A fuga
Perguntado sobre as propostas de revisão constitucional do PSD para dar ao Presidente da Repúblico o poder para demitir livremente os governos, Cavaco Silva limitou-se a lembrar que está constitucionalmente obrigado a promulgar as alterações constitucionais que forem aprovadas na AR.
No entanto, Cavaco Silva não vai poder fugir à questão, quando assumir a recandidatura. As pessoas têm o direito de saber se concorda com o seu partido nas propostas para aumentar os poderes presidenciais, que serão os seus, caso seja reconduzido, e de esclarecer como exerceria tais poderes, caso viessem a ser estabelecidos.
Não são precisos grandes dotes divinatórios para antecipar que não vai ser fácil "descalçar essa bota"...
Publicado por Vital Moreira
http://causa-nossa.blogspot.com/
terça-feira, 20 de julho de 2010
Tòtò lopes
É, também se olha a quem diz
por FERREIRA FERNANDES
O colunista Daniel Oliveira lançou um repto no seu blogue (Arrastão): "Uma proposta: cortar a reforma que Ernâni Lopes recebe do Banco de Portugal desde os 47 anos. A cru e sem explicações." Alguns comentários, no blogue, criticam o colunista por em vez de discutir as ideias fazer "ataque pessoal" ao antigo ministro.
Nas recentes jornadas parlamentares do PSD, Ernâni Lopes propusera "cortar 15, 20 ou 30% dos salários dos funcionários públicos, a cru, sem explicar nada." Ignoro se as medidas draconianas de Ernâni Lopes seriam boas no combate à crise mas ele tem currículo que o torna merecedor de ser ouvido.
Por outro lado, é legítima a lembrança irónica de Daniel Oliveira. Se chegámos, hoje, ao ponto de cortar um quarto do salário de centenas de milhares de portugueses e esse acto brutal ser tão necessário que até pode prescindir de explicações, estranha-se a vida à tripa forra, ontem.
E este ontem não é dos tempos do ouro que vinha de Minas Gerais, mas 1989, quando Ernâni Lopes deixou o Banco de Portugal e pôde, aos 47 anos, auferir logo de uma reforma. O Banco de Portugal era, aliás, um mãos-largas: bastava ser administrador num só mandato (cinco anos) e ficava-se com uma reforma imediata e farta.
Esse abuso só acabou em 2006. Se calhar, se esses abusos tivessem sido cortados antes, talvez, hoje, Ernâni Lopes pudesse ser mais moderado. E mais ouvido.
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Emprego
"Temos um problema crónico no interior do país"
"Não é o Estado que pode criar artificialmente empresas. O Estado tem que criar as condições para que as empresas possam desenvolver-se e ser sustentáveis", disse a ministra do Trabalho e da Solidariedade Social, em Beja.
Segundo Helena André, é necessário "apoiar a criação de empresas fortes, competitivas, mas que tenham a capacidade de olhar para aquilo que são os potenciais de desenvolvimento local".
"Temos um problema crónico de desenvolvimento da capacidade empresarial no interior do nosso país", lamentou, referindo que o Alentejo tem um tecido empresarial "pequeno, baixos níveis de actividade económica em geral e, de facto, um problema de desertificação".
No entanto, salientou, os três "grandes empreendimentos chave" para o Alentejo - Alqueva, aeroporto de Beja e Itinerário Principal 8 (futura Auto-estrada 26) - "são fundamentais para que se possa fomentar e promover emprego".
"Não qualquer tipo de emprego, mas emprego de qualidade que possa claramente contribuir para o desenvolvimento da região", disse.
Segundo a ministra, o Ninho de Empresas de Beja, com capacidade para alojar ao mesmo tempo cinco microempresas em início de actividade e por um período máximo de três anos, "pretende contribuir para diversificar o tecido empresarial" da região e "fixar e atrair pessoas".
O ninho, disse, pode também "potenciar o futuro" esperado com os grandes empreendimentos previstos para a região.
"Mas não podemos pensar que todas as actividades estão direccionadas para os grandes investimentos. Existem necessidades de desenvolvimento local e social ainda por responder ", afirmou.
Económico com Lusa
19/07/10
Laicidade
No seguimento da petição «Pela Escola Pública Portuguesa Laica», Carlos esperança deu a seguinte entrevista ao Diàrio ne Notìcias:

"Os símbolos religiosos servem apenas para dividir"
Como vê a ideia de uma petição a favor dos crucifixos nas salas de aula?
Essa petição vem ao encontro de uma escalada agressiva do catolicismo romano, à semelhança do islão, para impor a sua iconografia religiosa a todos. Na sequência, aliás, de um pontificado retrógrado como tem sido o de Bento XVI. Vem contra a Constituição, que afirma a laicidade do Estado. Por isso, uma iniciativa dessas merece um profundo repúdio e a maior das perplexidades.
Acha que proibir completamente a presença de símbolos religiosos na escola é uma atitude legítima?
A proibição é profundamente legítima. Até para evitar aquilo que foi uma tragédia na Europa ao longo de séculos: as guerras religiosas. Os símbolos servem apenas para dividir.
Mas neste caso quase todas as religiões estão unidas na defesa dos símbolos religiosos. O recurso do Governo italiano no Tribunal dos Direitos Humanos tem o apoio de países católicos e ortodoxos.
O proselitismo é uma tara congénita de várias religiões. Aliás, quando o ayatollah Khomeini [líder religioso iraniano] decretou a perseguição a Salman Rushdie, houve uma certa compreensão do Vaticano, do rabi de Jerusalém e do arcebispo de Cantuária (líder dos anglicanos). Nós, ateístas, não queremos converter ninguém e batemo-nos pela liberdade de crenças. Somos é contra a sua imposição no espaço público.
Mas esse afastamento do espaço público não pode ser sentido pelos católicos como uma perseguição?
Os católicos sentem-se atacados por causa das críticas aos crimes de pedofilia cometidos por padres e encobertos pela hierarquia e por causa de denúncias como as do livro Vaticano SA, que expõe o Vaticano como uma offshore. Quando os católicos forem impedido de fazer uma procissão, estaremos com eles na defesa do direito de o fazerem. Mas a ocupação permanente do espaço público não podemos permitir.
Não há lugar a compromissos?
O compromisso não é aceitável, primeiro porque a presença de crucifixos na sala de aulas é inconstitucional e depois porque o proselitismo exclui os ateus e os livres-pensadores. Não tenho nada contra o símbolo em si, há crucifixos magníficos.
Não concorda com o argumento de que se trata de um símbolo da identidade cultura portuguesa e europeia?
É a resposta de quem perdeu. Essa discussão já foi feita quando se discutiu a Constituição Europeia. A identidade e as democracias europeias são herdeiras da tradição greco-romana, do Iluminismo e da Revolução Francesa.
por: PATRÍCIA JESUS
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1617885
"Os símbolos religiosos servem apenas para dividir"
Como vê a ideia de uma petição a favor dos crucifixos nas salas de aula?
Essa petição vem ao encontro de uma escalada agressiva do catolicismo romano, à semelhança do islão, para impor a sua iconografia religiosa a todos. Na sequência, aliás, de um pontificado retrógrado como tem sido o de Bento XVI. Vem contra a Constituição, que afirma a laicidade do Estado. Por isso, uma iniciativa dessas merece um profundo repúdio e a maior das perplexidades.
Acha que proibir completamente a presença de símbolos religiosos na escola é uma atitude legítima?
A proibição é profundamente legítima. Até para evitar aquilo que foi uma tragédia na Europa ao longo de séculos: as guerras religiosas. Os símbolos servem apenas para dividir.
Mas neste caso quase todas as religiões estão unidas na defesa dos símbolos religiosos. O recurso do Governo italiano no Tribunal dos Direitos Humanos tem o apoio de países católicos e ortodoxos.
O proselitismo é uma tara congénita de várias religiões. Aliás, quando o ayatollah Khomeini [líder religioso iraniano] decretou a perseguição a Salman Rushdie, houve uma certa compreensão do Vaticano, do rabi de Jerusalém e do arcebispo de Cantuária (líder dos anglicanos). Nós, ateístas, não queremos converter ninguém e batemo-nos pela liberdade de crenças. Somos é contra a sua imposição no espaço público.
Mas esse afastamento do espaço público não pode ser sentido pelos católicos como uma perseguição?
Os católicos sentem-se atacados por causa das críticas aos crimes de pedofilia cometidos por padres e encobertos pela hierarquia e por causa de denúncias como as do livro Vaticano SA, que expõe o Vaticano como uma offshore. Quando os católicos forem impedido de fazer uma procissão, estaremos com eles na defesa do direito de o fazerem. Mas a ocupação permanente do espaço público não podemos permitir.
Não há lugar a compromissos?
O compromisso não é aceitável, primeiro porque a presença de crucifixos na sala de aulas é inconstitucional e depois porque o proselitismo exclui os ateus e os livres-pensadores. Não tenho nada contra o símbolo em si, há crucifixos magníficos.
Não concorda com o argumento de que se trata de um símbolo da identidade cultura portuguesa e europeia?
É a resposta de quem perdeu. Essa discussão já foi feita quando se discutiu a Constituição Europeia. A identidade e as democracias europeias são herdeiras da tradição greco-romana, do Iluminismo e da Revolução Francesa.
por: PATRÍCIA JESUS
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1617885
domingo, 18 de julho de 2010
Clarissimo

Luta política e frases de salão.
O Presidente do PSD, Passos Coelhos, em entrevista ao Público, defende a revisão da Constituição no sentido de conferir mais poderes ao Presidente da República em prejuízo do Parlamento, com o objectivo de permitir a formação de governos sem o recurso a eleições. Esta proposta deve ser discutida, o que é normal em democracia.
Não se aceita, apesar de os dias quentes convidarem ao laser, é que Vitalino Canas, pelo PS, se refira à proposta de Passos Coelho com ar de praia, como quem não tem nada para dizer, afirmando tratar-se de um «pensamento vazio» ou, na mesma linha, o BE, pela voz de José Manuel Pureza, afirme tratar-se de «uma manobra de diversão». A resposta à proposta de Passos Coelho só pode ser política.
Vitalino Canas e José Manuel Pureza deviam aprender com Jerónimo de Sousa: «é uma proposta que não pode ser desinserida daquilo que o PSD pretende fazer em relação a minar os fundamentos em que assenta o regime democrático.» Esta é uma resposta política e não uma frase de salão.
Por Tomás Vasques
http://hojehaconquilhas.blogs.sapo.pt/
Irmãos inimigos
Prenúncio de uma terceira guerra entre Israel e o Hezbollah no Sul do Líbano
A aparente tranquilidade que se vive na zona fronteiriça entre o Norte de Israel e o Sul do Líbano poderá esconder uma situação potencialmente explosiva, pelos menos se se tiver em conta alguns indícios que têm surgido nas últimas semanas, perspectivando uma Terceira Guerra Israelo-Libanesa.
Um relatório de Daniel C. Kurtzer do Center for Preventive Action do think tank Council on Foreign Relations, publicado este mês de Julho, alerta para a possibilidade de eclodir nos próximos 12/18 meses um conflito entre Israel e o Hezbollah no Líbano. Se tal acontecer será o terceiro na história do Médio Oriente entra aquelas partes, tendo o último ocorrido no Verão de 2006, provocando a morte de mais de 1000 civis e o desalojamento de cerca de um milhão de pessoas em território libanês, assim como o abandono temporário de milhares de judeus no Norte de Israel. Na sequência deste conflito o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou a Resolução 1701.
Apesar de o relatório de Kurtzer constatar que a situação na fronteira entre Israel e o Líbano vive o período de maior acalmia da última década e que os militantes do Hezbollah têm tido uma atitude bastante passiva em relação a algumas manobras militares das forças de segurança israelitas (IDF), nomeadamente os voos de reconhecimento dos caças israelitas, a verdade é que existem indícios de que um conflito pode estar iminente entre as duas partes.
Kurtze não tem dúvidas ao referir no seu relatório que aquele movimento está mais forte militarmente quando comparado com 2006, violando, assim, a Resolução 1701.
Tal como aconteceu há quatro anos, tudo pode começar com incidentes bélicos de pequena escala, com “objectivos limitados” mas que rapidamente poderão extravasar para um conflito de grande intensidade. Por exemplo, o Hezbollah pode decidir atacar alvos específicos judaicos junto à fronteira, argumentando que está a “responder” aos voos israelitas ou à eventual morte de militantes seus devido a ataques de soldados do Exército hebraico.
Caso o rastilho seja aceso pelo Hezbollah, tal pode ficar a dever-se a duas razões, diz Kurtzer.
A primeira tem a ver com a morte recente do inspirador religioso xiita, Muhammad Hussein Fadl’Allah. O Hezbollah poderá querer dar novamente um ímpeto ao seu movimento, através da união dos xiitas libaneses, sendo que para cumprir tal objectivo nada melhor do que criar um clima de animosidade contra o histórico inimigo: Israel.
Este cenário é possível e, certamente, bem observado, no entanto, o Diplomata considera que dificilmente seja uma estratégia a seguir pelo Hezbollah.
Mais realista e previsível é a segunda razão apontada por Kurtzer. É importante sublinhar que quatro anos depois da Segunda Guerra Israelo-Libanesa, surge um factor novo e que tem sido um dos motivos de maior preocupação para a comunidade internacional e para Israel: o programa nuclear iraniano. Aqui, poderia ser o próprio regime de Teerão a “forçar” um conflito entre o Hezbollah e Israel, como forma de desviar as atenções da questão nuclear.
No entanto, e ironicamente, talvez seja Israel quem mais teria a ganhar com esta situação, já que poderia aproveitar um conflito com o Hezbollah para alargar o campo de batalha ao Irão, com o argumento de que este estaria a apoiar aquele movimento. Com um conflito regional instalado, Israel tinha o caminho aberto para levar a cabo os tão ambicionados ataques às instalações nucleares iranianas. Esta lógica é extensível à Síria.
Ainda sobre os prenúncios da Terceira Guerra Israelo-Libanesa, no início do mês, o secretário-geral Ban Ki-moon alertou para o perigo do “recomeço das hostilidades” entre Israel e o Hezbollah. Este receio surge na sequência do mais recente relatório da força da ONU no terreno, a UNIFIL, que apesar de referir que existem apenas suspeitas de estarem a ser transferidas armas para aquele movimento, verifica-se um aumento da tensão entre as duas partes no Sul do Líbano.
De acordo com alguns testemunhos, neste momento a situação não é crítica, mas sente-se um clima de tensão e de alguma violência de baixa intensidade na região do Sul do Líbano.
Para já, Ban Ki-moon informa que não existem provas concretas de transferência ilegal de armas para aquele movimento xiita, no entanto, em Abril último, já o Presidente israelita Shimon Peres, tinha acusado a Síria de estar a fornecer mísseis Scud ao Hezbollah. O primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, disse ainda que militantes do Hezbollah estariam a receber treino na Síria para aprenderem a operar aqueles mísseis.
Washington apoiou estas acusações, embora nenhuma delas tenha sido provada, tendo Damasco rejeitado também qualquer envolvimento nesta questão.
O relatório de Kurtzer fala também na possível aquisição por parte do Hezbollah de mísseis terra-ar S-300, que poderiam colocar em risco a aviação israelita.
Publicado por Alexandre Guerra
http://odiplomata.blogs.sapo.pt/
Mudanças
Novos ventos?
Os primeiros prisioneiros políticos libertados das masmorras de Cuba já chegaram a Madrid. Outros se seguirão por “lotes” nos próximos dias até que se cumpra a meta garantida pelo ministro dos negócios estrangeiros espanhol, Miguel Ángel Moratinos, que invoca um compromisso formal do governo cubano, de que “todos os presos políticos de Cuba vão sair dos cárceres”. Esta é, naturalmente, uma excelente notícia. Relativamente à qual, não há que duvidar sobre a intenção de serem honrados os compromissos negociados entre o governo cubano, o governo espanhol e a Igreja Católica.
Mas tratando-se de uma notícia que só pode ser festejada com toda a alegria pelos que estimam a liberdade como bem supremo (uma espécie de remake para os portugueses mais velhos, os que festejaram com lágrimas de alegria incontida a libertação, no 25A, dos "nossos" presos saídos de Caxias e Peniche), e partindo-se do princípio que o governo cubano não está a esvaziar as prisões políticas para mais tarde as povoar de novo, está lançado um crucial desafio à sociedade cubana e que é a de como vai viver (ou sobreviver) sem repressão política e social e sem presos políticos.
E, é claro e concomitantemente, sem perder a sua soberania e acrescentando direitos sociais aos que alcançou com a revolução e poder viver melhor, respirando os novos ventos da liberdade. Porque nada do que se consideram "conquistas da revolução" é automaticamente posto em causa por se acrescentar liberdade e democracia. Pois o maniqueísmo da falsa escolha entre liberdade e igualdade sempre foi o alibi paranóico dos dogmáticos, dos fanáticos e dos impositivos de toda a espécie.
Naturalmente que não o poderá fazer sem o fim do regime de partido único, permitindo o pluralismo, a liberdade de expressão e de organização cívica, social (nomeadamente, permitindo a liberdade sindical e o direito à greve) e política. Ou seja, substituindo a “ditadura do proletariado” degenerada em Estado Policial (como aconteceu, sem qualquer excepção, em todos os casos de "socialismo real") por um regime democrático, o que implica, como primeiro passo, uma profunda revisão constitucional. Este é um desafio (o da evolução para a democracia) que, no passado, nenhuma ditadura comunista instalada conseguiu resolver. Mas a criatividade e a capacidade de aprender com os erros incluem-se entre os talentos humanos mais estimáveis.
Veremos (e digo-o com expectativa e esperança) se Cuba vai ou não, mais uma vez, surpreender o mundo, repetindo a comoção universal que causou quando um grupo de guerrilheiros desceu da Sierra Maestra para apear um ditador corrupto. Agora para regenerar por dentro, cívica e pacificamente, um sistema ditatorial que implantou em 1959 em alternativa - dicotómica mas siamesa - a Baptista, bisando-se, assim, a morte da ditadura em Cuba.
Se todo este sonho a construir, numa utopia de regeneração assente na crença nas três irmãs liberdade-igualdade-fraternidade (que só entendo como gémeas e inseparáveis), se mostrar irrealizável, resta esperar que a senilidade (mesmo que belicosa na sua agonia) do marxismo-leninismo pague as suas dívidas para com a civilização.
Publicado por João Tunes
http://agualisa6.blogs.sapo.pt/
Coitadinho
OLIVEIRA E COSTA PEDE AJUDA DO ESTADO
«Ex-presidente do BPN requereu um advogado oficioso para a sua defesa no processo cível que lhe foi interposto pelo BPN e SLN. Estado recusou, mas o ex-banqueiro recorreu da decisão.» [CM]
Parecer:
Além do apoio judiciário deviam dar-lhe o rendimento mínimo.
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
http://jumento.blogspot.com/
«Ex-presidente do BPN requereu um advogado oficioso para a sua defesa no processo cível que lhe foi interposto pelo BPN e SLN. Estado recusou, mas o ex-banqueiro recorreu da decisão.» [CM]
Parecer:
Além do apoio judiciário deviam dar-lhe o rendimento mínimo.
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
http://jumento.blogspot.com/
sábado, 17 de julho de 2010
Treta multa

Banqueiros do Opus Dei condenados a «multazinhas»
Os senhores administradores do BCP (do período das «vacas gordas») foram condenados a coimas que vão de um milhão de euros (Jardim Gonçalves) a 200 mil euros (Paulo Teixeira Pinto). A soma é de 4,3 milhões de euros.
É certo que também ficam «inibidos» de actividade bancária durante uns anitos (Teixeira Pinto dedica-se, agora com mais afinco, ao «entrismo» monárquico no PSD), mas não deixa de ser irrisória esta forma de administrar justiça, quando se verifica que cada um deles ganhava, em média e por ano, cerca de 3,5 milhões de euros.
Façamos uma conta rápida: se Teixeira Pinto ganhava 3,5 milhões por ano, a sua coima não chega a corresponder a um mês de salário. É caso para dizer que nenhum crime compensa mais do que o crime de colarinho branco.
http://esquerda-republicana.blogspot.com/
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Tratados
Um agradecimento à Espanha por ter ganho o Campeonato Mundial para Portugal!... Acontece que, de acordo com o Tratado de Tordesilhas, assinado entre Portugal e Espanha no ano de 1494 (e nunca revogado), tudo o que for conquistado por Espanha a Leste do Meridiano 46º é propriedade de Portugal... Os Portugueses agradecidos, aguardam a chegada da taça a terras de Santa Maria.
(Publicado por José Tomaz Mello Breyner)by Tovi
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Tão amigos
Irresponsabilidade
A rejeição parlamentar do novo regime de certificação das instalações de gás e electricidade revela o grau absoluto de irresponsabilidade e oportunismo dos partidos da oposição, ainda por cima capturados pelo lóbi de uma organização profissional monopolista simplesmente interessada em manter os privilégios e as rendas de monopólio dos seus membros, sacrificando os interesses dos cidadãos e do Estado.
Ver o PCP e o BE a votar contra, juntamente com o PSD e o CDS, só pode causar as maiores perplexidades sobre a (ir)racionalidade política.
Publicado por Vital Moreira
http://causa-nossa.blogspot.com/
A rejeição parlamentar do novo regime de certificação das instalações de gás e electricidade revela o grau absoluto de irresponsabilidade e oportunismo dos partidos da oposição, ainda por cima capturados pelo lóbi de uma organização profissional monopolista simplesmente interessada em manter os privilégios e as rendas de monopólio dos seus membros, sacrificando os interesses dos cidadãos e do Estado.
Ver o PCP e o BE a votar contra, juntamente com o PSD e o CDS, só pode causar as maiores perplexidades sobre a (ir)racionalidade política.
Publicado por Vital Moreira
http://causa-nossa.blogspot.com/
Jumentos
Desamparem a loja!
Primeiro inundaram o país com boatos sobre as opções sexuais de Sócrates, até Santana Lopes aproveitou para lançar um outdoor em que nos dizia que nós os conhecíamos, depois veio o Pinóquio que também teve direito a outdoors, falhadas estas tentativas amadoras foi a vez dos magistrados lançarem processos com o objectivo de nos convencerem de que Sócrates é um grande corrupto, confrontados com a derrota eleitoral vieram aconselhar-nos a não votarmos numa maioria absoluta para que houvesse diálogo na governação, hoje já todos percebemos que o diálogo pretendido é a dissolução do parlamento e os que se opunham a uma maioria absoluta já falam em serem eles a ter essa maioria absoluta e como isso não é certo os mesmos que defendiam o jogo parlamentar por oposição a negócios de bastidor já andam a negociar com Paulo Portas uma futura AD, até lhe asseguram que vai poder comprar mais uns submarinos mesmo que o PSD não precise dos seus deputados.
Em vez de discutir os seus problemas os portugueses são induzidos a uma agenda política que apenas visa a conquista do poder, tem por único objectivo levar os portugueses a votar condicionados por insinuações, falsas acusações, medo e até a Presidência da República serviu de fonte de falsas acusações ao governo com o Presidente da República a fomentar a dúvida em plena campanha eleitoral.
A pouca vergonha instalou-se na política portuguesa e depois da vagas de santanistas, magistrados, jornalistas e assessores cavaquistas é a vez dos economistas.
Lamentavelmente, o PSD que tem entre os seus apoiantes e simpatizantes muitos e bons economistas, opta por se socorrer de ressabiados, gente vingativa, vedetas que enriquecem à custa de pareceres caros encomendados por amigos do poder ou de pensões absurdas generosamente pagas pelos impostos dos portugueses para lançar o medo na sociedade, uma nova versão da tanga de Durão Barroso para criar o clima favorável a mudanças económicas e sociais.
À falta de uma ditadura e de agentes da PIDE para assegurarem o silêncio dos portugueses recorrem a cenários dramáticos, querem substituir o medo da PIDE pelo medo das agências de rating, da saída do Euro e da bancarrota.
Já perderam a vergonha na cara, vemos economistas que ganham fortunas a propor a redução dos salários dos outros, ex-ministros que justificaram pensões absurdas conseguidas de forma abusiva sugerir que se corte no rendimento dos outros.
O mais grave é que o PSD prefere dispensar muita gente inteligente com que pode contar para recorrer a esta estratégia de medo e chega ao ponto de contratar esta gente para dizerem os seus disparates nas jornadas parlamentares, a dose foi tão exagerada que até os deputados se sentiram envergonhados com tanto disparate.
Se Ernâni Lopes tem excelentes soluções para o país que passa por cortar nos rendimenstos dos outros faço-lhe uma sugestão, que vá com a sua receita para o Borundi ou para a República Centro Africana, lá terá ditadores dispostos a acolher as suas receitas e milícias de assassinos que serão capazes de assegurar a adesão dos eleitores.
Se Campos e Cunha acha que quantos mais votos brancos houverem menos deputados deverão ser eleitos então que pegue no avião e vá para as Ilhas Desertas e teste os seus conceitos democráticos, de preferência sem incomodar as focas, que fazem mais falta ao país do que as suas idiotices. Se o sociólogo Cabral acha que deve ser apresentada uma moção de censura só para ver a esquerda unir-se então que compre uma vivenda no Portugal dos Pequeninos pois ali terá uma democracia à dimensão dos seus valores.
O país não precisa desta gente, precisa de economistas ou sociólogos que estejam empenhados no bem colectivo e não em receber pensões, vender pareceres e impingir estudos da treta, precisa de economistas, sociólogos, cientistas, artistas, serralheiros, agricultores, pescadores e muitos outros portugueses que concordando ou não com as políticas, tendo ou não votado no partido do poder estão empenhados no desenvolvimento do país, sabem respeitar as regras democráticas e, acima de tudo, não ponham um BMW ou umas férias nas Seicheles à frente do interesse nacional.
Se Campos e Cunha é assim tão bom então que vá para a Goldman Sachs, para Harvard ou para o MIT, se Hernâni tem tantas soluções cedo o convidarão para presidir ao FMI, os Cabrais sabem tanto de sociologia terão lugar nas melhores universidades. Cá é que não me parece que sejam muito necessários.
http://jumento.blogspot.com/
Cavaquices
Este homem que nos coube em sorte
por BAPTISTA-BASTOS
O doce embalo de julgar que cumpre um destino tem levado o dr. Cavaco ao incomparável incidente de ser preceptor das nossas vidas. Desde a rodagem de um carro até que os acasos da fortuna e os desacertos da História o empurraram para lugares cimeiros da Nação nada de entendível esclarece o enigma. Nenhum estudo fervoroso e incessante desanuvia a nossa pobre e obnubilada perplexidade. Foi um primeiro-ministro medíocre; é um Presidente da República sem estofo. Quando fala, o discurso é ambíguo, desbotado e triste, quando não funesto.
Acontece vezes de mais. Uma delas foi há poucos dias, numa daquelas cerimónias em que senhores consideráveis e visivelmente bem instalados discreteiam sobre a redenção da Pátria e a salvação do povo. Aí, o dr. Cavaco falou. Quando o dr. Cavaco fala, ninguém resiste à sagacidade portentosa das suas meninges. Infelizmente para a cultura e para a história nacional, o dr. Cavaco pouco mais adianta do que apontar números, estabelecer comparações, esticar o dedo hirto para a estatística, para a cifra, para a percentagem.
Reacentuando a insustentabilidade do País, estribou-se na falta de flexibilidade das leis do trabalho e, impelido pelo fulgor da corrente, designou generalizações e estatuiu paralelismos exemplares. A China, a Índia e a Turquia, além da Polónia, eram uma copiosa provisão de modelos económicos a seguir.
Em boa consciência, como pode alguém enunciar aqueles países, onde a democracia é constantemente sovada; onde quem trabalha aufere salários de escravo, as mulheres são tratadas abaixo de cão, os miúdos são colocados nas mais rudes tarefas - como pode alguém nomear a China, a Turquia, a Índia, a Polónia dos gémeos Kaczynski (Lech morreu em Abril) como paradigmas económicos, omitindo o preço das misérias e das tragédias por que passam os povos daqueles países?
Qualquer deles organizou e de-senvolveu aparelhos policiais, técnicas repressivas, mecanismos de poder absolutamente pavorosos. Mas a verdade é que as sociedades ocidentais também se têm pautado por métodos muito próximos. Estes pormenores parecem não desassossegar a sensibilidade do dr. Cavaco. A hipocrisia está pressupostamente associada à ausência de complexos morais. E o que surge como "exportável", naqueles países, tem em conta o que pode favorecer os instrumentos de irracionalidade política da ideologia que o dr. Cavaco defende. Evidentemente, o dr. Cavaco defende uma democracia de superfície, apanágio do "movimento reformista" por ele referido, com en- tusiasmo, cujo objectivo mais não é do que a fixação de um ultraliberalismo profundamente reaccionário.
Que homem é este que nos coube em sorte?
terça-feira, 13 de julho de 2010
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