema apenas consente que eles integrem… a claque do futebol.
Posted by PauloMorais
http://blasfemias.net/2010/06/29/portugueses-de-bancada/
Voto tuga (1)
Os votos dos emigrantes
Há coisas que não fazem sentido nenhum. Dizer que «a sua representação política [a dos emigrantes] é mínima, chega a ser humilhante. Os emigrantes elegem apenas quatro dos 230 deputados.
Mais de trinta por cento da população, representada por menos de dois por cento do Parlamento», é absurdo. O sistema eleitoral atribui 226 deputados aos 9,35 milhões de eleitores do território nacional, e 4 deputados aos 167 mil eleitores residentes no estrangeiro que se dignaram inscrever-se. Em ambos os casos, um deputado por cada 41 mil eleitores recenseados.
Não há aí qualquer sub-representação, a não ser no défice de inscrição dos emigrantes, os tais miríficos «cinco milhões» de emigrantes que gostamos de imaginar como portugueses, mas que em muitos casos (mais numerosos nas segundas e terceiras gerações) já nem sequer se considerarão como tal.
Ainda outro dado significativo do desinteresse dos emigrantes pela política nacional é uma taxa de abstenção de 85%, muito acima dos 39% de abstenção dos residentes em Portugal.
O Paulo Morais quereria exactamente o quê? Que os 25 mil emigrantes que efectivamente votam elegessem 70 deputados?
Publicado por Ricardo Alves
http://esquerda-republicana.blogspot.com/2010/06/os-votos-dos-emigrantes.html
Há coisas que não fazem sentido nenhum. Dizer que «a sua representação política [a dos emigrantes] é mínima, chega a ser humilhante. Os emigrantes elegem apenas quatro dos 230 deputados.
Mais de trinta por cento da população, representada por menos de dois por cento do Parlamento», é absurdo. O sistema eleitoral atribui 226 deputados aos 9,35 milhões de eleitores do território nacional, e 4 deputados aos 167 mil eleitores residentes no estrangeiro que se dignaram inscrever-se. Em ambos os casos, um deputado por cada 41 mil eleitores recenseados.
Não há aí qualquer sub-representação, a não ser no défice de inscrição dos emigrantes, os tais miríficos «cinco milhões» de emigrantes que gostamos de imaginar como portugueses, mas que em muitos casos (mais numerosos nas segundas e terceiras gerações) já nem sequer se considerarão como tal.
Ainda outro dado significativo do desinteresse dos emigrantes pela política nacional é uma taxa de abstenção de 85%, muito acima dos 39% de abstenção dos residentes em Portugal.
O Paulo Morais quereria exactamente o quê? Que os 25 mil emigrantes que efectivamente votam elegessem 70 deputados?
Publicado por Ricardo Alves
http://esquerda-republicana.blogspot.com/2010/06/os-votos-dos-emigrantes.html
Offshores

Vaticano, S. A. - O offshore da impunidade
Os escândalos do banco do Vaticano. a Igreja não vive só de avé-marias
Instituto para Obras Religiosas fez negócios pouco santos, garante o autor de “Vaticano SA”.
O Vaticano é há muito um centro de corrupção e intriga política onde o dinheiro e a fé se movem de mãos dadas. A opacidade da única teocracia europeia esconde a teia de interesses que liga prelados, políticos sem escrúpulos e mafiosos.
No bairro de 44 hectares, que deve a Benito Mussolini o estatuto de que goza, urdem-se tramas, tecem-se redes de poder e lava-se dinheiro de origem criminosa. A cupidez e a falta de escrúpulos vai até ao Papa, corrompe tiaras, oxida báculos e corrói mitras e barretes cardinalícios.
Deus é um mero álibi para os crimes que andam à solta naquele bairro mal frequentado. A imunidade papal trava o braço da única justiça que existe – os tribunais dos homens.
Os papas mais pérfidos acabam por fazer, depois de mortos, os milagres que os hão-de conduzir aos altares, esquecidos ou ignorados os crimes praticados em vida. A história do Vaticano é uma sucessão de horrores que a fé dos crédulos e o esplendor da liturgia conseguem mascarar.
A origem do ouro de que se fazem os anelões dos prelados é um segredo bem guardado mas o destino do dinheiro lavado num dos mais obscenos offshores do mundo é ainda mais enigmático e obscuro.
Quantas conspirações, intrigas e traições, por todo o mundo, não foram pagas com o óbolo dos crentes e as esmolas para as alminhas do Purgatório? O Vaticano é um bairro sem lei, onde o negócio das indulgências, sacramentos e bênçãos é a fachada sob a qual se esconde um dos mais perigosos centros de poder sem qualquer controlo democrático.
Os Estados de direito não podem permitir que os delitos fiquem impunes no espaço europeu onde um futuro santo, com a alcunha de Sumo Pontífice, num Estado fantoche que usa o pseudónimo de Santa Sé, dirige um bando à margem da lei e ignora as normas éticas que devem reger a sociedade.
posted by Carlos Esperança
http://ponteeuropa.blogspot.com/
sábado, 3 de julho de 2010
Palermices
Lello diz ser "desprestigiante" Gama viajar em Económica
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Jaime Gama diz que vai viajar em classe económica.
José Lello afirmou hoje que é "desprestigiante" que o presidente da Assembleia da República viaje em económica.
Após a votação do projecto de resolução que determina que os deputados passam a viajar em económica, sempre que as viagens não durem mais de três horas e meia, estabelecendo que o presidente da Assembleia viaja em executiva, Jaime Gama afirmou que não utilizará essa "faculdade".
"O presidente da Assembleia da República, em relação a esta declaração aprovada, gostava de tornar público que não utilizará a faculdade que lhe é concedida pelo artigo 3º da resolução", afirmou Jaime Gama.
Questionado pela Lusa sobre os motivos concretos que o levaram a abster-se neste projecto de resolução, José Lello afirmou que a redacção final não correspondia ao votado no conselho de administração da Assembleia da República (AR).
Em causa estão as durações das viagens em que os deputados passam a viajar em económica - três horas e meia - quando José Lello afirmou ter sido acordado que seriam de três horas.
Por outro lado, o deputado socialista considerou que "o doutor Jaime Gama pode viajar como quiser, mas a segunda figura do Estado [presidente da AR] tem que viajar na classe mais alta".
Para José Lello "é uma questão de prestígio e não compete ao doutor Jaime Gama optar".
"É desprestigiante", sublinhou.
"Então, a segunda figura do Estado vai lá atrás? O que dirão os nossos credores se a segunda figura do Estado viajar em económica? Há sinais que se têm de dar para o exterior", argumentou.
O projecto de resolução hoje aprovado estabelece que as novas regras das viagens dos deputados não se aplicam "às delegações chefiadas pelo presidente da Assembleia da República ou pelo vice-presidente que o substitua".
O projecto de resolução foi aprovado com os votos favoráveis de todos os deputados à excepção do socialista José Lello, que se absteve, tendo os deputados do PSD eleitos pelas regiões autónomas apresentado declaração de voto, assim como o deputado socialista eleito pela Região Autónoma dos Açores Ricardo Rodrigues e o deputado eleito pela emigração Paulo Pisco.
Apesar de não ser "particularmente visado", José Lello justiçou na altura a sua abstenção afirmando que o texto final do projecto de resolução não teve em consideração "uma votação específica em sede de conselho de administração" da Assembleia.
Económico com Lusa
http://economico.sapo.pt
LIBERDADES
Busto de Tito de Morais
Ao fim da tarde de ontem, faziam-se os últimos preparativos para que Manuel Tito de Morais passe a ter, a partir de hoje ao meio-dia, a homenagem que Lisboa lhe deve.
Perto, quase encostado ao muro da Sede Nacional do PS, como um marco em reconhecimento de uma vida dedicada às ideias da liberdade, da solidariedade, da fraternidade e de igualdade de oportunidades que o Tito sempre quis que fossem as bases do seu Partido Socialista.
O busto que António Costa vai descerrar numa sessão onde Manuel Alegre não deixará de evocar essas ideias defendidas com enormes custos por Tito de Morais, é uma memória em bronze para que nunca se esqueça que esses princípios são um bem que exigem luta e conquista todos os dias.
Usarão ainda da palavra o escultor Francisco Simões e Manuel Tito de Morais, filho do homenageado.
http://barbearialnt.blogspot.com/
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