sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

2011



Que o Ano de 2011 nos traga mais: Força nas convicções, Beleza nos actos e Sabedoria nas palavras.

A todos os Amigos, um forte e Fraternal abraço.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Atitudes


Seres decentes

Quando cumpria o seu segundo mandato, Ramalho Eanes viu ser-lhe apresentada pelo Governo uma lei especialmente congeminada contra si.

O texto impedia que o vencimento do Chefe do Estado fosse «acumulado com quaisquer pensões de reforma ou de sobrevivência» públicas que viesse a receber.
Sem hesitar, o visado promulgou-o, impedindo-se de auferir a aposentação de militar para a qual descontara durante toda a carreira.

O desconforto de tamanha injustiça levou-o, mais tarde, a entregar o caso aos tribunais que, há pouco, se pronunciaram a seu favor.
Como consequência, foram-lhe disponibilizadas as importâncias não pagas durante catorze anos, com retroactivos, num total de um milhão e trezentos mil euros.

Sem de novo hesitar, o beneficiado decidiu, porém, prescindir do benefício, que o não era pois tratava-se do cumprimento de direitos escamoteados - e não aceitou o dinheiro.

Num país dobrado à pedincha, ao suborno, à corrupção, ao embuste, à traficância, à ganância, Ramalho Eanes ergueu-se e, altivo, desferiu uma esplendorosa bofetada de luva branca no videirismo, no arranjismo que o imergem, nos imergem por todos os lados.

As pessoas de bem logo o olharam empolgadas: o seu gesto era-lhes uma luz de conforto, de ânimo em altura de extrema pungência cívica, de dolorosíssimo abandono social.

Antes dele só Natália Correia havia tido comportamento afim, quando se negou a subscrever um pedido de pensão por mérito intelectual que a secretaria da Cultura (sob a responsabilidade de Pedro Santana Lopes) acordara, ante a difícil situação económica da escritora, atribuir-lhe.
«Não, não peço. Se o Estado português entender que a mereço», justificar-se -ia, «agradeço-a e aceito-a. Mas pedi-la, não. Nunca!»

O silêncio caído sobre o gesto de Eanes (deveria, pelo seu simbolismo, ter aberto telejornais e primeiras páginas de periódicos) explica-se pela nossa recalcada má consciência que não suporta, de tão hipócrita, o espelho de semelhantes comportamentos.

“A política tem de ser feita respeitando uma moral, a moral da responsabilidade e, se possível, a moral da convicção”, dirá. Torna-se indispensável “preservar alguns dos valores de outrora, das utopias de outrora”.

Quem o conhece não se surpreende com a sua decisão, pois as questões da honra, da integridade, foram-lhe sempre inamovíveis. Por elas, solitário e inteiro, se empenha, se joga, se acrescenta - acrescentando os outros.

“Senti a marginalização e tentei viver”, confidenciará, “fora dela. Reagi como tímido, liderando”.

O acto do antigo Presidente («cujo carácter e probidade sobrelevam a calamidade moral que por aí se tornou comum», como escreveu numa das suas notáveis crónicas Baptista-Bastos) ganha repercussões salvíficas da nossa corrompida, pervertida ética.

Com a sua atitude, Eanes (que recusara já o bastão de Marechal) preservou um nível de dignidade decisivo para continuarmos a respeitar-nos, a acreditar-nos condição imprescindível ao futuro dos que persistem em ser decentes.

Fernando Da costa
TempoLivre

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

È FARTAR VILANAGEM !


Multas ou depósitos a prazo?

A inclusão das multas aplicadas a partidos e seus dirigentes nas despesas é uma medida imoral.

Para que serve uma multa?

Teoricamente, para desincentivar o acto que lhe deu origem, seja uma infracção ao Código da Estrada ou a obrigatoriedade de documentar receitas e despesas, o que sucede com frequência aos partidos políticos.


Pois é precisamente no caso destes que a nova lei que regula o financiamento partidário vem abrir uma brecha no real intuito de multar

Seja o próprio partido ou um dos seus dirigentes a ser multado por desrespeito às normas que regem as contas partidárias, em particular as eleitorais (onde se verificam sempre infracções), a multa pode ser considerada uma despesa corrente.

Ora, como é baseado nas despesas correntes de cada partido que o Estado decide depois a subvenção que irá atribuir-lhe, o partido infractor acaba por receber mais tarde, integrado na subvenção, o valor da multa com que pretendiam penalizá-lo.

O princípio, que não admira tenha sido aceite tacitamente pelos maiores partidos (PS e PSD), é indecoroso.

Ao nível do vulgar cidadão, um infractor não tem como compensar a multa a que foi condenado, por tribunais ou pela polícia. Os partidos, pelo contrário, transformam a multa em “investimento”: pagam-na agora, mas recebem-na depois.

Se outras multas aplicadas a dirigentes partidários passarem também a ser incluídas nas despesas correntes, seja por mau estacionamento ou por qualquer acto indevido e punível, então todas elas passarão a ser pagas pelo Estado, ou seja, por todos os contribuintes, deixando incólumes os infractores.

Não há princípio que justifique tal “isenção” de pena, que é o que na prática significa tal medida. Neste capítulo, é obrigatório pedir responsabilidades.

Público • Segunda-feira 27 Dezembro

Pai natal paga multas

Multas aplicadas a dirigentes dos partidos serão pagas pelo Estado

Com a nova lei do financiamento as multas são acrescentadas às despesas partidárias, subsidiadas pelo Estado. Assim, o dinheiro regressa aos partidos a O PCP estava à espera de pagar uma multa de três mil euros, mas o Tribunal Constitucional exigiu-lhe 30 mil, porque os juízes entendiam que cada um dos dirigentes do secretariado devia ser responsabilizado. Com as novas regras da lei do financiamento partidário, isto deixa de ser relevante.

Agora as multas, até mesmo as aplicadas aos dirigentes, passam a ser acrescentadas às despesas do partido, despesas essas que são subsidiadas pelo Estado. E, assim, o dinheiro pago em coimas regressa aos cofres partidários mais tarde, sob a forma de subvenção.
...
Segunda-feira, 27 de Dezembro
www.publico.pt

sábado, 25 de dezembro de 2010

Filhos de mães virgens


A Mitologia do Natal

Estando noiva de José, e antes ainda de com ele ter coabitado, Maria apareceu grávida por acção do Espírito Santo.

Quando José se preparava para a repudiar, apareceu-lhe em sonhos um "anjo do Senhor" que lhe ordenou que recebesse Maria em sua casa e que aceitasse o filho que ela carregava como obra do Espírito Santo.
Quando a criança nasceu, e tal como o anjo lhe havia ordenado, pôs-lhe o nome de Jesus.

Todas as culturas antigas, sem excepção, tinham um horror profundo e visceral à esterilidade. O que é absolutamente compreensível, face à óbvia conexão entre a própria sobrevivência da tribo ou de uma determinada sociedade e o seu fortalecimento face aos povos vizinhos e rivais, por exemplo, em disputas territoriais.

Não é, por isso, de estranhar que desde a sua origem todos os cultos religiosos revelem nas suas mitologias e iconografias não só esse temor, como muito principalmente uma óbvia preocupação pela fecundidade.

De tal forma que nas mais remotas manifestações de religiosidade o lugar de Deus foi ocupado por uma mulher.

Só muito mais tarde a mulher foi relegada para um papel de mãe, esposa ou amante do Deus, sempre com a responsabilidade da renovação e da reprodução, mas também obviamente virgem, como convém a toda a terra que vai receber uma nova semente e de quem se espera a máxima fecundidade.

Por isso, também, só de uma divindade é possível esperar o dom da fecundidade, principalmente quando se trata de uma mulher estéril que acaba por dar à luz, um milagre que obviamente só está ao alcance de Deus.

Ao mesmo tempo, constitui prova inequívoca da proximidade de um homem a Deus o facto de ter nascido do milagre da concepção de uma mulher virgem.

Assim, vemos que essa associação entre uma concepção milagrosa e a deificação do filho nascido de um fenómeno que só está ao alcance de Deus (sempre após uma história mais ou menos fantasiosa de uma «anunciação» feita por um anjo ou qualquer outra entidade celestial, seja ao vivo ou em sonhos), é afinal perfeitamente vulgar e recorrente em todos os cultos religiosos da antiguidade e, curiosamente, nas mais distantes regiões do planeta.

Aparecem então como filhos de mães virgens tanto Deuses como grandes personagens, como os imperadores Chin-Nung, da China, ou Sotoktais do Japão, ou como os Deuses Stanta, na Irlanda, Quetzalcoatl do México, Vixnu da Índia, Apolónio de Tiana da Grécia, Zaratustra da Pérsia, Thot do Egipto, ou como Buda, Krishna, Confúcio, Lao Tsé, etc., etc.

O mito vai mesmo ao ponto de Gengis Cã ter um belo dia determinado que também ele era filho de uma mulher virgem, para se deificar aos olhos do seu povo e dos povos que ia conquistando, e para se fazer obedecer e respeitar cegamente como um Deus pelas suas tropas.

Entre os mais famosos homens filhos de mulheres virgens está, como é sabido, Jesus Cristo.

É também muito curiosa a mitologia comum relacionada com o nascimento destas personagens deificadas pelo seu nascimento de mulheres virgens, como sejam a existência de estrelas ou sinais celestes que os anunciam ou comemoram: uma milagrosa luz celeste anunciou a concepção de Buda, um meteoro o nascimento de Krishna, uma estrela o nascimento de Hórus e uma «estrela no Oriente» o nascimento de Jesus Cristo, embora somente o evangelho de Mateus se lhe refira, sendo pacificamente aceite que não mais do que para corporizar ou fazer concretizar (quase um século depois da morte de Jesus Cristo) profecias messiânicas do Antigo Testamento.

Ao mesmo tempo, é também absolutamente natural que faça parte dos cultos de fecundidade a adoração de Deuses relacionados com o ciclo solar e com a renovação anual das estações do ano e, com estas, as colheitas ou a produção de gado, com especial incidência e manifestação em festas, mitos, cerimónias e ritos religiosos comemorativos, realizados normalmente nos Solstícios, preferencialmente no Solstício de Inverno.

A corporização mais comum destes Deuses de renovação e de fecundidade é feita em relação ao Sol, símbolo perfeito da sucessão regular e infalível dos dias e das estações do ano, quer seja adorado como um Deus em si, e em praticamente todas as civilizações conhecidas, das Américas Central e do Sul, ao Egipto, passando pela Suméria ou Mesopotâmia, quer também através de outros Deuses «solares», como o Deus-faraó egípcio Amenófis IV, que reinstalou o culto de Áton (Sol) e mudou mesmo o seu nome para Aquenáton, ou como Deuses que resultam da antropomorfização do Sol, como os Deuses Hórus, Mazda, Mitra, Adónis, Dionísio, Krishna, etc.

Destes Deuses, um merece especial referência: Mitra.
Mitra é um dos principais Deuses iranianos (anteriores a Zaratustra), simbolizado com uma cabeça de Leão (representação típica dos Deuses solares) e conhecem-se manifestações do seu culto já com mais de mil anos antes do nascimento de Cristo.
Mais tarde os romanos adoptaram o seu culto e incluíram-no mesmo no seu panteão.

Enquanto divindade, as funções de Mitra eram carregar com a iniquidade e os males da Humanidade e expiar os pecados dos homens.
Mitra era também visto como meio de distinção entre o bem (Ormuzd) e o mal (Ahriman), como fonte de luz e sabedoria e estava ainda encarregue de manter a harmonia no mundo e de proteger todos os homens.

A mitologia do Deus Mitra tinha-o como um «enviado», ou um Messias, que voltaria ao mundo para julgar toda a humanidade.

Sem ser o Sol propriamente dito, Mitra era tido como seu representante, sendo invocado como o próprio Sol nas cerimónias do seu culto, onde era tido como espiritualmente presente no interior de uma custódia, por isso colocada em lugar de especial destaque.

Todos os Deuses solares depois de expiarem os pecados dos homens acabam por morrer de morte violenta, acabando depois por ressuscitar ao fim de três dias e de ascender aos Céus ou ao Paraíso.

Hórus morre em luta com o mal, corporizado no seu irmão Seth (identificado com Satanás), que o coloca num túmulo escavado numa rocha, ressuscitando ao fim de três dias para subir ao Paraíso.

O Deus hindu Xiva sacrifica-se pela humanidade, e morre ao ingerir uma bebida corrosiva que causaria a destruição e a morte de todo o mundo, acabando também por ressuscitar ao fim de três dias.

O Deus Baco foi também assassinado, tendo ressuscitado três dias depois, através dos seus pedaços recolhidos por sua mãe.

O mesmo acontecia aos Deuses Ausónio, Adónis ou Átis, que morriam para salvar os homens ou expiar os seus pecados e acabavam por ressuscitar ao fim de três dias.E todos eles a 25 de Dezembro.

Uma vez mais, um dos mais famosos «ressuscitados» é Jesus Cristo, embora este tenha ressuscitado em metade do tempo dos restantes Deuses, talvez somente um dia e meio depois, embora a sua mitologia continue a mencionar os três dias.

Ou seja: a figura de Jesus Cristo, e toda a religião e mitologia cristã, foram construídos com base num modelo pagão dos deuses solares que então se conheciam.

A própria escolha da data de 25 de Dezembro para comemoração do nascimento de Jesus Cristo é disso um inequívoco exemplo.

Aliás, esse dia 25 de Dezembro (o dia das festividades dos Deuses Mitra, Baal e Baco) só foi adoptado pela Igreja Católica já no século IV, por decisão do Papa Libério, com o óbvio objectivo de “cristianizar” os cultos solares, então ainda muito populares e difundidos e de os fazer confundir e “absorver” pelos próprios ritos cristãos, dada até a proximidade com a data do Solstício de Inverno – data da “morte” do Sol no horizonte – e a data em que o Sol “ressuscita” e se eleva novamente horizonte três dias depois, exactamente no dia 25 de Dezembro.

Merece especial referência o facto de todos esses Deuses solares serem representados fisicamente com a cabeça rodeada de um disco ou uma auréola amarela, como ainda hoje acontece com os Deuses e até com os santos católicos.

Aliás os próprios imperadores romanos que governaram no auge do culto destes deuses solares faziam-se representar devidamente aureolados, por exemplo nas moedas que mandavam cunhar.

O imperador Constantino, a quem se deve a criação da Igreja Católica Apostólica Romana (e que nunca se converteu ao cristianismo, antes o tendo adoptado como religião oficial do império, sem nunca proibir as restantes, para melhor o unificar), mandava realizar regularmente sacrifícios em honra do Sol e as moedas que mandou cunhar continham a inscrição «Soli Invicto Comiti, Augusti Nostri».

Não obstante a oficialização do cristianismo no seu império, Constantino manteve a obrigatoriedade de as suas tropas rezarem e prestarem culto ao Deus Sol todos os Domingos, isto é, «O Dia do Sol».

Também neste dia do Sol se pode ver a óbvia influência destes cultos na formação dos ritos católicos, com a mudança do «Sétimo Dia» ou «Dia do Senhor» bíblico do Sábado para o Domingo, uma vez mais com o objectivo de fazer “absorver” as festividades e os ritos solares, nem que para isso se tenha tido de “aldrabar” a própria redacção de um dos mandamentos trazidos por Moisés do cimo da montanha.

Como se não bastasse a óbvia coincidência ritualística dos cultos solares com os cultos cristãos, como a morte violenta e ressurreição três dias depois, da presença física do Deus na custódia, no nascimento de uma mulher virgem, do «Dia do Senhor» como «Dia do Sol» (Sunday, em inglês), da auréola solar a coroar as divindades, da designação e da forma radiada do chapéu dos bispos católicos, ou «mitra», é precisamente com este Deus Mitra que se dá o mais curioso aproveitamento dos ritos e cultos solares por parte da Igreja Católica.

De facto, segundo a sua mitologia, muito popular por volta de 1.000 a.C., Mitra nasceu de uma virgem; nasceu no dia 25 de Dezembro; nasceu numa cova ou numa gruta; foi adorado por pastores; foi adorado por três magos ou sábios 12 dias depois do seu nascimento, a 6 de Janeiro, que interpretaram o aparecimento de uma estrela no céu como anúncio do seu nascimento, pregou incansavelmente entre os homens a sua mensagem de bem por oposição ao mal; fez milagres para gáudio dos que o seguiam; foi perseguido; foi morto; ressuscitou ao terceiro dia; o rito central do seu culto passava pela distribuição de pão e vinho entre os iniciados presentes, numa forma de eucaristia de composição e fórmula em tudo idênticas à que a Igreja Católica viria a adoptar.

Já na mitologia de Hórus, que teve o seu auge cerca de 2.000 aC., se passa exactamente mesma coisa. Hórus é filho de Osiris e de Isis, a sua mãe virgem que engravidou de um espírito com a forma de um falcão, com a curiosidade ainda de ter um pai terreno com a profissão de carpinteiro.

Também foi traído, torturado e morto, ressuscitando ao terceiro dia, o mesmo dia 25 de Dezembro.

Em suma:
Independentemente da bebedeira consumista que se apodera das pessoas, o que actualmente se comemora como o nascimento de Deus, na forma de «Deus Filho», ou de «Menino Jesus» (como se sabe, um dos Deuses da Mitologia cristã), não é mais do que a apropriação de um culto pagão, de um «Deus Solar», como tantos houve durante a História dos Homens.

Para um católico, dir-me-ão, este aproveitamento ritualístico será irrelevante, na medida em que o seu significado mítico ou simbólico, qualquer que seja a forma ou a data em que se realiza, continuará sempre a ser (actualmente) o nascimento de Jesus Cristo, como referi um dos (muitos) Deuses da mitologia cristã.

É certo.
Mas é também certo que esta apropriação existiu de facto, e o seu significado como fenómeno antropológico não pode ser ignorado.
Como também não pode ser ignorado, ainda assim, o manifesto significado simbólico, mítico e até místico dessa mesma apropriação.

Até por que uma coisa mais terá de ser realçada, essa sim, talvez a que contenha uma maior valoração simbólica deste aproveitamento e apropriação ritualísticos:
- É que, como não podia deixar de ser, toda esta transformação e apropriação foram feitas sob a égide de um Papa, mais exactamente do Papa Libério (352-366) e sob a força legislativa e fortemente repressiva do Imperador Constâncio II que, com mão de ferro e com uma ferocidade inaudita e que ficou na História, as impôs pela força das armas.

E assim, uma vez mais, vemos que também o ritualismo desta nova mitologia cristã, mesmo esta que se refere ao próprio nascimento do seu Deus, deste «Menino Jesus» deitado nas palhinhas, uma vez mais teve de ser impiedosamente imposta aos Homens pela força.

Obviamente depois do conveniente e costumeiro... banho de sangue...

# posted by Luis Grave Rodrigues
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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Rei Sol

SOLSTÍCIO de INVERNO...



"Templo" do Sol [Pedra da Cabeleira] - Chãs - V. N Foz Coa

O solstício de Inverno assinala a noite mais longa do ano. A longa escuridão e o recalcitrante frio. Apesar disso, o solstício é um apogeu. O início de dias mais longos e a crescente imposição da luz… até ao solstício de Verão.

Esta época gélida e de escuridão sempre inquietou os homens. Desde a Antiguidade que simbolizou a união entre a Terra [feminino] e o Sol [masculino]. União que representa o ritual do renascimento. Do que quisermos: do Homem, da Natureza, do Universo.

Destas mutações astronómicas os pagãos fizeram nascer entidades mitológicas: Atis, Dionísio, Osíris, … .

Comemoravam esta época como um tempo de fertilidade que, por exemplo, no Egipto Antigo, aproveitavam para tratar das sementes e celebravam todos os anos, o nascimento de Horus, filho da virgem Ísis, e sua imagem era exposta à adoração do povo.

As civilizações pré-colombianas do continente americano relacionavam-no com novos ciclos astrológicos que influenciavam o Mundo.

No início da actual era [cristã], em Roma continuavam-se a celebrar grandes festas para comemorar o solstício de Inverno. Até que, no século IV, a Roma imperial decidiu alterar as comemorações.

O nascimento do Sol foi substituído pela natividade cristã. Constantino I abandonou o culto de Hércules e do Sol Imperial para professar o cristianismo, convencido que teria vencido a batalha de Ponte Mílvia [disputava-se a parte ocidental do Império] sob a protecção divina.

A igreja cristã sentada no trono de Constantino plagiou a imortalidade do Egipto antigo: colocou Horus [Jesus] do colo de Ísis [Maria] - progenitoras por coincidência “virgens”… .

Não é, portanto, o catolicismo que impõe o Natal ao solstício de Inverno, mas sim o poderio imperial. Ao que julgo nenhum texto bíblico refere o Natal.

E deste modo, no Mundo ocidental, adulteraram-se as ancestrais comemorações, usurpou-se a dimensão pagã do solstício visceralmente ligada à Terra, aos fenómenos naturais, aos astros, à Sombra, à Luz.

Todavia, o Inverno permanece indiferente a estes históricos conluios entre cristãos e o império romano.

No passado dia 21 a Terra e o Sol entraram, mais uma vez, em solstício.
Festejemos, com alegria, o novo solstício de Inverno.

posted by e-pá!
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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

A bolsa ou...


Hoje não! Doi-me a cabeça.

Uma espécie de ordem

Anestesiados



A sociedade portuguesa está anestesiada e as notícias sobre a redução das indemnizações em despedimentos mostram-nos uma esquerda cínica e sem futuro. Este País não é para novos e amanhã nem será para velhos.

Os trabalhadores servem uma empresa durante anos e, mal começam a ter cabelos brancos, passam à categoria de dispensáveis. São caros em comparação aos mais jovens, têm contratos inflexíveis e descontam para a segurança social. A sua vida familiar e as preocupações com filhos fazem-nos resistir à ideia de jornadas de trabalho demasiado longas.

A Economist da semana passada tinha um gráfico interessante sobre as exportações de alguns países em crise na Europa. Curiosamente, Portugal era o mais exposto à concorrência com a China, o que significa que muitas empresas tentam ser competitivas através dos salários baixos e do dumping social. Nós sabemos que há dois patamares de emprego, o dos precários e o dos fixos, com grandes injustiças salariais e uma geração mais nova forçada a ficar pouco tempo em cada emprego ou a aceitar condições miseráveis e temporárias. Apesar de terem mais formação, estes trabalhadores não chegam a ganhar experiência. Muitos vivem do desenrascanço. Outros 300 mil nem estudam nem trabalham.

Para flexibilizar o mercado laboral, o Governo aderiu à ideia da reduzir as indemnizações, tornando assim barato o despedimento dos trabalhadores mais antigos. O preço alto das indemnizações impedia esses despedimentos.

A meu ver, estamos no domínio da engenharia social. Isto só podia ser feito com pleno emprego e não com uma taxa de desemprego de 11%. Compreendo o argumento económico (há flexíveis e fixos, o que é injusto) mas a questão está no efeito da medida. O que fazer com os milhares de trabalhadores que serão despedidos por que isso se tornou subitamente conveniente e acessível para a sua empresa? Num contexto de concorrência chinesa, são redundantes. Num País onde o patronato não tem consciência social, ficam de repente vulneráveis.

Estas pessoas não terão idade para emigrar ou para reconversão laboral (ao contrário dos jovens), não têm descontos suficientes para a reforma e não terão trabalho, excepto eventualmente biscates precários para alguns deles. A solução para o problema de termos uma geração sem perspectivas será criar duas gerações sem perspectivas. Os jovens já são pobres e assim ficam, os velhos para lá caminham.

Tudo isto será feito em nome da crise financeira (porque os contribuintes precisam de ressarcir os banqueiros das suas lamentáveis perdas), por um Governo em pânico, dito socialista e de esquerda, com o ámen de sindicatos em vias de extinção e que têm os mesmos dirigentes desde que me lembro.

por Luís Naves
http://albergueespanhol.blogs.sapo.pt/

Sem papas na lingua


Eurodeputada Ana Gomes
denuncia violação de ‘emails’ sobre submarinos

Eurodeputada do PS diz que negócio com alemães está “eivado de fraudes”.

Ana Gomes vai apresentar uma queixa na Procuradoria-Geral da República sobre os ataques que, segundo a eurodeputada do PS, a sua conta de correio electrónico do Parlamento Europeu tem sofrido e sobre desaparecimento de documentos relacionados com a compra dos submarinos pelo Estado português ao consórcio alemão "German Submarine Consortium".

A eurodeputada fez a denúncia, ontem, numa conferência de imprensa onde anunciou que vai apresentar uma queixa individual à Comissão Europeia por incumprimento da lei comunitária na compra dos dois submarinos.

"Eu assumo a responsabilidade por ela e não quero partilhá-la com mais ninguém, até porque sei que é uma responsabilidade que comporta riscos", afirmou, mencionando que "nos últimos dias" o seu ‘email' do Parlamento Europeu "tem sido violado e toda a correspondência com assistentes", no âmbito da queixa que apresentou, "desapareceu".

Além da queixa à Procuradoria-Geral da República, a eurodeputada socialista adiantou já ter alertado os serviços informáticos do Parlamento Europeu.

A eurodeputada Ana Gomes está a investigar o processo de compra dos submarinos à Alemanha e garantiu, ontem, que o negócio foi "altamente lesivo" para o Estado português e está "eivado de fraudes", notando que existem documentos desaparecidos e cláusulas contratuais "absolutamente desastrosas", sobretudo no que respeita às contrapartidas estabelecidas no negócio.

http://economico.sapo.pt

Eleição Presidencial

PRESIDENTE DA REPÚBLICA

LEI ELEITORAL

Texto integral Decreto-Lei 319-A/76 - 3 Maio

www.cne.pt/dl/legis_lepr_2005.pdf

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Vasco Amigo...


Informações sobre eleições para PR




Cara(o)s amiga(o)s
Gostaria de chamar a vossa atenção para o problema do voto em branco, nas eleições presidenciais.

Isto, porque para além de continuarem a correr e-mails defendendo o voto em branco, como acto de protesto, começam a correr boatos especulativos, que chegam ao ponto de pretenderem fazer crer que, nas presidenciais, se deve votar nulo em vez de em branco, pois o nulo é que conta!...

Em minha opinião, está-se a tentar explorar o facto de, nestas eleições, o voto em branco ter exactamente o mesmo valor que o voto nulo, isto é zero!
De facto, nas presidenciais, o voto em branco não é considerado validamente expresso (como pode ver em www.cne.pt/dl/legis_lepr_2005.pdf)!

Já nas eleições presidenciais de há cinco anos, teria havido uma segunda volta se o voto em branco fosse considerado validamente expresso (Cavaco Silva = 2.773.431 votos; Manuel Alegre + Mário Soares + Jerónimo de Sousa + Francisco Louça + Garcia Pereira + brancos = 2.773.552 votos).

Quem não quiser votar em nenhum dos candidatos, mas quiser contribuir para uma segunda volta das eleições presidenciais, não pode votar em branco (estará a anular o voto), não pode anular o voto, pois isso terá o mesmo efeito da abstenção. Quem quiser, acima de tudo, forçar a uma segunda volta, terá de votar num dos candidatos que não se perfilarem como hipotéticos vencedores, à primeira volta.

Mesmo que não tenha muita vontade de o fazer, terá de votar num candidato, seja ele qual for, desde que não seja o que aspira a ser eleito à primeira volta...

Só assim, o seu voto poderá contribuir para que não haja 50 por cento mais um dos votos validamente expressos, na primeira volta!
Se quer contribuir, não hesite!

Divulgue esta informação e vote válido!

Cordiais saudações
Vasco Lourenço


P.S. : Já contactámos a Comissão Nacional de Eleições, mas ainda não recebemos quaisquer informações, nem detectámos qualquer campanha informativa sobre o assunto.

posted by Carlos Esperança
http://ponteeuropa.blogspot.com/

Chà a mais

Chá sem ser de chá

É das coisas mais tristes – para nós, portugueses,
que ensinámos os ingleses a beber chá, quando
a pobre Catarina de Bragança casou com o sacana
do Carlos II da Inglaterra – que chamemos
chá a infusões de plantas que nada têm a ver
com a planta do chá.

Dizer “chá de tília” ou “chá de camomila” é como dizer
“café de nêsperas” ou “café de malmequeres”. Ou “tabaco
de camélias”. Fica-nos mal. O que resta da classe trabalhadora
inglesa ainda chama a uma caneca de chá com leite
uma cuppa cha. Os indianos, que tantos bons chás têm,
chamam chai ao chá com leite com muito açúcar que gostam
de beber. Até os japoneses chamam cha ao chá.

Não sei onde os portugueses foram buscar a palavra
chá. Só sei que, entre os candidatos possíveis – da Índia
e do Ceilão até à China e ao Japão –, nenhum deles usa o
nome das deliciosas e infi nitamente variáveis de plantas
e folhas do chá para falar de inferioríssimas tisanas com
outras plantas que reagem à água quente.

A semana passada, numa boa mercearia aonde fui para
comprar chá, dei com uma longa prateleira de caixinhas
auto-intituladas de chás (de hortelã-pimenta ao diabo-asete)
onde não havia nem sequer uma caixinha de chá.
Nem Lipton’s. Nem sequer em saquinhos.

Partilhei a minha exasperação com o patrão – e ele, como
filósofo sempre curioso que é, respondeu: “É verdade.
Anda tudo trocado.” E riu-se, com generosidade, encolhendo
e repetindo “Há chá de tudo menos de chá...”
Porque é que será?

Miguel Esteves Cardoso
Publico 20/12/2010

Patxi Andion

Hoje acordei assim


sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Madeira

Comentàrios:

Filipe Mendes , | 17/12/10 10:27

Venda-se a Madeira........Será que não haverá um banco mundial que aceite fazer um credito à república que nós entregava-mos a Madeira como penhor? ou será que nem para isso serve?........... poderá ajudar a ultrapassar a crise.........

http://economico.sapo.pt/noticias/pode-falar-de-socrates-como-meu-amigo_106966.html

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Playing For Change

Quando salir de Cuba...


A dissidência permanece sem assento...

Guillermo Fariñas, um conhecido activista e dissidente do regime castrista [acumula já 11 anos de prisão], foi galardoado pelo Parlamento Europeu com o Prémio Sakharov para a Liberdade de Expressão.
O regime cubano não permitiu a sua deslocação a Estrasburgo para receber o prémio.

Mais uma vez uma cerimónia para a entrega de prémios conta com uma "cadeira vazia"...

Jerzy Buzek, presidente do PE, afirmou: "Mesmo que activistas como Guillermo Fariñas sejam perseguidos e encarcerados, a sua voz não pode ser silenciada. O papel do Parlamento Europeu é amplificar a sua voz".

Assim seja!

posted by e-pá!
http://ponteeuropa.blogspot.com/
Link do discurso de Fariñas enviado ao Parlamento Europeu

Pinòquios


Aceitar voos era difícil por causa dos media e dos “esquerdistas” dentro do PS

El País divulgou os telegramas que confirmam que o Governo deu luz verde à passagem de prisioneiros que saíam da base de Guantánamo a O primeiro-ministro e o ministro
dos Negócios Estrangeiros (MNE) autorizaram que o território nacional fosse sobrevoado por aviões norteamericanos com prisioneiros repatriados da prisão de Guantánamo, e a utilização da base aérea dos Açores nestas operações, publicou o El País ontem à noite, na sua edição online.

O diário espanhol cita diversos telegramasdiplomáticos enviados pela embaixada dos Estados Unidos em Lisboa ao Departamento do Estado, que constam dos 251 mil documentos recolhidos pela WikiLeaks, sublinhando que esta autorização nunca foi publicamente reconhecida pelas autoridades portuguesas.

“Sócrates aceitou permitir o repatriamento de combatentes inimigos de Guantánamo através da base das Lajes”, escreve em telegrama de 7 de Setembro de 2007 o chefe da representação diplomática dos EUA em Lisboa, Alfred Hoffman. “Foi uma decisão
difícil devido às críticas constantes dosmeios de comunicação portugueses e
de elementos esquerdistas do seu próprio partido à actuação do Governo na controvérsia dos voos da CIA”, diz.

Esta nota, enviada dez dias antes de uma reunião de George W. Bush com José Sócrates, refere que a autorização nunca foi tornada pública.

Alguns meses depois, questionado no Parlamento por Francisco Louçã sobre se o Governo autorizara ou tivera conhecimento “de qualquer transporte de prisioneiros da CIA por território português para o gulag de Guantánamo”, assegurou: “Consultei
todos os membros do Governo com responsabilidades neste domínio e devo dizer que o Governo nunca foi consultado sobre essa possibilidade nem nunca autorizou [o sobrevoo
do espaço aéreo ou a aterragem na base das Lajes de aviões destinados ao transporte ou transferência de prisioneiros].

Posso responder-lhe em nome deste Governo que nunca aconteceu termos sido consultados e termos autorizado. Estes dois actos nunca existiram.”

11 de Setembro de 2007

Noutro telegrama, enviado em 11 de Setembro de 2007, o embaixador refere a posição de Luís Amado. Hoffman assinala que Amado autorizou o repatriamento através das Lajes sob a mesma premissa, “caso a caso em determinadas circunstâncias”.

Já em Setembro de 2006 o embaixador relatara uma reunião com o chefe da diplomacia portuguesa sobre os voos de repatriamento, na qual o ministro se compromete a fazer todos os esforços para conseguir uma cooperação de Portugal, desde que haja transparência total da parte norte-americana.

“Se não o fazemos bem pode ser um tremendo fracasso”, escreve Hoff man, citando uma frase de Amado. Citando um outro telegrama, o El País escreve que o ministro admitiu que “os alegados voos da CIA poderão ter sobrevoado Portugal, mas acrescentou que o
seu Governo não tem que se envergonhar de nada”.

No passado dia 7, o MNE, ouvido no Parlamento, assumiu que foram feitas “diligências” por parte dos EUA, distinguindo “voos da CIA” e voos de repatriamento. No entanto, fez ques- tão de garantir que, “se tivesse havido
operação [de repatriamento] ela teria sido pública, para fi car sob escrutínio
público.”

Ao PÚBLICO, a assessora de imprensa do MNE, Paula Mascarenhas, remeteu para as declarações de Amado. “Não houve nada que o Estado português tenha tido conhecimento”, disse.

O assessor de Sócrates Já em Janeiro de 2007, o embaixador escrevia para Washington dando conta de um outro dado relevante: o assessor diplomático de Sócrates, Jorge
Roza de Oliveira, tinha assumido que alguns voos da CIA sobrevoaram Portugal, o que “constitui o primeiro reconhecimento que nos foi feito até agora por um funcionário do Governo português”, escreve o El País.

Ao PÚBLICO, Roza de Oliveira, que já não desempenha aquelas funções, negou em absoluto que o tenha feito: “Não posso ter dito isso, porque nunca tive qualquer conhecimento, pessoal ou impessoal, sobre esse assunto. Como assessor diplomático do primeiro-ministro, não tinha mais conhecimento do que um jornalista e não ouvi mais
que conversas de corredor”, afirma.

Entretanto, o Bloco de Esquerda enviou um requerimento ao primeiroministro, questionando-o sobre se o seu gabinete “teve conhecimento de voos, provenientes de Guantánamo, que tenham atravessado o espaço aéreo nacional ou utilizado instalações
aeronáuticas”. Os bloquistas querem ainda saber, em caso afirmativo, quais os voos, quando se realizaram, quem eram os passageiros e qual o destino.

Riad e Cabul foram destino da maioria dos voos

Os primeiros presos da “guerra ao terrorismo” começaram a chegar a Guantánamo em Janeiro de 2002.

A Casa Branca nunca quis dar informações sobre o número de presos ou as suas nacionalidades, mas aos poucos foi obrigada pela justiça a fornecer listas aos
media e sabe-se que pela prisão na ilha de Cuba passaram 779 suspeitos, a maioria capturados no Afeganistão e no Paquistão.

Quase todos aterraram em Guantánamo em 2002, mas pequenos grupos continuaram a
chegar até à transferência dos 14 suspeitos de envolvimento no 11 de Setembro, que para ali foram a 6 de Setembro de 2006, vindos de prisões secretas geridas pela CIA.

Este foi o último grupo; a partir daí as chegadas à base naval foram muito pontuais, num total de cinco.

As primeiras saídas de presos confirmadas aconteceram em Maio de 2003, quando os EUA
anunciaram a libertação de um e a transferência de quatro detidos para a Arábia Saudita.

A partir daí, as libertações ou transferências de suspeitos que permaneceram presos nos países de origem continuaram a um ritmo mensal e em Setembro de 2007 já tinham deixado a prisão centenas.

Nesse mês sairam 15homens: seis para a Arábia Saudita, outros seis para o Afeganistão, um para o Iémen, um para a Mauritânia e um para a Líbia, todos países que não oferecem garantias de não torturarem ou condenarem à morte.

Nas discussões sobre a passagem por Portugal de voos de repatriamento, o Governo exigiu que os repatriados fossem livres e, ao mesmo tempo, que viajassem para países que não torturam nem condenam à morte.

Os voos de repatriamento continuaram a deixar Guantánamo, tendo por destinos
principais para além do Afeganistão e da Arábia Saudita, a Argélia, o Sudão e Marrocos.

Em Janeiro de 2009, quando Barack Obama tomou posse como Presidente dos EUA e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, renovou a oferta de Portugal para receber detidos já inocentados, estavam em Guantánamo 240 homens. Cerca de 60 saíram entretanto. S.L.


Público • Quinta-feira 16 Dezembro 2010

A Caruma

50 quecas



I. O Conselho de Ministros, reunido hoje na Presidência do Conselho de Ministros, aprovou os seguintes diplomas:

1. Resolução do Conselho de Ministros que aprova a Iniciativa para a Competitividade e o Emprego

Esta Resolução aprova a Iniciativa para a Competitividade e o Emprego, composta por 50 medidas... (bla bla bla)...

http://www.governo.gov.pt/pt/GC18/Governo/ConselhoMinistros/ComunicadosCM/Pages/20101215.aspx

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

FDP

Filhos da puta! Miseráveis de merda!

Perante as gargalhas da assistência, a mulher pede clemência: "Já chega! Já chega!"

Ana Matos Pires
http://jugular.blogs.sapo.pt/

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

44 hectares

Vaticano é antiquado, provinciano e… reaccionário


Enquanto no ateísmo não há um líder com o qual os ateus se identifiquem e dogmas que sejam para cumprir, tornando cada ateu responsável pelos seus actos e opções de vida, no catolicismo há um poder central onde o bispo de Roma exerce a autoridade de forma despótica e totalitária.(foto sem montagem)


Um ateu não deve obediência a ninguém enquanto um católico deve respeitar e amar o seu Papa por mais vergonhosos que sejam os seus actos ou pusilânime o seu carácter.

O Papa é santo por profissão e celibatário por devoção. É respeitado pelos católicos em tudo o que diga e faça por mais contraditório e lamentável que seja o seu pensamento. A história do papado é um catálogo de horrores ocultos e de decisões condenáveis.

O Vaticano é a herança dos acordos de Latrão assinados com Mussolini, o líder fascista que tornou obrigatório o ensino da religião católica nas escolas públicas de Itália e que o Papa de turno designou como enviado da Providência. Esse bairro de 44 hectares está ao serviço de uma rede eclesiástica que influencia decisões políticas em todo o mundo.

O Vaticano não está acima das suspeitas e críticas que, de todo o lado, lhe são dirigidas. Os escândalos financeiros em que se envolve costumam parar na imunidade de que goza esse Estado dissimulado. É um offshore para a lavagem de dinheiro e para a protecção de prevaricadores. O arcebispo Marcinkus nunca foi preso porque João Paulo II foi seu protector e negou a extradição pedida pelas autoridades italianas.

O Opus Dei, uma seita reaccionária e poderosa, esteve comprometida nos escândalos Rumasa, Matesa e Banco Ambrosiano, sem falar das relações privilegiadas com o BCP Milenium, em Portugal. É a única prelatura pessoal do papa.

Os Legionários de Cristo, outra seita poderosa que ajeitava a canonização do fundador, viu as pretensões goradas por inúmeros processos de pedofilia que ocultou e acabou por desistir quando ao padre Maciel, falecido com odor a santidade, além da pedofilia que se procurava esquecer, foi descoberta uma filha.

Os crentes, muitos com honestidade ou ignorância, acreditam na bondade do Papa e dos cardeais da Cúria mas têm de ser confrontados não com a mentira do deus que dividem em rodelas na missa mas com as responsabilidades políticas do gerente do Vaticano.

São públicos o carácter reaccionário e anti-semita dos bispos cismáticos de Monsenhor Lefebvre, o pendor nazi e o ódio antijudaico dos seus padres e crentes, tão ferozes que até João Paulo II notou e que, para evitar a vergonha, excomungou. JP2 não aguentou a pressão fascista e excomungou-os da sua Igreja cujo passado era, nesse campo, pouco recomendável.

B16 desexcomungou os bispos e padres desse antro nazi da Fraternidade Sacerdotal de S. Pio X (FSSPX) e, ao fazê-lo, teve a cumplicidade dos crentes que no Diário Ateísta bolçam insultos contra os ateus. São cúmplices, pois.

O Papa admite que errou ao retirar a excomunhão à seita porque sente a vergonha a que sujeitou a ICAR mas não admite que deve a decisão à sua formação ideológica. A sua infalibilidade e a força do Espírito Santo cobriram-se de ridículo.

Escrito por Carlos Esperança, 14 de Dezembro de 2010
http://www.ateismo.net/

Os Cabrais



1 - Em 1935, a 19 de janeiro para ser mais exato, o deputado José Cabral apresenta, na Assembleia Nacional, o Projeto de Lei n.º 2. A ideia, só aparentemente escondida atrás da expressão hipócrita "associações secretas", era, muito prosaicamente, liquidar a Maçonaria Portuguesa. Significativamente, no preâmbulo do referido projeto afirma-se que as ditas associações secretas "estão contaminando a sociedade nos seus mais essenciais elementos, corrompendo o Estado, por uma ação dissolvente sobre os seus órgãos e comprometendo, por vezes, a honra e a vida dos seus melhores servidores".

A proposta motivou, pelo menos, duas importantes reações públicas. Em 4 de fevereiro de 1935, Fernando Pessoa publica, no Diário de Lisboa, um ataque violento ao Projeto do "Sr. José Cabral, que, se não é dominicano, deveria sê-lo, de tal modo o seu trabalho se integra, em natureza, como em conteúdo, nas melhores tradições dos Inquisidores."

Alguns dias antes, em 31 de janeiro desse mesmo ano de 1935, o general Norton de Matos (meu tio-bisavô), Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano, dirigira já ao presidente da Assembleia Nacional, José Alberto dos Reis, uma carta aberta onde faz uma defesa frontal e corajosa da Maçonaria Portuguesa. É uma missiva curta, clara e incisiva em que procura demonstrar que o epíteto "sociedade secreta" não é aplicável à instituição de que se diz "chefe" e em que passa em revista os princípios e a moral que servem de "eterna norma" à Maçonaria.

Retenho, em particular esta passagem: "Mandam-nos os preceitos maçónicos que tenhamos sempre para as crenças puras e convicções sinceras dos nossos semelhantes uma dignificadora tolerância, que afirmemos sempre a liberdade de consciência e de pensamento, que reprovemos todas as perseguições de natureza religiosa ou política, todas as injustiças, todas as violências, todas as humilhações, todos os atentados contra a dignidade do homem. (...) Cada Maçon, individualmente, tem por supremo fim fugir da escravatura voluntária, quer ela se apresente sob qualquer dos pontos de vista material, moral ou intelectual."

2 - Pouco mais sei acerca da realidade maçónica. A bem dizer, sou um ignorante na matéria. E assim sendo, no lugar de certezas, tenho só dúvidas e inquietações. Mas essas, não posso escondê-lo, tenho-as e tenho-as de forma crescente. À medida que, na Imprensa, se vão multiplicando, de forma mais ou menos explícita, as referências a uma suposta influência crescente da Maçonaria no seio dos grandes partidos do regime, à medida que vejo o seu nome, justa ou injustamente, associado a interesses, a negócios, a nomeações, a demissões e até a espiões, pergunto-me quem andará, neste Portugal de 2010, mais longe da verdade:

se os que acreditam, como acreditava o meu tio-bisavô, que os maçons se esforçam "por constituir em cada país uma elite, sob o ponto de vista moral e cultural", se os que defendem, como defendia José Cabral e a sua lei de má memória, que a Maçonaria está "contaminando a sociedade nos seus mais essenciais elementos, corrompendo o Estado, por uma ação dissolvente sobre os seus órgãos e comprometendo, por vezes, a honra e a vida dos seus melhores servidores".

http://aeiou.visao.pt

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Playing For Change

Mão Negra

Detido pelo regime chinês, Liu Xiaobo não pôde estar presente em Oslo para receber o Prémio Nobel da Paz.

Mas conseguiu fazer chegar ao exterior um poema inédito, escrito no cárcere.



Experimentando a Morte

Tinha imaginado estar ali, à luz do sol
com o cortejo dos mártires
um só osso esguio sustentando
uma convicção verdadeira.
Todavia, o divino vazio não vai
revestir a ouro os sacrificados.

Uma matilha de lobos bem nutridos
saciados de cadáveres
festeja no ar quente e jubiloso do meio-dia

Lugar distante
esse lugar sem sol
onde exilei a minha vida
para fugir à era de Cristo.

Não consigo fitar a ofuscante visão na cruz.
De um fio de fumo a um pequeno monte de cinzas
bebi até ao fim a bebida dos mártires, sinto a primavera
prestes a romper no rendilhado brilho de inúmeras flores.

Noite dentro, estrada deserta
pedalo de regresso a casa.
Páro num quiosque de tabaco.
Um carro segue-me, atropela a bicicleta.
Um par de brutamontes agarra-me.

Algemado, olhos vendados, boca amordaçada
atirado para uma carrinha celular rumo a nenhures.

Um piscar de olhos, trémulo instante
abre um clarão de lucidez: Ainda estou vivo.

Nas notícias da Televisão Central
o meu nome mudado para “mão negra detido”
ainda que esses anónimos ossos brancos dos mortos
se mantenham de pé no esquecimento.

Ergo alto a mentira auto-inventada
Digo a todos como experimentei a morte
para que “mão negra” se torne a honrosa medalha de um herói

Sabendo embora que a morte
é um impenetrável mistério
estando vivo, não a posso experimentar
e uma vez morto
não posso repetir a experiência
pairo ainda assim dentro da morte
um pairar em afogamento

Noites sem conta atrás de janelas gradeadas
e as campas sob as estrelas
revelaram os meus pesadelos.

À parte uma mentira
Não possuo nada.

# posted by Luis Grave Rodrigues
http://rprecision.blogspot.com/

Pedro Barroso

Bufos no irão


Sócrates desconhece actividade do BCP no Irão

O Gabinete de Sócrates garante que o primeiro-ministro "nunca teve conhecimento de qualquer actividade comercial do BCP no Irão".

A reacção surge em resposta a uma notícia do El Pais, que refere que o presidente do Millennium BCP, Carlos Santos Ferreira, propôs aos Estados Unidos recolher informações sobre o Irão a troco de poder fazer negócios no país, operação com o conhecimento do governo português.

A operação, segundo um telegrama remetido em 11 de Fevereiro deste ano pela Embaixada norte-americana em Lisboa, conta com o "conhecimento do primeiro-ministro português, José Sócrates, e de membros do seu Governo", noticiou no domingo a edição digital do jornal.

O diário citou um telegrama "confidencial" enviado para Washington e que integra o lote de 250 mil documentos que o 'site' WikiLeaks tem estado a divulgar.

Este telegrama ainda não está entre o leque de documentos já divulgados pelo WikiLeaks no seu "site", onde já foram tornados públicos 1.344 dos cerca de 251 mil que vão ser revelados.

Outro telegrama, citado pelo jornal espanhol revela também comentários sobre José Sócrates. O primeiro-ministro é descrito nos textos como um político "carismático" mas a quem "desagrada partilhar o poder".

Económico com Lusa
http://economico.sapo.pt

sábado, 11 de dezembro de 2010

Nervos de aço

A Caruma

Cruzes canhoto

Hoje deu-me para a nostalgia.


Assim, até eu me convertia.

Sem camisa

Como atacar a Wikileaks? E se fosse com sexo e mentiras?!


“Sofia Wilen, de 20 e Anna Ardin, de 30 anos, são as suecas que apresentaram queixa contra Assange, em Estocolmo, a 20 de Agosto.

“Tudo começou quando Assange foi convidado a participar num seminário na capital sueca. Anna, militante feminista, contactou o rosto da WikiLeaks e ofereceu-lhe a sua casa para ele ficar durante a visita.

12 de Agosto de 2010 - Seguiu-se um flirt e tudo acabou na cama.
14 de Agosto – Anna organiza uma festa em honra de Assange.
14 de Agosto – Sofia Wilen, namorada do artista norte-americano Seth Benson, na festa começou a "flirtar" com Assange e levou-o para sua casa.

Dias depois Sofia é informada de que Anna tenciona acusar Assange de violação e decide também fazer o mesmo.

20 de Agosto – Seis dias depois (que terá acontecido entretanto?) Apresentam queixa na polícia. Mas alegando o quê:
Anna: durante a relação o preservativo rompeu-se, ela pediu para parar e ele fez orelhas moucas. Daí a violação.

Sofia: mantiveram, em sua casa, relações duas vezes. Uma à noite, com preservativo, e outra de manhã, sem persevativo. Sofia não queria sexo desprotegido, mas ele ignorou-a. [notícia CM]

A acusação de violação de Julian Assange, em Estocolmo e a sua prisão, há dias, com esse pretexto, em Londres parece uma história mal contada. É preciso castigar o homem porque divulgou as mensagens secretas da diplomacia norte-americana mas indo por aí é uma chatice porque há essa coisa da liberdade de expressão garantida por leis e constituições. Então ao que tudo parece montaram-lhe uma cilada.

Uma história com sexo que faz sempre um certo frisson mas tão mal contada que não me parece ter pés para andar muito.

Quanto ao New York Times, o alemão Der Spiegel , o espanhol El País, o inglês Guardian, a quem Assange facultou, em primeira mão, as mensagens diplomáticas fizeram o mesmo que o homem da Wikileaks, publicaram-nas, que é para isso que eles servem, mas não lhes vai acontecer nada.

Há quem pense que é por serem um bocadinho mais poderosos mas eu acho que é porque aquelas simpáticas meninas não estão para ir para a cama com os respectivos directores que devem ser bem mais velhos e menos charmosos que o australiano.
Etiquetas: Julian Assange., Wikileaks

posted by Raimundo Narciso
http://puxapalavra.blogspot.com/

Excelsas mãezinhas

Os crentes e o Diário Ateísta

Ninguém acreditará que os órgãos de comunicação social ou as missas onde os padres juram a virgindade de Maria e a inviolabilidade dos Papas, que não são tão invioláveis como dizem, deixariam os ateus exercer o contraditório, ao contrário do que acontece no Diário Ateísta?

Eu seria incapaz de ir à missa para chamar burro ao padre, demente à catequista, senil ao Papa e aldrabões aos fiéis que rezam pela conversão do mundo, esfolam os joelhos e se persignam. Mas todos esses epítetos são usados contra mim por crentes a quem nunca maltratei e a quem nunca atingi a honra das suas excelsas mãezinhas, no DA.

Se não gostam do DA e do que aqui se escreve por que motivo vêm cumprir penitências inúteis e tentar conversões improváveis a um sítio onde deus não passa, onde a virgem o não é, nem santíssima, e o Papa não passa de gerente da multinacional da fé católica?

Os mais crédulos devotos crêem no processo alquímico que altera propriedades físicas a rodelas de pão ázimo, transformando-as em corpo e sangue que as análises laboratoriais não confirmam, no valor da castidade e na omnipotência de um deus que não faz prova de vida nem é capaz de dar educação cívica aos devotos.

Que tropismo os impele para este espaço onde deus merece menos consideração do que qualquer pessoa, onde a virgem, sem diagnóstico diferencial, não passa de mulher vulgar que terá dado à luz o fundador da seita?

Podem ir rezar aos santos, alguns pouco recomendáveis, viajar de joelhos até Fátima, banharem-se em água benta e lerem os livros sagrados, para deixarem de acreditar no carácter divino dos versículos que alimentam os parasitas da fé.

Se persistirem no masoquismo de aqui voltarem, ao silêncio do vosso deus juntarei o meu, à irrelevância dos santos, anjos, bispos, profetas e anacoretas objectarei com as dúvidas de um ateu mantendo a educação que os talibãs não conseguem.

Quanto a deus, que goze a sua divina irrelevância e as merecidas férias de quem nunca fez o que quer que fosse nem sequer teve existência.

10 de Dezembro de 2010 | Escrito por Carlos Esperança
http://www.ateismo.net/2010/12/10/os-crentes-e-o-diario-ateista-2/

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Mamas

A FRASE DO ANO, PROFERIDA PELO PRÉMIO NOBEL DA MEDICINA
O oncologista brasileiro Drauzio Varella

"No mundo actual, investe-se cinco vezes mais em medicamentos para a virilidade masculina e silicones para as mulheres do que na cura do Alzheimer. Daqui a alguns anos, teremos velhas de mamas grandes e velhos com pénis duro, mas nenhum se recordará para que servem".

1975 amen


O atoleiro da ICAR...

1.975 vítimas de abusos sexuais praticados pela Igreja Católica na Holanda...

http://ponteeuropa.blogspot.com/

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

TED HAWKINS

Wiki Nobel


Reino Unido
Aumentam vozes em defesa de Assange


Julian Assange, o fundador do site de denúncias WikiLeaks que se encontra preso no Reino Unido, está a receber o apoio de vários países.

A Austrália culpou ontem os Estados Unidos pela divulgação das suas comunicações diplomáticas, afirmando que Assange não deve ser responsabilizado pelo facto. "O Sr. Assange não é ele próprio responsável pela fuga não-autorizada de 250 mil documentos da rede de comunicações diplomáticas norte-ameircana.

Os americanos é que são responsáveis por isso", afirmou o ministro australiano dos Negócios Estrangeiros Kevin Rudd, ele próprio descrito por um dos comunicados divulgados como sendo um "maníaco do controlo".

A Rússia também veio em socorro do líder da WikiLeaks, tendo fontes do Kremlin afirmado que ele "deveria ser nomeado para o próximo Prémio Nobel da Paz" pelas suas acções.

Para Claes Borgstrom, advogado de Assange, cujo pedido de libertação sob fiança foi rejeitado pelos tribunais britânicos enquanto é estudada a sua deportação para a Suécia, país onde é acusado de duas tentativas de violação , as acusações contra o seu cliente "não têm nada a ver com a WikiLeaks nem com a CIA".

Embaraço britânico
Os documentos que continuam a ser publicados na Internet pela WikiLeaks geraram ontem mais polémica internacional, ao revelaram que o líder líbio Muammar Khaddafi ameaçou o Reino Unido com um corte das relações comerciais bilaterais e "repercussões enormes" caso Abdel Basset al-Megrahi, o autor do atentado que destruiu o voo 103 da Pan Am sobre a cidade escocesa de Lockerbie acabasse por morrer na prisão.

Em resposta, tanto o líder do governo regional escocês, Alex Salmond, como o antigo ministro da Justiça Jack Straw negaram que a decisão de libertar Megrahi tenha sido tomada devido às ameaças vindas da Líbia.

"De uma perspectiva escocesa, nós não estávamos interessados em ameaças, mas sim na aplicação da Justiça escocesa", afirmou Salmond, enquanto Straw precisou que "tanto Salmond como o governo britânico repetiram várias vezes a verdade, de que esta foi uma decisõa tomada pelo governo escocês".

Pedro Duarte 09/12/10
http://economico.sapo.pt

Paypal Visa WikiLeaks

Visa bloqueia Wikileaks mas nada objecta a racistas

Empresas de cartão de crédito repassam sem problemas doações à ultra-racista Ku Klux Klan. Paypal admite pressões do Departamento de Estado norte-americano.

Os cartões de crédito Visa e Mastercard bloquearam a Wikileaks, deixando de repassar qualquer doação que um cidadão queira fazer à organização dirigida por Julian Assange, mas não opõem qualquer obstáculo se a doação for para a Ku Klux Klan, a mais famosa organização racista norte-americana.

O site do Knights Party, que assumidamente representa a KKK, pede doações que podem ser efectuadas pelos cartões de crédito, que até podem receber instruções para que estas sejam regulares.

Um porta-voz da Visa justificou o bloqueio dizendo estar a fazer uma investigação sobre a “natureza da Wikileaks e se ela contradiz as regras operacionais da Visa”. Já a natureza de uma organização que fazia linchamentos e que sonha com um mundo de supremacia racial branca não parece levantar objecções de maior à empresa.

Casa Branca fez lóbi sobre a Rússia a favor da Visa e da MasterCard

Mas nesta quarta-feira, uma comunicação entre a embaixada norte-americana em Moscovo e a Casa Branca, revelada pela Wikileaks mostra até que ponto estas empresas devem favores ao governo dos EUA.

De facto, a Visa e a MasterCard levaram o governo dos Estados Unidos a fazer lóbi sobre a Rússia para o governo de Moscovo não aprovar uma nova lei sobre transacções bancárias que iria prejudicar as duas empresas.

No telegrama, o presidente Barack Obama é exortado a pressionar o Kremlin para salvaguardar as duas empresas norte-americanas na redacção da lei que cria um sistema russo de pagamentos por cartão.

Um novo consórcio, formado por bancos estatais russos, passará a deter o direito exclusivo de cobrar comissões sobre pagamentos e transferências realizadas por cartão naquele país.

Ficará também vedada a saída da Rússia de qualquer dado das operações realizadas pelos clientes nacionais. Com esta decisão, a Visa e Mastercard antevêem perdas anuais na ordem dos milhares de milhões de euros. A lei russa ainda está em discussão.

Paypal admite pressões

Entretanto, não foi preciso uma fuga de informação para se confirmar o que parecia evidente: a empresa de pagamentos pela Internet PayPal admitiu que cortou o serviço à WikiLeaks depois de uma intervenção do Departamento de Estado norte-americano.

Osama Bedier, vice-presidente da empresa, disse que houve um contacto de representantes do Departamento de Estado que lhe garantiu que a organização estava envolvida em actividades ilegais.

“Nós agimos de acordo com as regras em todo o mundo, assegurando que protegemos a nossa marca”, disse ao diário britânico The Guardian.

Os servidores da Paypal, da Visa e da Mastercard ficaram nesta quarta horas em baixo, devido a ataques de hackers que chegaram a mobilizar 2 mil computadores, segundo o site da empresa de segurança PandaLabs. Os hackers apelidaram a acção de operação “Payback”.

http://www.esquerda.net

Julian Assange 2/2

Julian Assange 1/2

Urso Amigo o zé està contigo


Hà amigos espantados com o meu apoio ao deus Assange. Espantados por saberem que sou Ateu e que "agora me converti" ao diabo.

È caso para dizer "Oohhh diaaaabo !!!"

Com que então, os senhores do Texas brincam aos james Bond, borram a escrita, e os outros é que são mauzinhos ?

O Senhor Assange està para as fugas de imprensa como o mel està para os ursos.

Os serviços secretos do tio sam espiam disfarçados de diplomatas, fazem relatòrios anedòdicos, distilam e distribuiem o conteudo da bufaria de forma irresponsavel, e acabam a gritar histéricamente "agarra que é ladrão" !?

Deixaram escapar paletes de mel e agora querem "matar" o urso.
Esqueceram-se que o Urso é uma espécie protegida.

Zézen.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Manha de nevoeiro



http://novomundoperfeito.blogspot.com/2010/12/projeto-de-livro-sobre-francisco-sa.html

Obrigado Amigo Arp, pelo trabalho de re-publicação.

Senhor Não


Teixeira dos Santos recusou fundo de socorro apesar da pressão

Governo português sai da reunião do eurogrupo de ontem em Bruxelas sob pressão renovada para realizar reformas estruturais.

O que são as emissões conjuntas de obrigações da zona euro?

A ideia, defendida por alguns economistas e responsáveis políticos, é a de que os países da zona euro, uma vez que têm a mesma moeda, podem obter financiamento no mercado em conjunto e nas mesmas condições. Em vez de, como acontece agora,cada país realizar as suas emissões de obrigações de tesouro, estando sujeitos a diferentes avaliações de risco de mercado, a emissão seria única, distribuindo-se depois os fundos obtidos e os correspondentes compromissos de amortização pelos vários países.

Quem poderia ganhar com as emissões conjuntas de obrigações da zona euro?

Os grandes beneficiados seriam os países que mais dificuldades têm encontrado em financiar-se nos mercados, como Portugal, Grécia, Irlanda e Espanha. As taxas de juro destas operações seriam bastante mais baixas, uma vez que beneficiavam da credibilidade da totalidade da zona euro, incluindo a Alemanha, que actualmente consegue obter financiamento no mercado a taxas cerca de três pontos percentuais mais baixas do que Portugal.

Quem é que sairia prejudicado?

Para países como a Alemanha, esta não seria uma forma eficaz de financiamento. As taxas de juro seriam certamente mais altas do que aquelas que obtém nas suas emissões de obrigações, uma vez que ficaria englobado o risco mais elevado de alguns dos seus parceiros europeus. A vantagem para a Alemanha poderia ser a de, no actual cenário, a realização de emissões deste tipo reduziria a pressão dos mercados sobre os países periféricos da zona euro, reduzindo deste modo o risco de a Alemanha ter de financiar novos planos de resgate...


Público • Terça-feira 7 Dezembro 2010

Boa Viagem


Graças a deus.

Antigo bispo do Porto é sepultado hoje.


Júlio Tavares Rebimbas (1922-2010), bispo do Porto durante 17 anos, morreu aos primeiros minutos de ontem, na Casa de Saúde da Boavista.

Público • Terça-feira 7 Dezembro 2010

E eu ralado

Palestina 67

O principio de um fim. Jà não era sem tempo.


Argentina reconhece Palestina “livre e independente”

A Argentina decidiu reconhecer a Palestina como “um Estado livre e independente” segundo as fronteiras de 1967, tal como o Brasil fez na última semana.

Israel lamentou a iniciativa, oficializada numa carta enviada pela Presidente Cristina Kirchner a Mahmoud Abbas, mas o Uruguai anunciou que seguirá o exemplo, já em 2011.

Público • Terça-feira 7 Dezembro 2010

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Sem espinhas

PIM !

Espanha - A greve dos controladores foi uma Azneirada

A greve selvagem dos controladores de voo encerrou o espaço aéreo e mostrou que, não havendo democracia sem direito à greve, há greves capazes de anular a democracia. A decisão rápida do Governo pôs fim à sedição em que a corporação dos controladores se portou como um Tejero Molina à paisana, sem respeito pela democracia.

Foi grave que o Governo tivesse de reprimir a greve e recorrido ao que em Portugal se chama requisição civil, mas pior teria sido se os controladores, cujas funções permitem paralisar os transportes aéreos, tivessem alterado o funcionamento democrático

Os privilégios obscenos de que gozam e a simpatia dos sectores mais reaccionários, mostraram a face do franquismo através da luta de uma classe altamente favorecida.

No PP continua vivo o Aznarismo, uma forma larvar de fascismo , capaz de recorrer a métodos antidemocráticos para recuperar o poder.

Desta vez parece ter-se enganado e a greve foi um erro ou, pior, uma Azneirada.

posted by Carlos Esperança
http://ponteeuropa.blogspot.com/

domingo, 5 de dezembro de 2010

Wikileaks


Wikileaks: o futuro da democracia global

Atribui-se a Bismarck a frase «as leis são como as salsichas, é melhor não as ver a serem feitas».

E, todavia. Todos gostamos de saber o que comemos, como gostamos de saber o que os governos fazem em nosso nome, com o dinheiro dos nossos impostos. Alguns de nós até acham, veja-se lá o radicalismo, que temos o direito de saber o que comemos e o que pagamos.

A wikileaks colocou em acesso público a correspondência diplomática dos EUA durante um período de alguns poucos anos. Entre as revelações relevantes, a enorme hostilidade entre os Estados islâmicos sunitas e o Irão, maior do que alguma vez vi descrito na imprensa «de referência»; o presidente do Iémen a autorizar os EUA a atacarem o seu próprio povo, mesmo quando matam civis (incluindo crianças), e oferecendo-se para dizer que é ele quem ordena os ataques («we'll continue saying the bombs are ours, not yours»); os EUA a pressionarem o poder judicial espanhol para não investigar crimes de sangue (com a vergonhosa cooperação do PGR espanhol); pressões semelhantes sobre a Alemanha; espionagem da ONU, incluindo o secretário-geral Ban Ki-moon, ordenada por Hillary Clinton ela própria (até dados «biométricos» eles queriam); detalhes sobre como alguns Estados do leste da Europa, em particular a Rússia, são máfias com bandeira de Estado; que os sauditas, grandes aliados de Portugal (e dos EUA) continuam os principais financiadores das Al-Qaedas; e que a Turquia é uma confusão perigosa.

(Também há detalhes sobre um líder magrebino que vive em união de facto com uma loura ucraniana, a qual não curou as fobias do senhor; e um líder latino que promove «orgias». Mas isso não é política; é coscuvilhice e não me interessa.)

O que me interessa é que a wikileaks significa, quer o reconheçam ou não, o início de uma nova era.

Há vinte anos, para fazer o que o senhor Assange fez, seria necessário arrombar uma embaixada dos EUA e passar meia dúzia de horas a carregar caixotes com papéis para um camião do tamanho de um TIR. E depois seria necessário encontrar um jornal suficientemente independente (ou louco), e/ou entrar em compromissos com o partido X para assegurar a publicitação das descobertas. Mesmo assim, seria uma publicitação limitada.

Hoje em dia, basta uma pen de 15€ e um minuto para descarregar tudo de um qualquer computador USA numa embaixada ignota, e depois mandar um email para alguém que garanta o anonimato da fonte. O mundo saberá.

«O wonder! How many goodly creatures are there here!
How beauteous mankind is!
O brave new world!
That has such people in it!»

O mundo mudou muito, e vai mudar mais. A internet foi o início de uma cidadania global cujas consequências ninguém consegue antever. Os políticos não gostam, e a classe jornalística também não. Deixaram de poder trocar um bloqueio de informação agora, por um exclusivo depois. Não admira que no twitter e na blogosfera apareçam personagens altaneiras a assobiar para o lado enquanto atestam a «irrelevância» dos wikileaks. O jogo mudou, e não é fácil reconhecê-lo.

A «irrelevante» wikileaks anda a migrar de servidor em servidor. Foi expulsa pela amazon (que merece um boicote). A paypal travou-lhe as doações. (Não percebo porque fazem isto tudo se «toda a gente» já sabia tudo. Como também não percebo por que razão os jornalistas altaneiros não nos deram as noticias antes da wikileaks, se já as sabiam.) Entretanto, os americanos no Iraque têm o acesso ao wikileaks dificultado. E até às notícias sobre o caso.

A biblioteca do congresso bloqueou o acesso ao site «maldito». A Universidade de Columbia avisa os seus alunos de que podem não conseguir emprego se comentarem o assunto no Facebook ou no Twitter (Orwell, acorda, eles voltaram). E saltam as ameaças de morte a Julian Assange.

Ser cidadão implica acreditarmos na nossa capacidade de formarmos a nossa opinião sem mediadores jornalísticos ou políticos. À hora a que escrevo, jornais «de referência» ainda acusam Assange de «violação» (sexual).

Na blogo-esfera, já se sabe que apenas se negou a usar preservativos (sem consenso). Este é só um exemplo de como as manipulações dos media institucionais serão cada vez mais difíceis de manter num mundo em que a verdade está ao alcance de um clique.

A batalha pelo direito da wikileaks a publicitar os telegramas «privados» do governo mais poderoso do planeta (desde quando os governos têm vida privada?), é um passo significativo no sentido de uma cidadania em que a sociedade civil não pede autorização aos governos e aos seus «mediadores» oficiosos (os media tradicionais) para formar a sua opinião.

Uma sociedade civil sem filtros dos «mediocratas» e que se marimba nos tabus dos poderes económicos e de outros feudos que sobrevivem nas democracias é o pior pesadelo do que resta de autoritarismo e totalitarismo neste planeta.

Ergamos o nosso copo a Julian Assange. Sejam quais forem os seus motivos, podemos vir a dever-lhe muito. Para começar, cidadãos informados daquilo de que as salsichas são feitas. E que podem não gostar.

Publicado por Ricardo Alves
http://esquerda-republicana.blogspot.com/

Van Gogh

Antici...clone


Aumento de salários deixa César isolado até no PS

PR diz que compensação salarial será inconstitucional. Governo sugere fiscalização.

O Presidente da República admi-te que o regime compensatório aprovado pelo Governo dos Açores, para os 3700 funcionários regionais, pode pôr em causa o "princípio básico da equidade" na tributação dos rendimentos.

A crítica contundente de Cavaco foi a primeira - fora as da opo-sição - a uma decisão de Carlos César, que levantou uma onda de críticas, que chegaram mesmo ao Governo: um apoio aos funcionários públicos da região com rendimentos entre 1500 e 2000 mensais, compensando-os pelos cortes impostos pelo Governo aos funcionários públicos no OE 2011.

Ressalvando não dispor de toda a informação, Cavaco Silva sublinhou ontem, porém, que "fazer discriminações significa sempre de alguma forma violar um princípio de equidade" e fez questão de recordar o que diz a Constituição da República: "Que as pessoas devem ser tratadas de acordo com o seu rendimento global e nunca de acordo com a profissão que exercem, ou o local onde habitam".

Deixando muito clara a sua posição, o Presidente da República concluiu com um voto: "Espero que seja isso que venha a ser determinante na imposição de sacrifícios aos portugueses."

Sem querer entrar em polémicas, e a poucos metros do local onde Cavaco proferiu estas declarações, o primeiro-ministro advertiu que "o que foi aprovado pelo Governo è igual para todos", admitindo, porém, que "o Governo Regional dos Açores tem todo o direito de intervir na medida das suas competências".

Mas Sócrates não conhecia a notícia - e vincou isso mesmo aos jornalistas em Mar del Plata, local da cimeira Ibero-Americana. E, poucas horas depois, no Ministério das Finanças, em Lisboa, o secretário de Estado da Administração Pública corrigia o tiro defendendo a mesma tese de Cavaco Silva.

Gonçalo Castilho dos Santos, em nome do Governo, afirmou que "o princípio da igualdade está constitucionalmente protegido e que, por isso, espera, que todos os órgãos competentes que zelam pelo cumprimento da lei, quer a lei ordinária, quer a lei fundamental do País, acautelem este princípio da legalidade e da igualdade". Ou seja, que quem possa (como o ministro da República) peça a fiscalização da medida no TC.

O presidente do Governo Regional, Carlos César, não desarmou com as críticas à sua polémica decisão. Diz que a tomou por uma questão de "opções e priorida-des", garantindo que isso "não custa um cêntimo ao Estado ou aos cidadãos de qualquer região do País" - e até que está garantida a sua constitucionalidade: "Os portugueses podem ter a certeza de que o que aqui fazemos não é tirando o dinheiro a ninguém, é utilizando o dinheiro que já está afecto aos Açores", frisou, saindo em defesa de uma "classe média-baixa, muito importante na manutenção do consumo e da actividade económica açoriana".

A verdade é que a polémica apanhou os socialistas desprevenidos. E até Manuel Alegre - candidato presidencial apoiado pelo PS e por César, que está precisamente de visita aos Açores - se pronunciou a "medo". "Eu, de uma maneira geral sou contra os regimes de excepções, mas eu não sei bem do que é que se está a falar", alegou Manuel Alegre. No seu entender, esta é, no entanto, uma matéria que "compete ao Governo dos Açores", por ter "autonomia", frisou apenas.

O anúncio da medida levou a fortes críticas da parte de toda a oposição. Miguel Macedo, líder parlamentar do PSD, atacou a compensação que cobrirá "integralmente a perda de vencimento dos funcionários públicos" açorianos, desafiando o Governo a pronunciar-se logo pela manhã. Na mesma linha reagiu o CDS. "Quando se fala em confiança e em legitimidade, obviamente não se pode pedir sacrifícios a uns e depois pedir sacrifícios a outros", afirmou Cecília Meireles.

Já o líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, desvalorizou a excepção nos cortes salariais na administração pública nos Açores, destacando como maior problema a quantidade de trabalhadores públicos no país com ordenados reduzidos. Da Madeira veio a farpa mais previsível, com Alberto João Jardim a dizer que o apoio de César só acontece porque "recebe muito dinheiro" de Lisboa.

por EVA CABRAL, LUÍS REIS RIBEIRO, PAULO FAUSTINO e NUNO SARAIVA
http://dn.sapo.pt

Caridade

Um jovem noviço chegou ao mosteiro e lhe deram a tarefa de ajudar os outros monges a transcrever os antigos cânones e regras da Igreja Católica. Ele se surpreendeu ao ver que os monges faziam seu trabalho a partir de cópias e não dos manuscritos originais.

Foi falar com o abade e explicou que, se alguém cometesse um erro na primeira cópia, esse erro se propagaria em todas as cópias posteriores. O abade lhe respondeu que há séculos copiavam da cópia anterior, mas que achava bem procedente a observação do noviço.

Na manhã seguinte, o abade desceu até as profundezas da caverna no porão do mosteiro, onde eram conservados os manuscritos e pergaminhos originais, intocados há muitos séculos.

Passou-se a manhã, a tarde e depois a noite, sem que o abade desse sinal de vida.
Preocupado, o jovem noviço decidiu descer e ver o que estava acontecendo. Encontrou o abade completamente descontrolado, com as vestes rasgadas, batendo a cabeça ensanguentada nos veneráveis muros do mosteiro.

Espantado, o jovem monge perguntou:
- Abade, o que aconteceu?
- Aaaaaaaahhhhhhhhhh!!! CARIDADE... meu jovem... CARIDADE!!!

Eram votos de "CARIDADE" que tínhamos que fazer e não de "CASTIDADE"!!!

Publicado por: Arp
http://www.viriatoweb.net

sábado, 4 de dezembro de 2010

Madredeus (live bxl)

Descontrolados

Uma rajada nas pernas.

Três ou quatro centenas de controladores áereos espanhóis abandonaram o seu trabalho sem aviso prévio, lançando a confusão em muitos aeroportos europeus e deixando mais de um milhão de passageiros ao deus dará.

Nos tempos que correm as greves com maiores consequências provêm de gente bem remunerada que não quer prescindir do segundo (ou terceiro) carro, nem das férias em ilhas paradísiacas.

O governo espanhol deu a resposta que se impunha nesta situação, entregando o camando das torres de controlo dos aeroportos civis às Forças Armadas e declarando o estado de emergência, o que implica que os grevistas içaram sob a alçada do Código Militar Penal.

Estão todos a voltar ao trabalho com o rabinho entre as pernas. Pelas declarações dos espanhóis retidos nos aeroportos, o governo pode despedir imediatamente todos os controladores que toda a Espanha aplaudirá. Esta acção contra as regras e pondo em causa a segurança de pessoas não foi um tiro dos pés. Foi uma rajada nas pernas.

Por Tomás Vasques
http://hojehaconquilhas.blogs.sapo.pt/

€ Fartar Vilanagem

Empresta-me aí o teu dinheiro a 1% para eu tu emprestar a 7%

Segundo o Público de ontem (artigo de Cristina Ferreira e Paulo M Madeira) os três maiores bancos privados portugueses, o BCP, o BES e o BPI, entre 30 de Março e 30 de setembro deste ano, aumentaram os seus empréstimos ao Estado português em mais de 2.000 milhões para um total de cerca de 9.100 milhões de euros.

Como conseguem estes bancos, e em especial os grandes bancos e fundos estranjeiros, "ajudar" Portugal a ultrapassar a crise? Vão pedir ao BCE, o banco da União Europeia, que lho empresta a 1% para eles emprestarem ao Estado português a mais de 6%.

Portanto o Banco Central Europeu, criado com o dinheiro dos Estados europeus e que deveria existir para servir as economias dos Estados da União e os respectivos povos, serve afinal, como se sabe, em primeiro lugar os interesses dos maiores bancos que são por acaso dos banqueiros dos países mais poderosos.

Causa admiração? Não, porque os bancos e os sistemas financeiros, o bancário e o paralelo, funcionando como a direita "liberal" defende, sem Estado e sua regulação a atrapalhá-los, funcionando de acordo com as regras do santificado mercado, estão aí é para ganhar dinheiro, não é para salvar economias, ou minorar o sofrimento dos milhões de pessoas atingidas.

E quem causticam mais? Onde é possível ganhar mais dinheiro, obter juros mais altos, nas economias que estão em risco de se afundar. Mas isso vai lançar no desemprego, na miséria e no desespero uma grande parte da sua população? Pois, é pena, não é por maldade, até preferiam que isso não acontecesse, mas... paciência eles não estão cá para cuidar das pessoas (das outras pessoas) ou dessa coisa subversiva chamada justiça social. Percebe-se.

Mas então e os governos? Os governos que nós elegemos? Bem, os governos... os governos... pelo menos aqueles dos países mais poderosos... coitados o que lhes parece mais compensador é favorecer os banqueiros e a oligarquia que eles representam, pois assim terão para si e as suas famílias a sua gratidão.

Fatalidade? Sim, enquanto as vítimas não se levantarem e não mudarem as regras do jogo.

posted by Raimundo Narciso
http://puxapalavra.blogspot.com/

Patinho feio

Cavaco 'vintage'

Ficámos esta semana a saber, por intermédio da revista Sábado, que Cavaco teve ficha na PIDE. Não se trata, porém, de uma ficha "de honra", daquelas de que as pessoas se gabam, como em "eu até tive ficha na PIDE", querendo dizer que se incomodaram o suficiente com o regime antidemocrático para atrair a atenção dos seus esbirros.

Não, e tanto assim não é que se trata de algo que o actual Presidente preferiu rasurar; algo considerado até, em óbvio lapso freudiano na reacção da sua candidatura à abordagem da Sábado, como "sujo": "Este tipo de guerra suja não pega com o candidato prof. [sic] Cavaco Silva."

Ora se alguma coisa há de verdadeiramente escandaloso na descoberta da Sábado é que é possível alguém ter sido PM entre 1985 e 1995 e PR desde 2006 e ninguém se ter lembrado, até agora, de procurar o seu nome no arquivo da PIDE - o que diz brutalidades sobre a forma como a ditadura foi e é encarada pela democracia, numa espécie de patética elisão, do género "adiante".

Já sobre Cavaco, que nos diz a ficha? Que quis ter acesso, para efeitos de investigação académica, a documentos "classificados". Tinha para tal de ser sujeito a aprovação da PIDE, o que implicava responder a um questionário no qual se perguntava sobre "posição e actividades políticas".

O jovem Aníbal, então com 28 anos, respondeu: "Estou integrado no actual regime", acrescentando: "Não exerço qualquer actividade política." Nada de extraordinário, aliás tudo muito ordinário. Como ele responderia, se colocada nessa situação, a maioria dos portugueses da época e não teria realmente muito sentido alguém ir de propósito à PIDE para dizer "acho este regime um grande nojo".

Cavaco era, pois, na pior das hipóteses, um admirador do regime; na melhor, um sonso: morremos de estupefacção. Claro, dir-se-á, poderia ter-se atido à segunda resposta. Mas quis jogar pelo seguro, aliás ao ponto de não afirmar apoio ao regime e, numa atitude tão nossa conhecida, colocar-se "fora" da política - como se "estar integrado" no regime ditatorial e afirmá- -lo não constituísse uma opção política.

É porém no espaço destinado a "observações", portanto opcional, que o actual Presidente melhor se revela: "O sogro casou em segundas núpcias com Maria Mendes Vieira, com quem reside e com quem o declarante não priva."

Para prosseguir os seus intentos - no caso, ler uns documentos quaisquer - Cavaco não hesitou em expor a vida familiar e apontar o dedo à mulher do sogro (à mulher, note-se; não ao sogro), declarando-a infrequentável.

O homem que não fazia política a politizar a intimidade: olha se não é o princípio do totalitarismo e da bufaria e ignomínia que ele convoca. Confere.

por FERNANDA CÂNCIO
http://dn.sapo.pt

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Sérgio Godinho

FMI by passos

Quem quer a ajuda do FMI?

No meio de tanta afirmação contraditória sobre um eventual pedido de ajuda ao FMI, de livre iniciativa ou imposto por Bruxelas, começa a ser confuso perceber quem quer e quem não quer a preciosa ajuda internacional, o mesmo é dizer que interesses estão defendendo os que querem ou não querem tal ajuda.

Os banqueiros dizem que não querem pois aposta na passagem do temporal especulativo e contam com a retoma da economia para animar os negócios, entretanto têm muito a ganhar com o diferencial existente entre os juros exigidos pelo BCE e os que cobram aos Estados Europeus cuja dívida soberana atingiu juros absurdos. Mas se a situação financeira do país se degradar é certo que vão ser os primeiros a apelar a Sócrates que recorra à ajuda internacional.

Sócrates não quererá recorrer ao FMI pois isso seria o reconhecer ter cometido erros na política orçamental o que sendo evidente não seria notícia noutro contexto económico internacional. Os erros cometidos por este governo foram ensinados por um conhecido professor de economia, há muito que os governos tornaram a execução orçamental num domínio de total opacidade.

Mas se a crise financeira atingir a Espanha e a Itália, o que começa a ser muito provável, Sócrates poderá beneficiar de uma mudança de posição da Alemanha ou usar a crise nestes países para justificar um recurso à ajuda internacional, se até os ricos são obrigados a recorrer é porque o mal não é nosso.

A posição mais hipócrita tem sido a protagonizada por Pedro Passos Coelho que disputa o poder com a mesma leviandade com que disputaria a associação de estudantes de uma escola do ensino preparatório. Num dia afirma o seu empenho na estabilidade e na independência do país, no outro quer que venha o FMI e já diz aos portugueses que precisa de duas legislaturas, tudo depende das sondagens.

Esta hipocrisia ficou evidente na discussão do OE em que se limitou a promover a instabilidade política contando com o aumento dos juros como um reforço do seu poder negocial. Depois de conseguir aumentar os juros da dívida soberana limitou-se a fazer um simulacro de negociação da qual resultou o aumento da despesa e uma importante conquista orçamental para os portugueses, a manutenção da taxa do iva nos refrigerantes.

Agora que voltou a estar bem na sondagens volta a dar uma ajuda aos especuladores e já admite a vinda do FMI, até admite governar com o FMI, só não explica se vai ser convidado para primeiro-ministro por Cavaco Silva ou pelo presidente do FMI pois dificilmente a estabilidade nos mercados financeiros vai durar os meses que terá de esperar até que se realizem eleições legislativas.

Se Passos Coelho dispõe-se a governar com o FMI resta saber se o fundo está disponível para governar com Passos Coelho, um político que aprova um orçamento para evitar a vinda do FMI e uma semana depois quase convida o FMI a vir é muito pouco credível quer para o FMI, quer para os investidores.

O mais grave é que enquanto os portugueses discutem se o país precisa da ajuda do FMI o líder do PSD equaciona o problema noutra perspectiva, Passos Coelho acha que o FMI pode vir a ajudá-lo.
De uma negociação com o FMI resultam duas coisas, ajuda financeira como contrapartida de um pacote de medidas políticas, o cinismo oportunista de Passos Coelho leva-o a pensar que divide a coisa ao meio a ajuda financeira é para o país e as medidas políticas constituem uma ajuda ao seu projecto político, conseguirá com a chantagem do FMI impor ao país um projecto político que quando foi assumido o levou a cair abruptamente nas sondagens. Pedro Passos Coelho espera que o FMI force os portugueses a aceitar entre outras coisas o seu projecto de revisão constitucional.

Enquanto em vários países europeus cidadãos e governos discutem a bondade ou necessidade de recurso à ajuda internacional, em Portugal as diversas forças estão a equacionar o recurso ao FMI mais para ajudar os benefícios financeiros e políticos de cada um do que os que resultariam para o país.

Publicada por Jumento
http://jumento.blogspot.com/

Excomunhados

Foi castigo

MEMÓRIAS DE UM ADVOGADO
DIREITO POR LINHAS TORTAS


O meu cliente era bom homem, simplório, mas muito cioso do que era seu e dos seus interesses. Tinha havia muitos anos uma pendência com um cunhado, por causa de um terreno comum sobre cuja divisão não conseguiam entender-se, e ele atribuía toda a culpa dessa falta de entendimento ao tal cunhado que, segundo ele, era um malandro, aldrabão e ganancioso.

Baldadas todas as tentativas de acordo amigável, mesmo através de mim e do advogado do cunhado, tornou-se inevitável recorrer a tribunal com uma ação de divisão de coisa comum. Quase no final desse processo, porém, acabou por ser possível, graças à intervenção conciliatória do juiz, chegar a um acordo razoável. Nessa transação ficou estipulado, como é costume, que as custas seriam suportadas a meias por ambas as partes.

Aconteceu no entanto que, por engano do secretário judicial, na conta final do processo foram postas todas as custas a cargo do cunhado do meu cliente. É claro que o advogado deste apresentou reclamação da conta, que tinha todas as condições para ser atendida; porém, tendo este meu colega o seu escritório em comarca diferente daquela em que tinha corrido o processo, a sua secretária, por engano, entregou a reclamação no tribunal dessa outra comarca; e o funcionário que a recebeu não se apercebeu de que ela era dirigida a outro tribunal.

Entretanto, esgotou-se o prazo para a reclamação, pelo que, devido a toda esta sucessão de enganos, o tal cunhado acabou por ter de pagar a totalidade das custas.
O meu colega, sentindo-se indirectamente responsável pelo erro da sua secretária, pediu-me que intercedesse junto do meu cliente para que este, embora sem a isso ser legalmente obrigado, honrasse o compromisso acordado e reembolsasse o cunhado de metade das custas.

Por consideração pelo colega e por achar justa a sua pretensão, convoquei o meu cliente e expliquei-lhe o que tinha acontecido: as custas, conforme o acordado, deveriam ter sido pagas a meias, mas o cunhado tinha tido que as pagar na íntegra devido a uma anómala série de enganos (do secretário judicial, da secretária do meu colega e do funcionário que recebeu a reclamação). E perguntei-lhe se ele, apesar de ninguém a isso o poder obrigar, estaria disposto a cumprir o acordado.

O meu cliente, num primeiro momento, ficou embatucado; era evidente que não tinha vontade de pagar, mas também não queria passar por desonesto. De repente, porém, o seu semblante iluminou-se, os olhos sorriram-lhe e ele sentenciou: “Foi Nosso Senhor que o castigou!”.

E assim, graças a esta invocação da Divina Providência, conseguiu eximir-se airosamente ao cumprimento da palavra dada. Quem éramos nós para contrariar a vontade de Nosso Senhor?

posted by ahp
http://ponteeuropa.blogspot.com/