quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Paypal Visa WikiLeaks

Visa bloqueia Wikileaks mas nada objecta a racistas

Empresas de cartão de crédito repassam sem problemas doações à ultra-racista Ku Klux Klan. Paypal admite pressões do Departamento de Estado norte-americano.

Os cartões de crédito Visa e Mastercard bloquearam a Wikileaks, deixando de repassar qualquer doação que um cidadão queira fazer à organização dirigida por Julian Assange, mas não opõem qualquer obstáculo se a doação for para a Ku Klux Klan, a mais famosa organização racista norte-americana.

O site do Knights Party, que assumidamente representa a KKK, pede doações que podem ser efectuadas pelos cartões de crédito, que até podem receber instruções para que estas sejam regulares.

Um porta-voz da Visa justificou o bloqueio dizendo estar a fazer uma investigação sobre a “natureza da Wikileaks e se ela contradiz as regras operacionais da Visa”. Já a natureza de uma organização que fazia linchamentos e que sonha com um mundo de supremacia racial branca não parece levantar objecções de maior à empresa.

Casa Branca fez lóbi sobre a Rússia a favor da Visa e da MasterCard

Mas nesta quarta-feira, uma comunicação entre a embaixada norte-americana em Moscovo e a Casa Branca, revelada pela Wikileaks mostra até que ponto estas empresas devem favores ao governo dos EUA.

De facto, a Visa e a MasterCard levaram o governo dos Estados Unidos a fazer lóbi sobre a Rússia para o governo de Moscovo não aprovar uma nova lei sobre transacções bancárias que iria prejudicar as duas empresas.

No telegrama, o presidente Barack Obama é exortado a pressionar o Kremlin para salvaguardar as duas empresas norte-americanas na redacção da lei que cria um sistema russo de pagamentos por cartão.

Um novo consórcio, formado por bancos estatais russos, passará a deter o direito exclusivo de cobrar comissões sobre pagamentos e transferências realizadas por cartão naquele país.

Ficará também vedada a saída da Rússia de qualquer dado das operações realizadas pelos clientes nacionais. Com esta decisão, a Visa e Mastercard antevêem perdas anuais na ordem dos milhares de milhões de euros. A lei russa ainda está em discussão.

Paypal admite pressões

Entretanto, não foi preciso uma fuga de informação para se confirmar o que parecia evidente: a empresa de pagamentos pela Internet PayPal admitiu que cortou o serviço à WikiLeaks depois de uma intervenção do Departamento de Estado norte-americano.

Osama Bedier, vice-presidente da empresa, disse que houve um contacto de representantes do Departamento de Estado que lhe garantiu que a organização estava envolvida em actividades ilegais.

“Nós agimos de acordo com as regras em todo o mundo, assegurando que protegemos a nossa marca”, disse ao diário britânico The Guardian.

Os servidores da Paypal, da Visa e da Mastercard ficaram nesta quarta horas em baixo, devido a ataques de hackers que chegaram a mobilizar 2 mil computadores, segundo o site da empresa de segurança PandaLabs. Os hackers apelidaram a acção de operação “Payback”.

http://www.esquerda.net

Julian Assange 2/2

Julian Assange 1/2

Urso Amigo o zé està contigo


Hà amigos espantados com o meu apoio ao deus Assange. Espantados por saberem que sou Ateu e que "agora me converti" ao diabo.

È caso para dizer "Oohhh diaaaabo !!!"

Com que então, os senhores do Texas brincam aos james Bond, borram a escrita, e os outros é que são mauzinhos ?

O Senhor Assange està para as fugas de imprensa como o mel està para os ursos.

Os serviços secretos do tio sam espiam disfarçados de diplomatas, fazem relatòrios anedòdicos, distilam e distribuiem o conteudo da bufaria de forma irresponsavel, e acabam a gritar histéricamente "agarra que é ladrão" !?

Deixaram escapar paletes de mel e agora querem "matar" o urso.
Esqueceram-se que o Urso é uma espécie protegida.

Zézen.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Manha de nevoeiro



http://novomundoperfeito.blogspot.com/2010/12/projeto-de-livro-sobre-francisco-sa.html

Obrigado Amigo Arp, pelo trabalho de re-publicação.

Senhor Não


Teixeira dos Santos recusou fundo de socorro apesar da pressão

Governo português sai da reunião do eurogrupo de ontem em Bruxelas sob pressão renovada para realizar reformas estruturais.

O que são as emissões conjuntas de obrigações da zona euro?

A ideia, defendida por alguns economistas e responsáveis políticos, é a de que os países da zona euro, uma vez que têm a mesma moeda, podem obter financiamento no mercado em conjunto e nas mesmas condições. Em vez de, como acontece agora,cada país realizar as suas emissões de obrigações de tesouro, estando sujeitos a diferentes avaliações de risco de mercado, a emissão seria única, distribuindo-se depois os fundos obtidos e os correspondentes compromissos de amortização pelos vários países.

Quem poderia ganhar com as emissões conjuntas de obrigações da zona euro?

Os grandes beneficiados seriam os países que mais dificuldades têm encontrado em financiar-se nos mercados, como Portugal, Grécia, Irlanda e Espanha. As taxas de juro destas operações seriam bastante mais baixas, uma vez que beneficiavam da credibilidade da totalidade da zona euro, incluindo a Alemanha, que actualmente consegue obter financiamento no mercado a taxas cerca de três pontos percentuais mais baixas do que Portugal.

Quem é que sairia prejudicado?

Para países como a Alemanha, esta não seria uma forma eficaz de financiamento. As taxas de juro seriam certamente mais altas do que aquelas que obtém nas suas emissões de obrigações, uma vez que ficaria englobado o risco mais elevado de alguns dos seus parceiros europeus. A vantagem para a Alemanha poderia ser a de, no actual cenário, a realização de emissões deste tipo reduziria a pressão dos mercados sobre os países periféricos da zona euro, reduzindo deste modo o risco de a Alemanha ter de financiar novos planos de resgate...


Público • Terça-feira 7 Dezembro 2010

Boa Viagem


Graças a deus.

Antigo bispo do Porto é sepultado hoje.


Júlio Tavares Rebimbas (1922-2010), bispo do Porto durante 17 anos, morreu aos primeiros minutos de ontem, na Casa de Saúde da Boavista.

Público • Terça-feira 7 Dezembro 2010

E eu ralado

Palestina 67

O principio de um fim. Jà não era sem tempo.


Argentina reconhece Palestina “livre e independente”

A Argentina decidiu reconhecer a Palestina como “um Estado livre e independente” segundo as fronteiras de 1967, tal como o Brasil fez na última semana.

Israel lamentou a iniciativa, oficializada numa carta enviada pela Presidente Cristina Kirchner a Mahmoud Abbas, mas o Uruguai anunciou que seguirá o exemplo, já em 2011.

Público • Terça-feira 7 Dezembro 2010

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Sem espinhas

PIM !

Espanha - A greve dos controladores foi uma Azneirada

A greve selvagem dos controladores de voo encerrou o espaço aéreo e mostrou que, não havendo democracia sem direito à greve, há greves capazes de anular a democracia. A decisão rápida do Governo pôs fim à sedição em que a corporação dos controladores se portou como um Tejero Molina à paisana, sem respeito pela democracia.

Foi grave que o Governo tivesse de reprimir a greve e recorrido ao que em Portugal se chama requisição civil, mas pior teria sido se os controladores, cujas funções permitem paralisar os transportes aéreos, tivessem alterado o funcionamento democrático

Os privilégios obscenos de que gozam e a simpatia dos sectores mais reaccionários, mostraram a face do franquismo através da luta de uma classe altamente favorecida.

No PP continua vivo o Aznarismo, uma forma larvar de fascismo , capaz de recorrer a métodos antidemocráticos para recuperar o poder.

Desta vez parece ter-se enganado e a greve foi um erro ou, pior, uma Azneirada.

posted by Carlos Esperança
http://ponteeuropa.blogspot.com/

domingo, 5 de dezembro de 2010

Wikileaks


Wikileaks: o futuro da democracia global

Atribui-se a Bismarck a frase «as leis são como as salsichas, é melhor não as ver a serem feitas».

E, todavia. Todos gostamos de saber o que comemos, como gostamos de saber o que os governos fazem em nosso nome, com o dinheiro dos nossos impostos. Alguns de nós até acham, veja-se lá o radicalismo, que temos o direito de saber o que comemos e o que pagamos.

A wikileaks colocou em acesso público a correspondência diplomática dos EUA durante um período de alguns poucos anos. Entre as revelações relevantes, a enorme hostilidade entre os Estados islâmicos sunitas e o Irão, maior do que alguma vez vi descrito na imprensa «de referência»; o presidente do Iémen a autorizar os EUA a atacarem o seu próprio povo, mesmo quando matam civis (incluindo crianças), e oferecendo-se para dizer que é ele quem ordena os ataques («we'll continue saying the bombs are ours, not yours»); os EUA a pressionarem o poder judicial espanhol para não investigar crimes de sangue (com a vergonhosa cooperação do PGR espanhol); pressões semelhantes sobre a Alemanha; espionagem da ONU, incluindo o secretário-geral Ban Ki-moon, ordenada por Hillary Clinton ela própria (até dados «biométricos» eles queriam); detalhes sobre como alguns Estados do leste da Europa, em particular a Rússia, são máfias com bandeira de Estado; que os sauditas, grandes aliados de Portugal (e dos EUA) continuam os principais financiadores das Al-Qaedas; e que a Turquia é uma confusão perigosa.

(Também há detalhes sobre um líder magrebino que vive em união de facto com uma loura ucraniana, a qual não curou as fobias do senhor; e um líder latino que promove «orgias». Mas isso não é política; é coscuvilhice e não me interessa.)

O que me interessa é que a wikileaks significa, quer o reconheçam ou não, o início de uma nova era.

Há vinte anos, para fazer o que o senhor Assange fez, seria necessário arrombar uma embaixada dos EUA e passar meia dúzia de horas a carregar caixotes com papéis para um camião do tamanho de um TIR. E depois seria necessário encontrar um jornal suficientemente independente (ou louco), e/ou entrar em compromissos com o partido X para assegurar a publicitação das descobertas. Mesmo assim, seria uma publicitação limitada.

Hoje em dia, basta uma pen de 15€ e um minuto para descarregar tudo de um qualquer computador USA numa embaixada ignota, e depois mandar um email para alguém que garanta o anonimato da fonte. O mundo saberá.

«O wonder! How many goodly creatures are there here!
How beauteous mankind is!
O brave new world!
That has such people in it!»

O mundo mudou muito, e vai mudar mais. A internet foi o início de uma cidadania global cujas consequências ninguém consegue antever. Os políticos não gostam, e a classe jornalística também não. Deixaram de poder trocar um bloqueio de informação agora, por um exclusivo depois. Não admira que no twitter e na blogosfera apareçam personagens altaneiras a assobiar para o lado enquanto atestam a «irrelevância» dos wikileaks. O jogo mudou, e não é fácil reconhecê-lo.

A «irrelevante» wikileaks anda a migrar de servidor em servidor. Foi expulsa pela amazon (que merece um boicote). A paypal travou-lhe as doações. (Não percebo porque fazem isto tudo se «toda a gente» já sabia tudo. Como também não percebo por que razão os jornalistas altaneiros não nos deram as noticias antes da wikileaks, se já as sabiam.) Entretanto, os americanos no Iraque têm o acesso ao wikileaks dificultado. E até às notícias sobre o caso.

A biblioteca do congresso bloqueou o acesso ao site «maldito». A Universidade de Columbia avisa os seus alunos de que podem não conseguir emprego se comentarem o assunto no Facebook ou no Twitter (Orwell, acorda, eles voltaram). E saltam as ameaças de morte a Julian Assange.

Ser cidadão implica acreditarmos na nossa capacidade de formarmos a nossa opinião sem mediadores jornalísticos ou políticos. À hora a que escrevo, jornais «de referência» ainda acusam Assange de «violação» (sexual).

Na blogo-esfera, já se sabe que apenas se negou a usar preservativos (sem consenso). Este é só um exemplo de como as manipulações dos media institucionais serão cada vez mais difíceis de manter num mundo em que a verdade está ao alcance de um clique.

A batalha pelo direito da wikileaks a publicitar os telegramas «privados» do governo mais poderoso do planeta (desde quando os governos têm vida privada?), é um passo significativo no sentido de uma cidadania em que a sociedade civil não pede autorização aos governos e aos seus «mediadores» oficiosos (os media tradicionais) para formar a sua opinião.

Uma sociedade civil sem filtros dos «mediocratas» e que se marimba nos tabus dos poderes económicos e de outros feudos que sobrevivem nas democracias é o pior pesadelo do que resta de autoritarismo e totalitarismo neste planeta.

Ergamos o nosso copo a Julian Assange. Sejam quais forem os seus motivos, podemos vir a dever-lhe muito. Para começar, cidadãos informados daquilo de que as salsichas são feitas. E que podem não gostar.

Publicado por Ricardo Alves
http://esquerda-republicana.blogspot.com/

Van Gogh

Antici...clone


Aumento de salários deixa César isolado até no PS

PR diz que compensação salarial será inconstitucional. Governo sugere fiscalização.

O Presidente da República admi-te que o regime compensatório aprovado pelo Governo dos Açores, para os 3700 funcionários regionais, pode pôr em causa o "princípio básico da equidade" na tributação dos rendimentos.

A crítica contundente de Cavaco foi a primeira - fora as da opo-sição - a uma decisão de Carlos César, que levantou uma onda de críticas, que chegaram mesmo ao Governo: um apoio aos funcionários públicos da região com rendimentos entre 1500 e 2000 mensais, compensando-os pelos cortes impostos pelo Governo aos funcionários públicos no OE 2011.

Ressalvando não dispor de toda a informação, Cavaco Silva sublinhou ontem, porém, que "fazer discriminações significa sempre de alguma forma violar um princípio de equidade" e fez questão de recordar o que diz a Constituição da República: "Que as pessoas devem ser tratadas de acordo com o seu rendimento global e nunca de acordo com a profissão que exercem, ou o local onde habitam".

Deixando muito clara a sua posição, o Presidente da República concluiu com um voto: "Espero que seja isso que venha a ser determinante na imposição de sacrifícios aos portugueses."

Sem querer entrar em polémicas, e a poucos metros do local onde Cavaco proferiu estas declarações, o primeiro-ministro advertiu que "o que foi aprovado pelo Governo è igual para todos", admitindo, porém, que "o Governo Regional dos Açores tem todo o direito de intervir na medida das suas competências".

Mas Sócrates não conhecia a notícia - e vincou isso mesmo aos jornalistas em Mar del Plata, local da cimeira Ibero-Americana. E, poucas horas depois, no Ministério das Finanças, em Lisboa, o secretário de Estado da Administração Pública corrigia o tiro defendendo a mesma tese de Cavaco Silva.

Gonçalo Castilho dos Santos, em nome do Governo, afirmou que "o princípio da igualdade está constitucionalmente protegido e que, por isso, espera, que todos os órgãos competentes que zelam pelo cumprimento da lei, quer a lei ordinária, quer a lei fundamental do País, acautelem este princípio da legalidade e da igualdade". Ou seja, que quem possa (como o ministro da República) peça a fiscalização da medida no TC.

O presidente do Governo Regional, Carlos César, não desarmou com as críticas à sua polémica decisão. Diz que a tomou por uma questão de "opções e priorida-des", garantindo que isso "não custa um cêntimo ao Estado ou aos cidadãos de qualquer região do País" - e até que está garantida a sua constitucionalidade: "Os portugueses podem ter a certeza de que o que aqui fazemos não é tirando o dinheiro a ninguém, é utilizando o dinheiro que já está afecto aos Açores", frisou, saindo em defesa de uma "classe média-baixa, muito importante na manutenção do consumo e da actividade económica açoriana".

A verdade é que a polémica apanhou os socialistas desprevenidos. E até Manuel Alegre - candidato presidencial apoiado pelo PS e por César, que está precisamente de visita aos Açores - se pronunciou a "medo". "Eu, de uma maneira geral sou contra os regimes de excepções, mas eu não sei bem do que é que se está a falar", alegou Manuel Alegre. No seu entender, esta é, no entanto, uma matéria que "compete ao Governo dos Açores", por ter "autonomia", frisou apenas.

O anúncio da medida levou a fortes críticas da parte de toda a oposição. Miguel Macedo, líder parlamentar do PSD, atacou a compensação que cobrirá "integralmente a perda de vencimento dos funcionários públicos" açorianos, desafiando o Governo a pronunciar-se logo pela manhã. Na mesma linha reagiu o CDS. "Quando se fala em confiança e em legitimidade, obviamente não se pode pedir sacrifícios a uns e depois pedir sacrifícios a outros", afirmou Cecília Meireles.

Já o líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, desvalorizou a excepção nos cortes salariais na administração pública nos Açores, destacando como maior problema a quantidade de trabalhadores públicos no país com ordenados reduzidos. Da Madeira veio a farpa mais previsível, com Alberto João Jardim a dizer que o apoio de César só acontece porque "recebe muito dinheiro" de Lisboa.

por EVA CABRAL, LUÍS REIS RIBEIRO, PAULO FAUSTINO e NUNO SARAIVA
http://dn.sapo.pt

Caridade

Um jovem noviço chegou ao mosteiro e lhe deram a tarefa de ajudar os outros monges a transcrever os antigos cânones e regras da Igreja Católica. Ele se surpreendeu ao ver que os monges faziam seu trabalho a partir de cópias e não dos manuscritos originais.

Foi falar com o abade e explicou que, se alguém cometesse um erro na primeira cópia, esse erro se propagaria em todas as cópias posteriores. O abade lhe respondeu que há séculos copiavam da cópia anterior, mas que achava bem procedente a observação do noviço.

Na manhã seguinte, o abade desceu até as profundezas da caverna no porão do mosteiro, onde eram conservados os manuscritos e pergaminhos originais, intocados há muitos séculos.

Passou-se a manhã, a tarde e depois a noite, sem que o abade desse sinal de vida.
Preocupado, o jovem noviço decidiu descer e ver o que estava acontecendo. Encontrou o abade completamente descontrolado, com as vestes rasgadas, batendo a cabeça ensanguentada nos veneráveis muros do mosteiro.

Espantado, o jovem monge perguntou:
- Abade, o que aconteceu?
- Aaaaaaaahhhhhhhhhh!!! CARIDADE... meu jovem... CARIDADE!!!

Eram votos de "CARIDADE" que tínhamos que fazer e não de "CASTIDADE"!!!

Publicado por: Arp
http://www.viriatoweb.net

sábado, 4 de dezembro de 2010

Madredeus (live bxl)

Descontrolados

Uma rajada nas pernas.

Três ou quatro centenas de controladores áereos espanhóis abandonaram o seu trabalho sem aviso prévio, lançando a confusão em muitos aeroportos europeus e deixando mais de um milhão de passageiros ao deus dará.

Nos tempos que correm as greves com maiores consequências provêm de gente bem remunerada que não quer prescindir do segundo (ou terceiro) carro, nem das férias em ilhas paradísiacas.

O governo espanhol deu a resposta que se impunha nesta situação, entregando o camando das torres de controlo dos aeroportos civis às Forças Armadas e declarando o estado de emergência, o que implica que os grevistas içaram sob a alçada do Código Militar Penal.

Estão todos a voltar ao trabalho com o rabinho entre as pernas. Pelas declarações dos espanhóis retidos nos aeroportos, o governo pode despedir imediatamente todos os controladores que toda a Espanha aplaudirá. Esta acção contra as regras e pondo em causa a segurança de pessoas não foi um tiro dos pés. Foi uma rajada nas pernas.

Por Tomás Vasques
http://hojehaconquilhas.blogs.sapo.pt/

€ Fartar Vilanagem

Empresta-me aí o teu dinheiro a 1% para eu tu emprestar a 7%

Segundo o Público de ontem (artigo de Cristina Ferreira e Paulo M Madeira) os três maiores bancos privados portugueses, o BCP, o BES e o BPI, entre 30 de Março e 30 de setembro deste ano, aumentaram os seus empréstimos ao Estado português em mais de 2.000 milhões para um total de cerca de 9.100 milhões de euros.

Como conseguem estes bancos, e em especial os grandes bancos e fundos estranjeiros, "ajudar" Portugal a ultrapassar a crise? Vão pedir ao BCE, o banco da União Europeia, que lho empresta a 1% para eles emprestarem ao Estado português a mais de 6%.

Portanto o Banco Central Europeu, criado com o dinheiro dos Estados europeus e que deveria existir para servir as economias dos Estados da União e os respectivos povos, serve afinal, como se sabe, em primeiro lugar os interesses dos maiores bancos que são por acaso dos banqueiros dos países mais poderosos.

Causa admiração? Não, porque os bancos e os sistemas financeiros, o bancário e o paralelo, funcionando como a direita "liberal" defende, sem Estado e sua regulação a atrapalhá-los, funcionando de acordo com as regras do santificado mercado, estão aí é para ganhar dinheiro, não é para salvar economias, ou minorar o sofrimento dos milhões de pessoas atingidas.

E quem causticam mais? Onde é possível ganhar mais dinheiro, obter juros mais altos, nas economias que estão em risco de se afundar. Mas isso vai lançar no desemprego, na miséria e no desespero uma grande parte da sua população? Pois, é pena, não é por maldade, até preferiam que isso não acontecesse, mas... paciência eles não estão cá para cuidar das pessoas (das outras pessoas) ou dessa coisa subversiva chamada justiça social. Percebe-se.

Mas então e os governos? Os governos que nós elegemos? Bem, os governos... os governos... pelo menos aqueles dos países mais poderosos... coitados o que lhes parece mais compensador é favorecer os banqueiros e a oligarquia que eles representam, pois assim terão para si e as suas famílias a sua gratidão.

Fatalidade? Sim, enquanto as vítimas não se levantarem e não mudarem as regras do jogo.

posted by Raimundo Narciso
http://puxapalavra.blogspot.com/

Patinho feio

Cavaco 'vintage'

Ficámos esta semana a saber, por intermédio da revista Sábado, que Cavaco teve ficha na PIDE. Não se trata, porém, de uma ficha "de honra", daquelas de que as pessoas se gabam, como em "eu até tive ficha na PIDE", querendo dizer que se incomodaram o suficiente com o regime antidemocrático para atrair a atenção dos seus esbirros.

Não, e tanto assim não é que se trata de algo que o actual Presidente preferiu rasurar; algo considerado até, em óbvio lapso freudiano na reacção da sua candidatura à abordagem da Sábado, como "sujo": "Este tipo de guerra suja não pega com o candidato prof. [sic] Cavaco Silva."

Ora se alguma coisa há de verdadeiramente escandaloso na descoberta da Sábado é que é possível alguém ter sido PM entre 1985 e 1995 e PR desde 2006 e ninguém se ter lembrado, até agora, de procurar o seu nome no arquivo da PIDE - o que diz brutalidades sobre a forma como a ditadura foi e é encarada pela democracia, numa espécie de patética elisão, do género "adiante".

Já sobre Cavaco, que nos diz a ficha? Que quis ter acesso, para efeitos de investigação académica, a documentos "classificados". Tinha para tal de ser sujeito a aprovação da PIDE, o que implicava responder a um questionário no qual se perguntava sobre "posição e actividades políticas".

O jovem Aníbal, então com 28 anos, respondeu: "Estou integrado no actual regime", acrescentando: "Não exerço qualquer actividade política." Nada de extraordinário, aliás tudo muito ordinário. Como ele responderia, se colocada nessa situação, a maioria dos portugueses da época e não teria realmente muito sentido alguém ir de propósito à PIDE para dizer "acho este regime um grande nojo".

Cavaco era, pois, na pior das hipóteses, um admirador do regime; na melhor, um sonso: morremos de estupefacção. Claro, dir-se-á, poderia ter-se atido à segunda resposta. Mas quis jogar pelo seguro, aliás ao ponto de não afirmar apoio ao regime e, numa atitude tão nossa conhecida, colocar-se "fora" da política - como se "estar integrado" no regime ditatorial e afirmá- -lo não constituísse uma opção política.

É porém no espaço destinado a "observações", portanto opcional, que o actual Presidente melhor se revela: "O sogro casou em segundas núpcias com Maria Mendes Vieira, com quem reside e com quem o declarante não priva."

Para prosseguir os seus intentos - no caso, ler uns documentos quaisquer - Cavaco não hesitou em expor a vida familiar e apontar o dedo à mulher do sogro (à mulher, note-se; não ao sogro), declarando-a infrequentável.

O homem que não fazia política a politizar a intimidade: olha se não é o princípio do totalitarismo e da bufaria e ignomínia que ele convoca. Confere.

por FERNANDA CÂNCIO
http://dn.sapo.pt

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Sérgio Godinho

FMI by passos

Quem quer a ajuda do FMI?

No meio de tanta afirmação contraditória sobre um eventual pedido de ajuda ao FMI, de livre iniciativa ou imposto por Bruxelas, começa a ser confuso perceber quem quer e quem não quer a preciosa ajuda internacional, o mesmo é dizer que interesses estão defendendo os que querem ou não querem tal ajuda.

Os banqueiros dizem que não querem pois aposta na passagem do temporal especulativo e contam com a retoma da economia para animar os negócios, entretanto têm muito a ganhar com o diferencial existente entre os juros exigidos pelo BCE e os que cobram aos Estados Europeus cuja dívida soberana atingiu juros absurdos. Mas se a situação financeira do país se degradar é certo que vão ser os primeiros a apelar a Sócrates que recorra à ajuda internacional.

Sócrates não quererá recorrer ao FMI pois isso seria o reconhecer ter cometido erros na política orçamental o que sendo evidente não seria notícia noutro contexto económico internacional. Os erros cometidos por este governo foram ensinados por um conhecido professor de economia, há muito que os governos tornaram a execução orçamental num domínio de total opacidade.

Mas se a crise financeira atingir a Espanha e a Itália, o que começa a ser muito provável, Sócrates poderá beneficiar de uma mudança de posição da Alemanha ou usar a crise nestes países para justificar um recurso à ajuda internacional, se até os ricos são obrigados a recorrer é porque o mal não é nosso.

A posição mais hipócrita tem sido a protagonizada por Pedro Passos Coelho que disputa o poder com a mesma leviandade com que disputaria a associação de estudantes de uma escola do ensino preparatório. Num dia afirma o seu empenho na estabilidade e na independência do país, no outro quer que venha o FMI e já diz aos portugueses que precisa de duas legislaturas, tudo depende das sondagens.

Esta hipocrisia ficou evidente na discussão do OE em que se limitou a promover a instabilidade política contando com o aumento dos juros como um reforço do seu poder negocial. Depois de conseguir aumentar os juros da dívida soberana limitou-se a fazer um simulacro de negociação da qual resultou o aumento da despesa e uma importante conquista orçamental para os portugueses, a manutenção da taxa do iva nos refrigerantes.

Agora que voltou a estar bem na sondagens volta a dar uma ajuda aos especuladores e já admite a vinda do FMI, até admite governar com o FMI, só não explica se vai ser convidado para primeiro-ministro por Cavaco Silva ou pelo presidente do FMI pois dificilmente a estabilidade nos mercados financeiros vai durar os meses que terá de esperar até que se realizem eleições legislativas.

Se Passos Coelho dispõe-se a governar com o FMI resta saber se o fundo está disponível para governar com Passos Coelho, um político que aprova um orçamento para evitar a vinda do FMI e uma semana depois quase convida o FMI a vir é muito pouco credível quer para o FMI, quer para os investidores.

O mais grave é que enquanto os portugueses discutem se o país precisa da ajuda do FMI o líder do PSD equaciona o problema noutra perspectiva, Passos Coelho acha que o FMI pode vir a ajudá-lo.
De uma negociação com o FMI resultam duas coisas, ajuda financeira como contrapartida de um pacote de medidas políticas, o cinismo oportunista de Passos Coelho leva-o a pensar que divide a coisa ao meio a ajuda financeira é para o país e as medidas políticas constituem uma ajuda ao seu projecto político, conseguirá com a chantagem do FMI impor ao país um projecto político que quando foi assumido o levou a cair abruptamente nas sondagens. Pedro Passos Coelho espera que o FMI force os portugueses a aceitar entre outras coisas o seu projecto de revisão constitucional.

Enquanto em vários países europeus cidadãos e governos discutem a bondade ou necessidade de recurso à ajuda internacional, em Portugal as diversas forças estão a equacionar o recurso ao FMI mais para ajudar os benefícios financeiros e políticos de cada um do que os que resultariam para o país.

Publicada por Jumento
http://jumento.blogspot.com/