sexta-feira, 7 de maio de 2010

Là terà que ser



Críticos de Alegre no PS em silêncio
por HUGO FILIPE COELHO

Opositores internos resignaram-se com o apoio do partido e baixaram as armas. BE marca posição

Com silêncio se evitará a guerra civil socialista. Os opositores de Manuel Alegre no PS resignaram-se à ideia de que o partido vai apoiar o poeta na corrida a Belém e calaram as críticas para não cavar mais as divisões internas.

Um dia depois de formalizada a candidatura - com um discurso livre de ataques ao Governo, com uma referência a José Sócrates -, foi impossível ouvir um ataque da boca de um dirigente socialista.

José Lello, um dos mais acérrimos críticos de Alegre, foi dos poucos que ousaram falar, mas nem sequer se alongou nos comentários. O antigo ministro disse mesmo que notou "uma evolução positiva no discurso do candidato e no sentido de aproximação ao PS".

A mesma opinião tinha sido expressa na véspera por Vitalino Canas. O ex-porta-voz do PS de José Sócrates considerou que Alegre dá sinais de mudar de estratégia porque parece ter "moderado as críticas à política do Governo".

Fonte socialista explicou ao DN que não existe qualquer pacto de silêncio. Só que mesmo entre os opositores de Alegre - onde se contam muitos próximos de Sócrates - o apoio ao velho rival de Cavaco é visto como uma inevitabilidade que até pode ficar assente na reunião do Secretariado Nacional na segunda-feira.

Lello, que não vai à reunião por "motivos de agenda", disse que a sua oposição a Alegre é inalterável, mas prometeu ser "discreto para não prejudicar a campanha".

A alegada moderação do tom do discurso de Alegre está a ser rejeitada pelo Bloco de Esquerda. Francisco Louçã, disse ao DN que o discurso de terça-feira foi concentrado "na resposta à crise" e respondeu "àquilo a que Cavaco não responde". E acrescenta que o partido "não está arrependido do apoio que deu ao candidato".

Sobre a ausência de críticas ao Governo, o líder do BE disse que um homem coerente não tem de estar sempre a repetir-se. "Alegre é um homem coerente..."

Fernando Rosas afirmou que "o PS anda a dizer que é a candidatura que cede às posições do Governo". "Mas é exactamente o contrário: o PS só está a aderir porque não teve outro remédio."

Daniel Oliveira avisou "que, se se espera que Alegre faça mais críticas ao Governo do que Nobre e Cavaco juntos, vamos sempre achar que está a piscar o olho ao PS". E acrescentou: "Tenho a certeza de que Alegre quer o apoio do PS e tenho a certeza de que o PS lhe vai dar esse apoio contrariado. Aí está a diferença. Eu apoio Alegre porque concordo com ele e isso é mais do que Sócrates pode dizer."

http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1561815

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