segunda-feira, 24 de maio de 2010

Coices


A semana política foi animada pela moção de censura apresentada pelo PCP, votada pelo BE e que só não foi votada pelo CDS pela argumentação ideológica que foi utilizada.

O PCP acha que o país deve dar aumentos salariais acima dos 4%, aumentar o défice, prolongar e aumentar os subsídios de desemprego, aumentar o investimento público e criar emprego no estado, medidas que o governo não aprova e ainda por cima adoptou um programa de austeridade por ter uma política de direita.

Para o PCP há sempre fartura, o problema é da direita e das políticas de direita praticada por políticos mauzinhos que têm prazer em fazer o povo sofrer.

Também muito preocupado com o sofrimento infligido pela crise ao povo está Cavaco Silva, um candidato não assumido à Presidência da República que agora anda muito incomodado com a possibilidade de as crianças das famílias mais pobres irem para a escola com fome ou serem prejudicadas nos estudos por causa da crise económica.

Esqueceu-se de quando era primeiro-ministro e mesmo sem crise e beneficiando dos rios de dinheiro comunitário o país conheceu o fenómeno da fome nas escolas, uma grave crise de miséria em regiões como Setúbal e até teve de desencadear operações de ajuda alimentar. Enfim, parece que a velhice ajuda Cavaco a esquecer o que lhe interessa.

Quem não se esquece de quem é e de como faz política é Pacheco Pereira que esta semana teve um orgasmo ao ler as escutas cuja leitura foi recomendada pelo magistrado do Baixo Vouga, coincidência das coincidências, filho de um director nacional da PJ dos tempos de Cavaco Silva que saiu quando António Guterres chegou a primeiro-ministro. Desesperado por não encontrar provas, apesar dos seus dotes para cabo da guarda da Marmeleira, decidiu vasculhar em escutas como se fosse um polícia a investigar um criminoso.

Não é na comissão parlamentar de inquérito que se vive um ambiente de orgia, animados pelas empresas de rating os nossos empresários vão cada vez mais longe nas suas exigências. Esperemos que nenhum prémio Nobel sugira o regresso à escravatura pois os nossos empresários seriam os primeiros a exigi-la e não faltaria ex-ministros das Finanças a concluir que é melhor alguns portugueses serem escravos do que um dia serem todos.

http://jumento.blogspot.com/

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