Lembram-se?
Ainda se lembram de Cavaco Silva, enquanto candidato presidencial, dizer que seria melhor os portugueses escolherem o presidente à primeira volta, de modo a evitar a subida das taxas de juro, no mercado da dívida? Se, segundo o actual presidente da República, a situação financeira pioraria com uma segunda volta das presidenciais, o que acontecerá com a crise política instalada, governo demitido, Assembleia da República dissolvida e eleições legislativas em Junho?
Por Tomás Vasques
http://hojehaconquilhas.blogs.sapo.pt/
quarta-feira, 30 de março de 2011
Direito ao contraditòrio
Austeridade: ou há moralidade ou comem todos
Começa a ser tempo de se perceber que a melhor forma de sair da situação em que o país se encontra é repartindo a austeridade de forma a que penalize o menos possível cada português. Mas não é isso que os políticos, os grupos corporativos e algumas “associações cívicas de pressão” defendem. Os políticos avaliam a austridade pelo impacto nos votos e nos interesses que representam, os grupos corporativos exigem ficar acima dos problemas e alguns cidadãos organizam-se para que as suas despesas sejam pagas pelos outros.
Os programas de austeridade não devem ser avaliados apenas pelo seu impacto nas contas públicas, mas também pela forma como o custo social desse impacto é repartido pelos portugueses. Mas não é isso a que estamos a assistir e o resultado é a distribuição desigual do impacto da asuteridade, os banqueiros ficam de fora porque a banca tem de sobreviver, os pobres, incluindo os muitos falsos pobres beneficiam do choradinho político, os profissionais de saúde dos sector privado têm o guarda-chuva dos partidos cujos dirigentes são patrocionados pelo sector.
Não faz sentido que um funcionário público no activo perca mais de 10% do seu rendimento de um dia para o outro, quando outros que se aposentaram com cinquenta anos de idade e que ficaram a ganhar mais de pensão do que de vencimento fiquem de fora. Não é aceitável que se apoie cortes dos vencimentos ao mesmo tempo que se exige a manutenção das SCUT nos concelhos onde governa o PSD. É uma estupidez o ministro das Finanças desorganizar o fisco com uma fusão ao mesmo tempo que mantém os cargos que criou e que se revelaram inúteis, como é o caso dos controladores financeiros. É uma hipocrisia falar da reestruturação da Administração Pública e manter os governos civis ou manter um modelo municipalista absurdo. É um absurdo exigir as universidades gratuitas e pagar quinhentos euros no infantário.
Nesta condições é inevitável que as medidas de austeridade sejam mais injustas do o necessário, porque incidem sobre quem não tem capacidade reivindicativa ou sobre os que são desprezados eleitoralmente pelos partidos. Sócrates decidiu sacrificar os funcionários públicos melhor remunerados porque concluiu que perdia menos votos sacrificando os que muito provavelmente não votarão nele, Pedro Passos Coelho propõe um aumento absurdo do IVA porque assim dilui o impacto e poupa o sector privado da saúde que tem lucros elevados à custa dos benefícios sociais da saúde. Francisco Louçã e Jerónimo de Sousa continuam a defender que devem ser os ricos que paguem a crise. Os autarcas querem que seja a Administração Central a suportar a crise para que eles possam manter a sua influência continuando a construir rotundas muito floridas e a levar os velhinhos a Fátima ou a passear de avião.
O resultado desta austeridade à la carte é a crescente divisão dos portugueses, o prolongamento da crise e mais recessão. Os empregados do sector privado acusam os funcionários públicos de responsáveis pela crise porque é isso que está implícito em medidas como aumentar os ordenados dos que menos ganham como fez Ferreira Leite ou cortar os vencimentos dos que mais ganham como decidiu Sócrates. Os mais pobres acreditam mesmo que a solução está em cortar nos malandros dos mais ricos, precisamente aqueles de que se espera mais investimento. Os portugueses que moram na província exigem as SCUT porque acham que os da capital são uns malandros. No fim, quando nada resulta, fazemos manifestações a dizer que estamos à rasca por causa dos políticos.
Sócrates é bem capaz de ter razão nos cortes dos vencimentos mas nesse caso deve cortar a todos e não deixar de fora os pensionistas que não foram alvo das suas reformas. Passos Coelho tem razão ao defender um aumento dos impostos mas talvez esse aumento dos impostos deva ser distribuído por todos os impostos. Louçã tem alguma razão ao defender o combate à evasão fiscal mas tal combate não resolve qualquer crise pois os seus resultados só serão visíveis dois, três anos depois.
A solução passa por distribuir os custos pelo maior número de portugueses e pelo maior número possível de medidas, desta forma haverá mais equidade, os sacrifícios suportados por cada um serão menores e o impacto na economia será minimizado. Mas isso implica que os políticos deixem de pensar a austeridade em função dos votos ou da protecção dos seus boys. Se continuarem a fazê-lo poderão ganhar votos, conseguirão manter os lugares para as suas clientelas, cumprirão os compromissos que assumiram com os seus financiadores, mas conduzirão o país ao desastre.
Publicada por Jumento
http://jumento.blogspot.com/
Começa a ser tempo de se perceber que a melhor forma de sair da situação em que o país se encontra é repartindo a austeridade de forma a que penalize o menos possível cada português. Mas não é isso que os políticos, os grupos corporativos e algumas “associações cívicas de pressão” defendem. Os políticos avaliam a austridade pelo impacto nos votos e nos interesses que representam, os grupos corporativos exigem ficar acima dos problemas e alguns cidadãos organizam-se para que as suas despesas sejam pagas pelos outros.
Os programas de austeridade não devem ser avaliados apenas pelo seu impacto nas contas públicas, mas também pela forma como o custo social desse impacto é repartido pelos portugueses. Mas não é isso a que estamos a assistir e o resultado é a distribuição desigual do impacto da asuteridade, os banqueiros ficam de fora porque a banca tem de sobreviver, os pobres, incluindo os muitos falsos pobres beneficiam do choradinho político, os profissionais de saúde dos sector privado têm o guarda-chuva dos partidos cujos dirigentes são patrocionados pelo sector.
Não faz sentido que um funcionário público no activo perca mais de 10% do seu rendimento de um dia para o outro, quando outros que se aposentaram com cinquenta anos de idade e que ficaram a ganhar mais de pensão do que de vencimento fiquem de fora. Não é aceitável que se apoie cortes dos vencimentos ao mesmo tempo que se exige a manutenção das SCUT nos concelhos onde governa o PSD. É uma estupidez o ministro das Finanças desorganizar o fisco com uma fusão ao mesmo tempo que mantém os cargos que criou e que se revelaram inúteis, como é o caso dos controladores financeiros. É uma hipocrisia falar da reestruturação da Administração Pública e manter os governos civis ou manter um modelo municipalista absurdo. É um absurdo exigir as universidades gratuitas e pagar quinhentos euros no infantário.
Nesta condições é inevitável que as medidas de austeridade sejam mais injustas do o necessário, porque incidem sobre quem não tem capacidade reivindicativa ou sobre os que são desprezados eleitoralmente pelos partidos. Sócrates decidiu sacrificar os funcionários públicos melhor remunerados porque concluiu que perdia menos votos sacrificando os que muito provavelmente não votarão nele, Pedro Passos Coelho propõe um aumento absurdo do IVA porque assim dilui o impacto e poupa o sector privado da saúde que tem lucros elevados à custa dos benefícios sociais da saúde. Francisco Louçã e Jerónimo de Sousa continuam a defender que devem ser os ricos que paguem a crise. Os autarcas querem que seja a Administração Central a suportar a crise para que eles possam manter a sua influência continuando a construir rotundas muito floridas e a levar os velhinhos a Fátima ou a passear de avião.
O resultado desta austeridade à la carte é a crescente divisão dos portugueses, o prolongamento da crise e mais recessão. Os empregados do sector privado acusam os funcionários públicos de responsáveis pela crise porque é isso que está implícito em medidas como aumentar os ordenados dos que menos ganham como fez Ferreira Leite ou cortar os vencimentos dos que mais ganham como decidiu Sócrates. Os mais pobres acreditam mesmo que a solução está em cortar nos malandros dos mais ricos, precisamente aqueles de que se espera mais investimento. Os portugueses que moram na província exigem as SCUT porque acham que os da capital são uns malandros. No fim, quando nada resulta, fazemos manifestações a dizer que estamos à rasca por causa dos políticos.
Sócrates é bem capaz de ter razão nos cortes dos vencimentos mas nesse caso deve cortar a todos e não deixar de fora os pensionistas que não foram alvo das suas reformas. Passos Coelho tem razão ao defender um aumento dos impostos mas talvez esse aumento dos impostos deva ser distribuído por todos os impostos. Louçã tem alguma razão ao defender o combate à evasão fiscal mas tal combate não resolve qualquer crise pois os seus resultados só serão visíveis dois, três anos depois.
A solução passa por distribuir os custos pelo maior número de portugueses e pelo maior número possível de medidas, desta forma haverá mais equidade, os sacrifícios suportados por cada um serão menores e o impacto na economia será minimizado. Mas isso implica que os políticos deixem de pensar a austeridade em função dos votos ou da protecção dos seus boys. Se continuarem a fazê-lo poderão ganhar votos, conseguirão manter os lugares para as suas clientelas, cumprirão os compromissos que assumiram com os seus financiadores, mas conduzirão o país ao desastre.
Publicada por Jumento
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terça-feira, 29 de março de 2011
Hà solução !
Aprender com a Islândia, Irlanda e Grécia para decidir o voto
Eis que a recusa do povo islandês em pagar a dívida privada aqui bem descrita por Jean Tosti começa a romper o bloqueio da imprensa portuguesa. Isto no mesmo fim de semana em que um cidadão irlandês publica um interessante “conselho de amigo” aos portugueses, alertando-nos para o facto de estarmos a seguir exactamente os mesmos passos que a Irlanda. Entretanto, na Grécia, desconfia-se que a tão falada dívida pública seja maioritariamente consequência de negócios ruinosos para o Estado, com lucros astronómicos para os privados – coisa que não será estranho que também tenha sucedido e continue a suceder por cá.
Ora, se há uma coisa que une estes três países são os significativos avanços eleitorais da esquerda anti-capitalista e, quanto mais à esquerda são os seus governos, mais rápida parece ser a sua recuperação económica.
Ao invés, em Portugal, os gabinetes de comunicação e sondagens preparam a eleição de Passos Coelho. Como aqui foi recordado, a mesma Marktest que a dois meses das últimas presidenciais anunciava 78,30% para Cavaco Silva e 0,7% para o candidato comunista aparece agora, a dois meses das eleições legislativas, a anunciar 53% para PSD+CDS e quebras significativas, por comparação com as últimas eleições, para BE e PCP. À luz do que se passa em países como a Islândia, Grécia ou Irlanda, será de prever que os partidos de esquerda avancem eleitoralmente, contudo, a Marktest não hesita em colocar PSD+CDS com uma percentagem histórica que, todos sabemos será extraordinariamente improvável, e a esquerda em perda.
Sejamos claros. A maioria das empresas de sondagens não pretende adivinhar o resultado e muito menos identificar rigorosamente um sentido de voto à data da sua elaboração. A maioria das empresas de sondagens pretende entrar no jogo político desempenhando um papel no cerco da bipolarização e, se é certo que ainda não votam, o seu impacto nas escolhas do cidadão eleitor não deve ser desvalorizado.
Imaginemos que os erros da Marktest eram noutro sentido, será que o resultado das eleições não seria outro?
O que poderia ter sucedido nas eleições presidências se a Marktest em vez de falhar 25 pontos percentuais no resultado de Cavaco Silva se tivesse enganado em 12,5 pontos percentuais no resultado do candidato comunista, dando-o como potencial segundo classificado à frente de Manuel Alegre?
O que sucederia se, nas sondagens para as próximas legislativas, PCP e BE começassem a surgir com valores somados de 25%, o que podia significar que nenhuma alteração constitucional podia passar sem o voto de uma das duas forças políticas ou que juntas somariam mais votos que o PS?
Não tenhamos dúvidas que as sondagens não são importantes pela sua capacidade de previsão, mas pelo ambiente que criam para a eleição. No actual contexto, por mais greves, protestos e manifestação de centenas de milhares de trabalhadores, tudo aponta para que se concentrem no anúncio da mudança de caras, entre PS e PSD, afirmando a manutenção do paradigma político existente.
Compete a cada um decidir se vai atrás das sondagens.
P.S. – Na caixa de comentários acrescenta-se, e bem, à lista de parvoíces que importa desmistificar, o último texto de Krugman sobre os planos de austeridade em Portugal.
27 de Março de 2011 por Tiago Mota Saraiva
http://5dias.net/2011/03/27/aprender-com-a-islandia-a-irlanda-e-a-grecia-para-decidir-o-voto/
Eis que a recusa do povo islandês em pagar a dívida privada aqui bem descrita por Jean Tosti começa a romper o bloqueio da imprensa portuguesa. Isto no mesmo fim de semana em que um cidadão irlandês publica um interessante “conselho de amigo” aos portugueses, alertando-nos para o facto de estarmos a seguir exactamente os mesmos passos que a Irlanda. Entretanto, na Grécia, desconfia-se que a tão falada dívida pública seja maioritariamente consequência de negócios ruinosos para o Estado, com lucros astronómicos para os privados – coisa que não será estranho que também tenha sucedido e continue a suceder por cá.
Ora, se há uma coisa que une estes três países são os significativos avanços eleitorais da esquerda anti-capitalista e, quanto mais à esquerda são os seus governos, mais rápida parece ser a sua recuperação económica.
Ao invés, em Portugal, os gabinetes de comunicação e sondagens preparam a eleição de Passos Coelho. Como aqui foi recordado, a mesma Marktest que a dois meses das últimas presidenciais anunciava 78,30% para Cavaco Silva e 0,7% para o candidato comunista aparece agora, a dois meses das eleições legislativas, a anunciar 53% para PSD+CDS e quebras significativas, por comparação com as últimas eleições, para BE e PCP. À luz do que se passa em países como a Islândia, Grécia ou Irlanda, será de prever que os partidos de esquerda avancem eleitoralmente, contudo, a Marktest não hesita em colocar PSD+CDS com uma percentagem histórica que, todos sabemos será extraordinariamente improvável, e a esquerda em perda.
Sejamos claros. A maioria das empresas de sondagens não pretende adivinhar o resultado e muito menos identificar rigorosamente um sentido de voto à data da sua elaboração. A maioria das empresas de sondagens pretende entrar no jogo político desempenhando um papel no cerco da bipolarização e, se é certo que ainda não votam, o seu impacto nas escolhas do cidadão eleitor não deve ser desvalorizado.
Imaginemos que os erros da Marktest eram noutro sentido, será que o resultado das eleições não seria outro?
O que poderia ter sucedido nas eleições presidências se a Marktest em vez de falhar 25 pontos percentuais no resultado de Cavaco Silva se tivesse enganado em 12,5 pontos percentuais no resultado do candidato comunista, dando-o como potencial segundo classificado à frente de Manuel Alegre?
O que sucederia se, nas sondagens para as próximas legislativas, PCP e BE começassem a surgir com valores somados de 25%, o que podia significar que nenhuma alteração constitucional podia passar sem o voto de uma das duas forças políticas ou que juntas somariam mais votos que o PS?
Não tenhamos dúvidas que as sondagens não são importantes pela sua capacidade de previsão, mas pelo ambiente que criam para a eleição. No actual contexto, por mais greves, protestos e manifestação de centenas de milhares de trabalhadores, tudo aponta para que se concentrem no anúncio da mudança de caras, entre PS e PSD, afirmando a manutenção do paradigma político existente.
Compete a cada um decidir se vai atrás das sondagens.
P.S. – Na caixa de comentários acrescenta-se, e bem, à lista de parvoíces que importa desmistificar, o último texto de Krugman sobre os planos de austeridade em Portugal.
27 de Março de 2011 por Tiago Mota Saraiva
http://5dias.net/2011/03/27/aprender-com-a-islandia-a-irlanda-e-a-grecia-para-decidir-o-voto/
Crucifixos nas escolas
Uma decisão que não decide por nós
É tão pacífico que não haja símbolos religiosos permanentes nas escolas públicas portuguesas que ninguém pede que sejam colocados. Compreende-se: o crucifixo não é um dos símbolos da República que mantém essas escolas. E afirmar a religião compete às igrejas, não à escola do Estado.
Todavia, desde 2005 que a Associação República e Laicidade questiona o Ministério da Educação, pedindo apenas uma circular que efective a não confessionalidade constitucional, retirando os crucifixos e cessando as cerimónias religiosas rituais que por vezes têm lugar nas escolas. E o ministério continua a fazer depender essa laicização, antipática para muitos, de um pedido explícito dos pais, empurrando os cidadãos para a constrangedora manifestação (pública) das suas convicções religiosas (privadas).
Existem portugueses crentes, católicos ou não; outros não têm religião, e são ateus, agnósticos ou indiferentes; o Estado não pode tomar partido por uns contra outros. E uma escola pública que seja veículo de difusão de uma religião, quer exibindo símbolos religiosos, realizando comunhões pascais ou tolerando proselitismos disfarçados de actividades transdisciplinares, toma partido por uma fracção da população e afasta-se da sua função unificadora e de formação dos futuros cidadãos nos valores democráticos. Uma parede nua, pelo contrário, não impõe a anti-religião.
Na sentença em que decidem que os crucifixos em escolas públicas italianas não violam a Convenção Europeia dos Direitos do Homem, os juízes de Estrasburgo assumiram que a sua decisão seria diferente perante provas de que, no caso concreto em julgamento, a presença daquele símbolo religioso fosse pretexto para doutrinação religiosa, proselitismo ou cerimónias religiosas. Remeteram a regulação da questão para o âmbito interno de cada Estado, e frisam na 2.ª sentença que são poucos os Estados que, como a França ou a Polónia, especificamente proíbem ou obrigam à presença desses símbolos.
Em Portugal, a inacção do Governo tornou um enquadramento constitucional mais próximo do francês numa vivência concreta que, localmente, pode ser quase polaca. É esse o caso da Madeira, onde um recente despacho do Governo regional ordenou a manutenção dos crucifixos, desafiando a Constituição e a Lei da Liberdade Religiosa, mas sem reacção do Governo da República, sempre tíbio perante aquela autonomia.
por RICARDO ALVES
http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1816778&seccao=Convidados
oposição e fmi, agradecem

Todos no mesmo barco...
A Standard & Poor`s cortou hoje o rating de cinco bancos portugueses e duas subsidiárias, na sequência do corte aplicado à nota de Portugal, e alertam que novo corte ao rating da República pode chegar ainda esta semana.
Este corte significa que os cinco bancos portugueses (BES, CGD, BPI, Totta e BCP) deixaram de poder financiar-se no mercado monetário internacional... "coisa" que, provavelmente, já estaria a acontecer...
A "clarificação política" está a ficar muito cara ao País, às empresas e às famílias...
posted by e-pá!
http://ponteeuropa.blogspot.com/
segunda-feira, 28 de março de 2011
sábado, 26 de março de 2011
coelho ao desbarato.
Bacalhau a pataco.
O PSD não está pelos ajustes e começou a vender bacalhau a pataco. Hoje, no afã de ganhar votos, apresentou um projecto para suspender o modelo de avaliação dos professores. Nunca o fez antes, fê-lo agora com um governo de gestão.
Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof, aplaudiu e os actuais companheiros de viajem do PSD, o Bloco de Esquerda, declararam de imediato o apoio à proposta do PSD. Parecem abutres à volta do voto.
Por Tomás Vasques
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O PSD não está pelos ajustes e começou a vender bacalhau a pataco. Hoje, no afã de ganhar votos, apresentou um projecto para suspender o modelo de avaliação dos professores. Nunca o fez antes, fê-lo agora com um governo de gestão.
Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof, aplaudiu e os actuais companheiros de viajem do PSD, o Bloco de Esquerda, declararam de imediato o apoio à proposta do PSD. Parecem abutres à volta do voto.
Por Tomás Vasques
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sexta-feira, 25 de março de 2011
Dà que pensar...
«O atraso de Portugal é grande. A economia é deficitária. Mesmo que se eliminassem todos os lucros da grande burguesia e se procedesse a uma melhor distribuição da riqueza, o produto nacional não asseguraria, ao nível actual, a acumulação necessária para um desenvolvimento rápido e uma vida desafogada para todos os portugueses.
Para o melhoramento das condições de vida gerais será necessário aumentar a produção em ritmo acelerado. E isso obrigará não só a investir como a trabalhar mais e melhor.»
Álvaro Cunhal, discurso ao VII Congresso do PCP, Outubro de 1974
Isto não são cerejas !
Como vamos construir o caminho para o tempo das cerejas?
Agradeço ao Vitor Dias o espaço que dedicou no seu blog ao meu último post. Com sincero respeito e humildade, deixo aqui a minha resposta.
1. Vitor Dias é há décadas militante de um partido rico, denso e complexo. Teve funções de direcção nesse partido durante muitos anos. Durante a era Carvalhas (perdoe-me a simplificação), enquanto responsável pelas relações com a comunicação social, Vitor Dias revelou uma eficácia rara ao fazer passar as posições de uma organização política fora do mainstream, num ambiente mediático quase sempre hostil. Nos últimos anos mantém um blog que se destaca pela qualidade no debate político em Portugal. Pela minha parte, nunca fui militante de nenhum partido (não que me orgulhe disso), só muito pontualmente fui incumbido de responsabilidades minimamente relevantes em qualquer coisa que tenha a ver com a política nacional, não me dedico regularmente à análise e ao comentário políticos, e tenho neste blog um dos pouco espaços de intervenção cívica que ocupo (aquele que me é possível nas condições de vida que tenho), quase sempre sobre temas ligados à minha profissão (a de economista e de professor). Face a isto, discutir política com Vitor Dias seria para mim como discutir a economia da depressão com Paul Krugman. Não vou fingir que sei mais do que sei - e, até melhor prova, tendo a aceitar como plausíveis muitas das dúvidas que Vitor Dias levanta sobre aquilo que escrevi.
2. Dito isto, creio que Vitor Dias se precipitou ao colar-me a uma leitura simplista das posições do PCP e do BE. Não que me reveja na ideia de que, sendo um mero cidadão atento (como tantos outros), tenho a “obrigação de conhecer extensos documentos e intervenções parlamentares na íntegra”, como escreve Vitor Dias. Mas tive a oportunidade de ler as resoluções do PCP (por sinal, tomei conhecimento dela através d’O Tempo das Cerejas) e do BE que foram hoje votadas. E fiquei bem impressionado com o esforço de ambos os partidos no sentido de explicitarem as suas propostas de caminhos alternativos, nas quais me revejo quase na íntegra. De facto, no meu post não as discuti e, porventura, não terei contribuído para evitar as leituras preguiçosas que Vitor Dias refere. No entanto, parece-me que esta questão passa ao lado do problema.
3. O momento que vivemos assemelha-se cada vez mais aos descritos por Naomi Klein no seu livro “A Doutrina do Choque”. Os problemas financeiros são reais e o espaço de manobra para lhes dar resposta é cada vez mais diminuto. São condições bastantes para quem, tendo os meios para isso, queira navegar a onda do medo e da desorientação para impor as suas agendas. A generalidade dos portugueses já acredita que a perda de poder de compra, o desemprego, a diluição de salários e direitos e a destruição dos serviços públicos vieram para ficar. O PS de Sócrates encontra aqui uma oportunidade para fazer passar medidas que noutras ocasiões não teria coragem para propor. O PSD de Passos Coelho vislumbra uma ocasião única para entregar de vez a quem lhe paga as campanhas diversos serviços públicos que deveriam ser universais, bem como para destruir um conjunto de instituições e de princípios que, apesar de todos os recuos, vinham assegurando a possibilidade de construirmos uma sociedade minimamente decente. Instituições e princípios que muitos – incluindo o PCP, o BE, uma parte relevante do PS e muitos cidadãos com ou sem partido – contribuíram, ao longo de décadas, para construir e defender.
4. Neste contexto, não creio que erre na análise quando escrevo que o PCP e o BE "não têm conseguido fazer muito mais do que anunciar que vem aí o desastre". Para evitar o plano inclinado para uma sociedade indecente não basta ao PCP e ao BE afirmarem que existem alternativas. Em primeiro lugar, seria importante que todos conseguissem perceber que as suas propostas existem e são plausíveis sem terem necessidade de "conhecer extensos documentos e intervenções parlamentares na íntegra". Mais importante, é necessário que PCP e BE consigam deixar claro que não será por sua responsabilidade que a doutrina de choque se imporá. Mais ainda, que consigam demonstrar a quem os ouve que farão os possíveis para encontrar uma solução que evite o desastre. Como eleitor de esquerda e cidadão atento (e não como analista ou comentador, que não sou) não vislumbro sinais da parte dos partidos a quem habitualmente confio o meu voto de que podem fazer algo para que o inevitável não o seja. E garanto que me esforço.
5. Honestamente, não sei como isso se faz. No quadro parlamentar que hoje se dissolveu, parecia-me claro que tal teria de passar por uma intervenção articulada entre PCP e BE. No entanto, não estou inteiramente ciente das vantagens e desvantagens das diferentes opções tácticas. Não sendo militante e muito menos dirigente do PCP ou do BE, não sinto grande necessidade ou utilidade de me inteirar desses cálculos. Mas sinto que não estou sozinho quando afirmo que espero mais destes partidos do que estes têm sido capazes de propor.
Postado por Ricardo Paes Mamede
http://ladroesdebicicletas.blogspot.com/
“forte turbulência”
A Crise (3)
O secretário-geral da OCDE, Angel Gurria, afirmou ontem que Portugal enfrentará uma “forte turbulência” nas próximas semanas e até à realização de eleições.
“É uma tragédia o que está a acontecer porque Portugal estava a fazer o que tinha de ser feito”, afirmou Gurria em Washington citado pela agência de informação financeira Bloomberg.
_____________________
No próximo dia 15 de Abril, Portugal terá de pagar uma dívida de longo prazo de mais de quatro mil milhões de euros que vence nessa altura - diz o Jornal de Negócios que cita “The Wall Street Journal”, o qual lembra que “ao todo, Portugal precisa de cerca de 20 mil milhões de euros este ano para pagar a dívida nos prazos de maturidade..." - A crise política, com a queda do Governo, eleições lá para fim de maio princípio de junho e um Governo operacional lá para Outubro (depois de conhecer os cantos à casa e os dossiês), vem mesmo a jeito para os predadores financeiros nos caírem em cima como abutres.
______________________
"A agência de notação financeira Standard & Poor’s baixou a notação da dívida portuguesa em dois níveis, para ‘BBB’.
A descida do ‘rating' português é justificada pela incerteza política provocada pela demissão do primeiro-ministro José Sócrates.
...Pelas mesmas razões políticas, a Fitch também baixou ontem em dois níveis o ‘rating' de Portugal e deixou de assumir que o País vai continuar a ter acesso aos mercados.
# posted by Raimundo Narciso
http://puxapalavra.blogspot.com/
O secretário-geral da OCDE, Angel Gurria, afirmou ontem que Portugal enfrentará uma “forte turbulência” nas próximas semanas e até à realização de eleições.
“É uma tragédia o que está a acontecer porque Portugal estava a fazer o que tinha de ser feito”, afirmou Gurria em Washington citado pela agência de informação financeira Bloomberg.
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No próximo dia 15 de Abril, Portugal terá de pagar uma dívida de longo prazo de mais de quatro mil milhões de euros que vence nessa altura - diz o Jornal de Negócios que cita “The Wall Street Journal”, o qual lembra que “ao todo, Portugal precisa de cerca de 20 mil milhões de euros este ano para pagar a dívida nos prazos de maturidade..." - A crise política, com a queda do Governo, eleições lá para fim de maio princípio de junho e um Governo operacional lá para Outubro (depois de conhecer os cantos à casa e os dossiês), vem mesmo a jeito para os predadores financeiros nos caírem em cima como abutres.
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"A agência de notação financeira Standard & Poor’s baixou a notação da dívida portuguesa em dois níveis, para ‘BBB’.
A descida do ‘rating' português é justificada pela incerteza política provocada pela demissão do primeiro-ministro José Sócrates.
...Pelas mesmas razões políticas, a Fitch também baixou ontem em dois níveis o ‘rating' de Portugal e deixou de assumir que o País vai continuar a ter acesso aos mercados.
# posted by Raimundo Narciso
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