sábado, 30 de abril de 2011

Ràcios



by http://puxapalavra.blogspot.com/

quinta-feira, 28 de abril de 2011

O voto minhocas

As minhocas não votam porque não podem. Não seja minhocas, và votar. Seja livre de escolher ! (ZéZen)


Tomar posição

Daqui a cerca de um mês vamos todos ser chamados a exercer, novamente, o nosso direito de voto mas, agora, para as Legislativas. E vamos ser chamados porque, não sendo o voto obrigatório no nosso país, apenas compete ao Estado mobilizar os cidadãos para o cumprimento desse dever cívico e político.

A desmobilização dos eleitores portugueses face ao cumprimento do seu dever de voto tem sido evidente nos últimos actos eleitorais com uma subida assustadora da abstenção; daí que a primeira tomada de posição seja a de proclamar a necessidade de haver uma manifestação maciça contra a abstenção acorrendo todos às urnas e expressando a sua escolha política. Ninguém deve ficar de fora.

O momento que o país atravessa com as diferentes perspectivas de futuro que nos são apresentadas pelas diferentes forças políticas é por demais importante para que alguém ignore o acto eleitoral, para que alguém ouse esquecer as suas obrigações para com o colectivo a que pertence.

O tomar uma posição política é o segundo aspecto de que se reveste o acto eleitoral.
Com a apresentação do programa do Partido Socialista ficam desde já balizadas as opções políticas. O que desejam os cidadãos para o futuro do país fica agora de escolha mais clara pois sabem-se já as posições globais de todas as forças políticas, embora algumas ainda não tenham posto, preto no branco, aquilo que desejam transmitir e as especificidades das suas propostas; mas o sumo do seu fruto já é por demais conhecido. E é aí que o cidadão eleitor tem de fazer as suas escolhas; é aí que o cidadão eleitor tem de tomar a consciência daquilo que deseja e responder, no futuro, pela sua tomada de posição.

Ninguém terá desculpa na opção que tomou; seremos todos co-responsáveis pelos resultados os acto eleitoral e pela relação de forças que dele sair para a constituição do novo governo.
Sabemos que é desejável a constituição de um governo de maioria alargada mas tal só será possível se todos os partidos estiverem dispostos a negociar esse mesmo alargamento, daí que, sabendo de antemão que existe já quem se exclua desse facto, não deixando grandes esperanças de contributo, mais importante ainda se torna a decisão do voto popular.

Há que tomar posição !

Temos, obrigatóriamente, de dizer o que queremos e arcar com as responsabilidades.

Acabou-se o tempo de deixar aos outros a expressão das nossas opções.

Temos de nos apresentar ao Mundo como senhores da nossa vontade e verdadeiramente decididos a tomar a responsabilidade pelo nosso futuro.

Gritar contra algo para que não quizemos contribuir não é mais aceitável. Temos de nos assumir como cidadãos de corpo inteiro e conscientes das nossas opções.

Publicada por Miguel Gomes Coelho (T.Mike)
http://srbolinha.blogspot.com/

Em Beleza

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Stand By Me

Direito ao contraditòrio

Contas com Jorge, Jorge na rua...

Portugal tem hoje 349 Institutos Públicos, dos quais 111 não pertencem ao sector da Educação. Se descontarmos também os sectores da Saúde e da Segurança Social, restam ainda 45 Institutos com as mais diversas funções.

Há ainda a contabilizar perto de 600 organismos públicos, incluindo Direcções Gerais e Regionais, Observatórios, Fundos diversos, Governos Civis, etc.) cujas despesas podiam e deviam ser reduzidas, ou em alternativa - que parece ser mais sensato - os mesmos serem pura e simplesmente extintos.
Para se ter uma noção do despesismo do Estado, atentemos apenas nos supra-citados Institutos, com funções diversas, muitos dos quais nem se percebe bem para o que servem.

Veja-se então as transferências feitas em 2010 pelo governo socialista de Sócrates para estes organismos:

DESPESA (em milhões de €)

Cinemateca Portuguesa
3,9

Instituto Português de Acreditação
4,0

Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos
6,4

Administração da Região Hidrográfica do Alentejo
7,2

Instituto de Infra Estruturas Rodoviárias
7,4

Instituto Português de Qualidade
7,7

Administração da Região Hidrográfica do Norte
8,6

Administração da Região Hidrográfica do Centro
9,4

Instituto Hidrográfico
10,1

Instituto do Vinho do Douro
10,3

Instituto da Vinha e do Vinho
11,5

Instituto Nacional da Administração
11,5

Alto Comissariado para o Diálogo Intercultural
12,3

Instituto da Construção e do Imobiliário
12,4

Instituto da Propriedade Industrial
14,0

Instituto de Cinema e Audiovisual
16,0

Instituto Financeiro para o Desenvolvimento Regional
18,4

Administração da Região Hidrográfica do Algarve
18,9

Fundo para as Relações Internacionais
21,0

Instituto de Gestão do Património Arquitectónico
21,9

Instituto dos Museus
22,7

Administração da Região Hidrográfica do Tejo
23,4

Instituto de Medicina Legal
27,5

Instituto de Conservação da Natureza
28,2

Laboratório Nacional de Energia e Geologia
28,4

Instituto de Gestão do Fundo Social Europeu
28,6

Instituto de Gestão da Tesouraria e Crédito Público
32,2

Laboratório Militar de Produtos Farmacêuticos
32,2

Instituto de Informática
33,1

Instituto Nacional de Aviação Civil
44,4

Instituto Camões
45,7

Agência para a Modernização Administrativa
49,4

Instituto Nacional de Recursos Biológicos
50,7

Instituto Portuário e de Transportes Marítimos
65,5

Instituto de Desporto de Portugal
79,6

Instituto de Mobilidade e dos Transportes Terrestres
89,7

Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana
328,5

Instituto do Turismo de Portugal
340,6

Inst. Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação
589,6

Instituto de Gestão Financeira
804,9

Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas
920,6

Instituto de Emprego e Formação Profissional
1.119,9

TOTAL......................... 5.018,4


- Se se reduzissem em 20% as despesas com este - e apenas estes - organismos, as poupanças rondariam os 1000 milhões de €, e, evitava-se a subida do IVA.

- Se fossem feitas fusões, extinções ou reduções mais drásticas a poupança seria da ordem dos 4000 milhões de €, e não seriam necessários cortes nos salários.

- Se para além disso mais em outros tantos Institutos se procedesse de igual forma, o PEC 3 não teria sequer razão de existir.


(Estudo do Economista Álvaro Santos Pereira, Professor da Simon Fraser University, no Canadá.)

Por @ de mão amiga.

FMI... o que eles dizem

O que disseram três banqueiros portugueses:

Fernando Ulrich (BPI) (Banco Português de Investimento)

29 Outubro 2010 - "Entrada do FMI em Portugal representa perda de
credibilidade"

26 Janeiro 2011 - "Portugal não precisa do FMI"

31 Março 2011 - "... por que é que Portugal não recorreu há mais tempo ao
FMI?"


Santos Ferreira (BCP) (Banco Comercial Português)

12 Janeiro 2011 - "Portugal deve evitar o FMI"

2 Fevereiro 2011 - "Portugal deve fazer tudo para evitar recorrer ao FMI"

4 Abril 2011 - "Ajuda externa é urgente e deve pedir-se já"



Ricardo Salgado (BES) (Banco Espírito Santo)

25 Janeiro 2011 - "... não recomendo o FMI para Portugal"

29 Março 2011 - "Portugal pode evitar o FMI"

5 Abril 2011 - "... é urgente pedir apoio .. já!"


Estamos entendidos?!

Por @ de mão amiga.

terça-feira, 26 de abril de 2011

O que faz falta...

Ontem... 25 de ABRIL.


Ontem 25 de Abril, não deu muito para pensar não, foi mais um dia para agir, e agir em três tempos.

Primeiro, foi preciso sintonizar de vez em quando, novos postos de ràdio para fugir às missas e lenga-lengas de pàsqua.

Segundo, aproveitar para por a leitura em dia e relembrar Abril com olhos de gente.

Terceiro, jantar com amigos e camaradas, revivendo assim as Alegrias de Abril, tendo como pano de fundo(graças à Zé)a leitura do ultimo comunicado da "A25 Abril" sobre Portugal de hoje e o Abril de amanhã.

Abril, sempre !
VIVA O 25 DE ABRIL !

domingo, 24 de abril de 2011

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Muita parra, pouca uva.

Cabeça de lista por Leiria

Na tipologia dos cabeças-de-lista, há muito que ganhou direito de malícia o número um pelo círculo de Leiria, pelo menos no que diz respeito às listas do PS.Não sei quantos já passaram pelo lugar.Agora é Basílio Horta que se estreia nas lides.

Mas não é caso para escândalo.Começou por ajudar o Drº Mário Soares a meter o socialismo na gaveta no governo PS-CDS-o que terá feito com maior convicção do que muitos.Democrata -cristão para a eternidade, sempre dará alguma consistência ao aguerrido grupo de deputadas independentes que estão dispostas a trocar uns feriados laicos por alguns outros concordatários.

Publicada por josé medeiros ferreira
http://cortex-frontal.blogspot.com/

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Foi bonita a festa pà...

Dores de ...

Hoje acordei assim,

Chà de hortelã - 1
Pastilhas azuis - 3

Tou que nem posso...

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Pobre mexilhão

Gritante

Vai de frosques

Bloco e PCP ausentes e algumas perguntas que merecem resposta

Os representantes do BCE, da Comissão Europeia e do FMI convidaram todos os partidos para reuniões. Tratava-se de uma oportunidade para fazer chegar a quem vai intervir neste País durante os próximos anos a voz, as propostas, o aplauso ou a indignação dos portugueses. De todos os portugueses. De aceitar ou recusar esta forma de intervir nas economias. De aceitar o veneno que nos vai ser oferecido ou de apresentar alternativas. De mostrar a quem votou nos vários partidos que não se desistiu completamente da soberania e que os eleitos ainda os representam. De dizer aos cangalheiros do País quais serão as consequências sociais e políticas - as económicas eles conhecem de ginjeira - do pacote que se preparam para apresentar.

Um quinto dos eleitores não se fez ouvir. Bloco de Esquerda e PCP decidiram não comparecer.

Porque não se encontram com o inimigo? Desde quando só se fala com aliados? Dizem que cabe ao governo negociar. Verdade. Mas não cabe à oposição de esquerda aproveitar esta oportunidade para dizer de sua justiça? Prefere ficar calada? Vai deixar que os partidos do bloco central repitam que são os únicos a querer lidar com a realidade? As pessoas estão assustadas e desesperadas. Todos os sinais de esperança, que só a apresentação de alternativas pode dar, são poucos. E qualquer sinal de irresponsabilidade será mal recebido.

Ir a este encontro com o BCE, Comissão Europeia e FMI não mudaria nada? Não os convenceriam de nada? E os nossos protestos convencem? E não temos a obrigação de protestar na mesma? Não perceberão que ao aceitarem que são impotentes dizem aos portugueses que são inúteis? É essa a ideia que querem passar?

Os portugueses que votaram nestes partidos não gostariam que eles se batessem, em todos os momentos e lugares, junto de todas as instituições, incluindo os organismos que vão comandar esta intervenção, pelas suas soluções? Que se batessem por juros mais baixos; que dissessem que é inaceitável que em troca do empréstimo o FMI se substitua aos poderes eleitos; que defendessem junto dos representantes europeus na "troyka" um socorro de curto prazo seguido de uma renegociação das condições de pagamento da divida; que mostrassem que uma intervenção cega terá efeitos políticos e sociais que se podem voltar contra a estabilidade do euro.

Sabemos que BE e PCP são contra este empréstimo nos moldes e nas condições que foram impostos à Irlanda e à Grécia. Eu também sou e não me canso de o dizer. E lutam calados? Para não se sujarem ao se sentarem na mesma mesa que os representantes do FMI e da União? Nos princípios não se cede. Mas ir a uma reunião não fere qualquer princípio. E nunca se fecha a porta à possibilidade de dizer o que se pensa e a tentar minorar os efeitos de uma derrota. Também é isto a política.

O PCP fala para o seu eleitorado fiel. Mas não é assim com os eleitores do Bloco. A ideia é empurra-los para os braços do PS? É facilitar a vida a Sócrates?

Daniel Oliveira
http://arrastao.org/

Discursos

"Estas manifestações são especiais, porque os direitos dos polícias estão a retroceder como nunca, após o 25 de Abril", disse Paulo Rodrigues, líder do maior sindicato da polícia, a Associação Sindical dos Profissionais de Polícia. "Mas também porque queremos demonstrar que estamos solidários com os problemas de todos os trabalhadores"


DEIXEM-ME RIR !
Desde quando é que a policia é solidària com alguém que não seja a sua pròpria corporação!? Jà parecem professores(de marketing).

in dependentes

Como se pode errar tanto?

A abertura do PSD à sociedade civil e seus fantasiados independentes resultou num tiro na cabeça, Nobre, e em duas galinhas que ameaçam fugir desasadas com os votos no bico, Carlos Abreu Amorim e Francisco José Viegas. De Nobre, já tudo foi dito e tudo o mais haverá para dizer até às eleições e dias seguintes. Destas duas aves de arribação, está tudo por contar.

Embora partam de motivações diferentes, o Carlos de uma arrogância pacóvia e tribunícia e o Francisco de uma procura de vendetta embrulhada em snobismo dandy, acabam por se imitar na cegueira sectária. Esta estratégia retórica, em tempos normais, alimenta as legiões de agentes políticos medíocres que são lançados nas assembleias e comunicação social para ocupar espaço e boicotar a racionalidade nas discussões. Todavia, estes são tempos dupla ou triplamente anormais, pois à crise do País junta-se a crise do PSD e a crise de Passos Coelho.

Sectarismo, como se viu espectacularmente nas eleições de 2009, era precisamente aquilo que o PSD devia evitar a qualquer custo. Desde que Passos ocupou o palacete da Lapa que os sinais dados pelo eleitorado indicavam-lhe a óbvia direcção: fica caladinho, com juizinho e apresenta serviço. As sondagens premiaram invariavelmente as decisões sociais-democratas que viabilizaram e favoreceram a governabilidade, penalizando tudo o resto, desde as ideias manhosas e foleiras às loucuras de chumbar o PEC e derrubar o Governo, passando pelas trapalhadas dos recuos esbaforidos após lançarem ideológicos balões de ensaio.

Abreu Amorim e José Viegas não conhecem, nem pretendem perder uma caloria a tentar conhecer, o eleitorado que decide eleições – o vasto e profundo centro. Esse eleitorado está farto de cassetes, sejam de esquerda ou direita. As suas escolhas são pragmáticas e comunitárias, o que explica o extraordinário feito da resistência de Sócrates e do PS no meio do caos internacional com tão graves consequências nacionais. E o PSD não tem ninguém capaz de estabelecer diálogo com estes cidadãos, os quais mereciam muito melhor do que mais dois egos politicamente bacocos, iracundos e soberbos.

Como se pode errar tanto?

http://aspirinab.com/

Especiarias finas

A propòsito da "saturação" de politicos e louvoures a "independentes", nunca serà demais lembrar que, os independentes estão para a politica como os agnòsticos estão para a religão. Ou seja: condimentos de sabores e perfumes duvidosos.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Coitadinhos dos crocodilos...


Manuela Ferreira Leite:
Para que não se esqueça que também ajudou ao défice!


O estudo agora divulgado pelo Tribunal de Contas diz tudo sobre a irresponsabilidade, a superficialidade e a sobranceria com que a então Ministra das Finanças, para varrer parte do défice para debaixo do tapete, fez uma operação ruinosa para o país.

Com a titularização das dívidas da Segurança Social contratada com o Citigroup pelo Governo Durão Barroso (o tal Presidente da Comissão Europeia que é agora um notário de Merkel cheio de rigor), o Estado português já pagou em encargos financeiros cerca de 300 milhões de euros!

Mais palavras para quê?

Foi o expediente que evitou que o défice de 2003 rondasse os cinco por cento do PIB. Só anos depois é que se começa a estimar quanto custou ao Estado
Para salvar Portugal de um procedimento comunitário por défices excessivos em 2003, o Governo de Durão Barroso titularizou dívidas fiscais, para receber do Citigroup, de uma só vez, a quantia de 1760 milhões de euros. Mas a ministra das Finanças Manuela Ferreira Leite nunca especificou qual seria o “preço” a pagar pelo Estado. A auditoria do Tribunal de Contas (TC) à operação de titularização, ontem divulgada, refere que, só até Fevereiro de 2010, o custo em juros e despesas de operação foi de 300 milhões de euros.


Tribunal de Contas pede auditoria ao processo
O relatório refere-se à operação em que Estado cedeu 11,44 mil milhões de euros de dívidas fiscais e à Segurança Social, contra a entrega, a 19 de Dezembro de 2003, de 1,76 mil milhões de euros. Essas dívidas foram transformadas em obrigações por uma sociedade do Citigroup (Sagres) e vendidas a investidores.

A operação reduziu o défice de 2003, de quase cinco por cento do PIB para os 2,8 por cento, sem sobrecarregar a dívida pública. Um milagre nesse ano. Mas não nos seguintes.

O Tribunal de Contas refere que, até 28 de Fevereiro de 2010, o Estado pagou ao Citigroup 1712 milhões de euros para resgate da operação, mais 217,4 milhões de juros e ainda 83,8 milhões para “despesas da operação”. Ou seja, um total de 2013,2 milhões de euros, com um “juro” implícito de 17,5 por cento. O TC recomendou às Finanças uma auditoria sobre as “despesas da operação”.

Mas os números do TC não são os mais actuais. O Ministério das Finanças divulgou há dias ter antecipado em dois anos o fim da operação e que entregou ao Citigroup um total de 2030 milhões de euros, embora sem concretizar se incluía juros e despesas de operação. O ministério não respondeu às dúvidas do PÚBLICO.

Mas para estimar o encargo total do Estado com esta operação, até 2010, ter-se-á de somar 554,9 milhões de euros. Foi o valor das dívidas fiscais que se revelaram incobráveis e que, nos termos do contrato, foram substituídas por outras “de montante igual ou muito aproximado”.

Ou seja, além dos juros elevados, o Estado foi substituindo dívidas até 20 de Junho de 2007, corroendo as receitas dos exercícios seguintes à operação. Só que “no decurso das substituições, verificou-se que a DGCI deixou de ter capacidade para assegurar a totalidade das substituições dos créditos da Segurança Social em ‘quebra’ (…) pelo que as substituições passaram a ser feitas por créditos” da Segurança Social, minando assim o sistema de Previdência.

Segundo a auditoria, “a operação de titularização evidenciou a falta de fiabilidade e de cobrabilidade de grande parte dos créditos cedidos”. A cobrança ficou em 80 por cento do valor previsto pelos IDEFE/ISEG, avaliação exigida pelo Eurostat.

Em benefício do Estado, houve a comissão de cobrança das dívidas fiscais, pagas pelo Citigroup. Foram 22,2 milhões de euros.

Os números revelam que a operação custou bem mais do que outra forma habitual de financiamento do Estado. Um tema escamoteado pelo Governo Durão Barroso.

Na altura, a ministra Manuela Ferreira Leite pouco esclareceu os deputados. Primeiro respondeu: “Não sei se tenho de pagar juros ou não. Não paguei nada.” Mais tarde, afirmou: “Esta operação obviamente que tem um preço, preço esse que nós ainda não sabemos exactamente qual é.”

A operação revestiu-se de elementos polémicos. Primeiro, a escolha por ajuste directo do Citigroup. A Inspecção-Geral de Finanças aconselhara, meses antes do contrato, a “consulta a mais do que um prestador de serviços”. A ministra começou por dizer que as realizara, para depois admitir que só consultara a Finantia, e sem explicar por que optara pelo Citigroup. Lino de Carvalho, do PCP, questionou-a sobre o papel do ex-ministro da Integração Europeia, Vítor Martins, consultor desse banco.

Depois, a carteira de dívidas foi sobreavaliada, subavaliando o impacto nas receitas fiscais futuras. O Governo atrasou quanto pôde o envio ao Parlamento dos contratos assinados. Enviou-os em inglês e a ministra justificou-se: “ Tenho lá traduções. Não as mandei”. Após um deputado a ter acusado de “mistificar” os contratos, “eu nesse mesmo dia tomei a decisão que não fazia mais nenhuma tradução”. E enviou os originais em inglês, o que feria a lei. E mandou com os valores em branco: “Porque, quando este contrato foi elaborado era um contrato de condições gerais que ainda não tinham especificados os números”. Só agora, anos mais tarde, é que se começa a apurar a realidade.

14/04/2011 por Henrique Sousa
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segunda-feira, 18 de abril de 2011